Bruce Springsteen e Born in the U.S.A.: Nascido para se inconformar

Em 1983, Springsteen trabalhou em 100 canções que acumulara desde The River. A 10 de maio de 1984, edita «Dancing in the Dark», maxi-single com sintetizadores, misturas de dança e um refrão apelativo. O som pop surpreendeu muitos, mas Bruce, ao que parece, só se queria divertir um pouco e passou do folk de Johnny…

Bruce Springsteen: Nebraska e as razões para acreditar

Composto em dois meses e gravado em dois dias no quarto de Bruce Springsteen num aparelho Teac Tascam 144 de quatro pistas, Nebraska foi um caso em que menos é mais. Springsteen era considerado agora o artista rock de maior notoriedade dos EUA e, terminada a digressão de The River, regressou a New Jersey e…

Ennio Morricone: Óscar. Chi Mai… Quem mais, qualquer um…

“Certamente, foi uma expressão de inteligência cinematográfica… nem sempre a tiveram, os americanos, devo dizer, mas… nesse caso, sem dúvida, viram nela algo de especial e fora da norma; não era uma atriz talentosa, era uma atriz que podia ser ela mesma.” Dacia Maraini, escritora italiana, comentando o primeiro Óscar para Itália, para Anna Magnani….

David Bowie: O Planeta Terra é azul e não há nada a fazer

Seria irresponsável se não fizesse aqui qualquer menção à morte de David Bowie. Enquanto músico. E ele, como músico, sempre teve a coragem de ser diferente. É o mínimo que se pede a um artista e talvez o máximo. Quando soube que faleceu, foi como se morresse um pedaço de música que faz parte da…

Joni Mitchell – Hejira: A viagem de Ícaro

“Hejira” é o termo islâmico para “êxodo” ou “odisseia”. O álbum surgiu numa fase experimental para Joni Mitchell. A capa foi um regresso à fotografia, contrariamente às anteriores, pintadas pela própria compositora. Esta, em particular, tornou-se icónica, pois mostra Joni com uma auto-estrada que parece rumar ao seu coração. Os temas de Hejira são o…

Laura Nyro – Christmas and the Beads of Sweat: Natal na primavera

O título de Christmas and the Beads of Sweat deriva de duas canções, «Christmas in My Soul» e «Beads of Sweat». O ambiente é mais descontraído que em New York Tendaberry. O álbum contém vários temas que se tornariam incontornáveis na carreira de Nyro como «When I Was a Freeport and You Were the Main Drag» que fala de um amante que trata mal a companheira. A resposta da personagem feminina: “Bom, tenho muita paciência, querido, e é muita paciência a perder.”

Laura Nyro – New York Tendaberry: Debaixo da pele de cimento

Aos 22 anos, Laura Nyro edita New York Tendaberry, uma espécie de carta de amor à cidade por parte da nativa do Bronx. Foi um sucesso imediato de crítica e público. O produtor Roy Halee chamou-lhe um dos maiores discos de sempre. Suzanne Vega escreveria: “A música de Laura fazia-nos sentir alegres e tristes e…

Laura Nyro – Eli and the Thirteenth Confession: 13 é o número da sorte

Em 1968, artistas tão diferentes como Frank Sinatra, Chet Atkins, Linda Ronstadt e os Fifth Dimension interpretavam os temas de Laura Nyro, cujo segundo álbum não passou despercebido. Depois de ter gravado o disco de estreia, Nyro saiu de casa dos pais, passando a viver em Manhattan, num bairro popular entre músicos. Era um apartamento…

Laura Nyro e o seu primeiro álbum: (Mais do que) Uma Nova Descoberta

Se existe cantora/compositora para com quem as artistas de música popular dos últimos 50 anos têm uma grande dívida é Laura Nyro, falecida a 8 de abril de 1997, com apenas 49 anos. Como disse uma estudiosa da sua obra, Patricia Rudden, “Laura Nyro e Joni Mitchell dividiam o mundo entre elas em 1968; hoje…

Lou Reed – Dois vídeos legendados

Dois vídeos que traduzi, duas canções: «I Love You, Suzanne», com uma pequena entrevista no final e «Doin’ the Things that We Want To». Foi durante a promoção do álbum New Sensations, em Inglaterra, no Old Grey Whistle Test. O interessante é que a primeira canção, como Reed descreveu, “é algo que podia continuar sem parar”….

Lou Reed – A Entrevista do Porco-Espinho

Isto não é um artigo. Mas, tendo em conta que é um trabalho de tradução, legendagem e edição de vídeo que durou muitas horas… está quase a fazer um ano do desaparecimento de Lou Reed. E realmente o que tem este homem a ver com qualquer músico de hoje? Super-cerebral, super-inteligente… talentoso e divertido.

Lou Reed – The Raven: Nas asas do corvo

Para esta homenagem a Edgar Allan Poe, Lou Reed rodeou-se de nomes conhecidos como David Bowie, Steve Buscemi, Willem Dafoe, Kate e Anna McGarrigle, Ornette Coleman, Antony e Laurie Anderson. O álbum é uma espécie de banda sonora do espetáculo de Robert Wilson sobre a obra do escritor norte-americano e, como tal, falta-lhe a componente visual e cénica….

Lou Reed – Ecstasy: A droga do amor

Em 1998, Lou Reed edita o álbum ao vivo Perfect Night: Live in London, gravado no festival anual de Meltdown. Os fãs teriam preferido um trabalho de originais, mas as ironias da carreira do paradoxal Reed continuavam (e continuam). «Perfect Day» foi escolhido pela BBC como tema promocional. A empresa britânica reuniu os artistas mais díspares possíveis,…

Lou Reed – Set the Twilight Reeling: O desafio ao crepúsculo

Os três sucessos comerciais consecutivos de Lou Reed, New York, Magic and Loss e Songs for Drella, tornaram possível, e até oportuna, uma reunião dos Velvet Underground. Alguns chamaram-lhe uma ideia brilhante – falamos de um grupo que teve tanta influência como os Beatles, os Rolling Stones ou os Queen, etc., se bem que de…

Poemas traduzidos de Lou Reed

Três leitores sugeriram que traduzisse as letras de Magic and Loss por acharem que o tema lhes dizia algo. Queriam perceber melhor o que era dito. Pareceu-me um desafio interessante, até porque, quando o CD foi editado, o booklet incluía as traduções em alemão, francês, espanhol e italiano, situação inédita nessa época e, tanto quanto…

Lou Reed e John Cale – Songs for Drella: Algures entre Drácula e Cinderela

Recapitular o que acontecera aos Velvet Underground é incontornável para situar Songs for Drella na época em que foi concebido. Era um grupo reverenciado pelo tremendo impacto que causara. Doug Yule não conseguira suster a carreira musical, apesar de ter integrado a banda de suporte de Lou Reed em 1975. Sterling Morrison optara pela carreira…

Lou Reed – New York: Alma humana, divina e dividida

A trilogia dos anos 80 fez com que Reed perdesse muitos fãs. Esperava-se um regresso à atitude contundente, por parte de um músico que parecia criativamente esgotado. “Em New York, a imagem de Lou Reed não existe de todo, pela parte que me toca. Isto sou eu a falar da forma mais direta que sei…

A Nova Iorque de Lou Reed – A única cidade digna do nome

Três anos depois de Mistrial, Lou Reed regressou com um álbum considerado, então e hoje, um dos melhores da sua carreira. O seu percurso artístico, mais acidentado que uma montanha-russa, aliado à insistência de não dar ao público o que este esperava, transformaram-no num artista amaldiçoado. Basta ver os livros que se escreveram sobre ele,…

Lou Reed – Mistrial: Presumível inocente

Inocência até prova em contrário… é o que Reed reclama neste disco, editado em abril de 1986. Repleto de observações acerca do mundo que o rodeava, ataques aos políticos e à superficialidade e imediatismo da TV, Mistrial sofre de algumas das lacunas às quais faz mira. Salvo raras exceções, as letras são de um autor…

Lou Reed – New Sensations: Os benefícios de uma musa intemporal

Quando New Sensations foi editado, em abril de 1984, vivia-se uma fase que não se pode dissociar do álbum. Os anos 80, com os seus excessos e futilidades, deixaram alguns artistas de mérito estagnados. Foi o caso de Eric Clapton, por exemplo, que admitiria ter cedido ao comercialismo da década com os álbuns Behind the…

Lou Reed – Legendary Hearts: O marginal integra-se… quase

Em 1983, este álbum foi mal recebido. Ao longo de 30 anos foi reapreciado. Reed permanecia contundente; o problema para muitos foi que o ambiente doméstico o tinha tornado “simplório” ou pouco ambicioso. É um trabalho sincero e mostra em que fase andava o músico: O casamento não era um “ideal”… apenas uma forma de…