Murderock de Lucio Fulci: Matança a passo de dança

Murderock – Uccide a passo di danza (Murder-Rock: Dancing Death) é um mistério que tem por palco uma escola de dança ao estilo de Fame, com algum ritmo de Flashdance pelo meio. (Na Europa, foi lançado como Slashdance.) Alguém anda a assassinar bailarinas nesta academia. Esta “matança a passo de dança” não é uma obra-prima…

Oliver Stone: Quando o Céu e a Terra Mudaram de Lugar

Terminando a retrospetiva dos 40 anos da carreira de Oliver Stone, recordo outras obras do realizador. Uma das mais memoráveis foi Heaven & Earth, pelo modo como mostrou o conflito do lado vietnamita. Nixon, Natural Born Killers, U Turn e Any Given Sunday são histórias diferentes de um cineasta que vive entre a seriedade e o entretenimento. “Tinha regressado…

Amarcord de Fellini – A arte é uma mentira que diz a verdade

Embora geralmente se fale da obra-prima Amarcord como um retrato autobiográfico do cineasta e do seu crescimento nas províncias da Itália na época do fascismo, Federico Fellini sempre insistiu que a maioria das aventuras retratadas na obra aconteceram aos seus amigos e não a ele. Os seus filmes eram fantasias vagamente inspiradas na realidade. Com…

Oliver Stone e JFK: A corrupção é inerente ao sistema

O idealismo perdido de Oliver Stone levou-o por caminhos certeiros nos anos 90 e no novo milénio. Um exemplo é JFK, onde vemos o seu herói típico em ação, um defensor da ética e da moral, constantemente a deparar-se com obstáculos. Foi uma obra que tornou Stone no alvo de piadas nem sempre justificadas, envolvendo…

Mike Nichols (1931-2014): O cinema vira os seus olhos solitários para ti

Mike Nichols era conhecido pelo dom especial na relação com os atores e aqui relato os bastidores de alguns dos seus filmes como Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, A Primeira Noite, Iniciação Carnal, Uma Mulher de Sucesso, assim como o trabalho inovador que desenvolveu com Elizabeth Taylor, Jack Nicholson, Harrison Ford e Paul Simon,…

Oliver Stone, 40 anos após o primeiro filme: O idealista desiludido

“A religião organizada é para as pessoas que temem o Inferno, mas a verdadeira espiritualidade é para as pessoas que estiveram no Inferno.” Oliver Stone foi alguém que, mesmo nos tempos em que era desconhecido, já mostrava propensão para temas polémicos, abordando-os com estilo próprio, que varia entre a pulp fiction e o documental; introduzindo…

John Cassavetes e as vidas com sentido

John Cassavetes apadrinhou Martin Scorsese, por assim dizer, viu nele um talento promissor e gostou do seu primeiro filme. Quando o encontrou numa festa de Hollywood, em finais dos anos 70, pedrado com cocaína, agarrou-o com violência e perguntou-lhe que raio estava a fazer, a desperdiçar a criatividade. Foi também John que chamou Scorsese ao…

Ratboy de Sondra Locke: Um conto de fadas dos tempos modernos

Para Sondra Locke, representar exclusivamente com Clint Eastwood em tantos filmes teve os seus prós e contras. Por um lado, testemunhou o processo de fazer cinema em todas as áreas, da escolha dos atores à montagem, pós-produção e mistura de som. Como adorava todas estas fases, Locke começou a pensar em realizar. Um conto de…

Sondra Locke’s Ratboy: A modern day fairy tale

Having acted exclusively with Clint Eastwood in so many films had its pros and cons for Sondra Locke. For one, she had witnessed the filmmaking process all the way, from casting to editing, postproduction and sound mix. Since she loved all of it, Locke started to think about directing. A bittersweet fairytale rooted in the…

Impulse by Sondra Locke: The many lives we could live

Impulse came at a bad time in Sondra Locke’s life. She had never felt so happy professionally since the beginning of her career with the Oscar nominated role in The Heart Is a Lonely Hunter in 1968. It’s the story of an undercover cop who feels tempted to have as much power as the role…

Impulso para Matar de Sondra Locke: As muitas vidas que podíamos viver

Impulse surgiu num mau momento da vida de Sondra Locke. Nunca se sentira tão feliz profissionalmente desde o início da carreira com o seu papel em O Coração é um Caçador Solitário (1968) em que foi nomeada para o Óscar. Impulso para Matar é a história de uma polícia à paisana que se sente tentada…

One-Eyed Jacks de Marlon Brando: As duas faces da vingança

One-Eyed Jacks era um dos filmes favoritos de Marlon Brando e o único que realizou. A ideia surgiu quando o ator ouviu falar de um livro de Charles Neider chamado The Authentic Death of Hendry Jones. Originalmente, Stanley Kubrick ia realizar, mas os diferendos com Brando afastaram-no. Ou melhor, o ator queria realizá-lo desde o…

Mikey and Nicky de Elaine May: Os três estarolas

Mikey and Nicky (1976) resultou do encontro de três talentos, a realizadora Elaine May, Peter Falk e John Cassavetes. Pelo meio, Falk foi mordido pela realizadora, John deu um sermão a Falk em cima de uma mesa do refeitório da Paramount, esbofeteou May; a realizadora roubou alegadamente duas bobinas ao estúdio, o qual chamou a…

Sondra Locke’s The Good, the Bad, and the Very Ugly: The Woman with a Name

Actors aren’t writers. They’re supposed to act, not write. Some do, mostly screenplays and memoirs. Sondra Locke’s autobiography stands out because it doesn’t fit labels. It’s a “Hollywood Journey”, but it reads like a novel. We know these characters. Clint Eastwood comes to mind – the actress is still very associated with “the Man with…

Faces de John Cassavetes, ou como se faz um filme sem dinheiro

… e se conseguem três nomeações para Óscares. “Tornou-se mais do que um filme; tornou-se um modo de vida”, disse o realizador acerca desta obra que foi a sua entrada em cheio no cinema, o auge da sua carreira e o resultado da sua determinação. Completamente produzido fora do sistema, o filme foi “aceite” por…

O Grande Lebowski: O Dude e os Irmãos Coen, 15 anos depois

O Dude sente-se confortável consigo mesmo e vive a vida como ela aparece. Um dos apelos do personagem reside na sua descontração. “The Dude abides.” Algo como “o Dude aguenta-se” ou “o Gajo aguenta-se”. Mostra que não é necessário andar de fato e gravata pela vida fora; o dinheiro e o estatuto que a sociedade…

Ornella Muti: A Mulher mais Bela

Realizado em 1970, La moglie più bella foi o 10º filme de Damiano Damiani e a estreia de uma atriz que se tornou lendária. Para a adolescente de 14 anos foi uma prova de fogo interpretar a personagem central de um caso que chocou a Sicília (e a Itália) em 1965: A história autêntica de…

Love Streams: “O amor é uma corrente. É contínuo. Não pára”

Love Streams (Amantes) foi escrito em parceria com o autor canadiano Ted Allan, que Cassavetes conhecia desde 1960. Tendo origem numa peça de teatro, a obra seria a última do realizador. Ainda surgiria outro filme, Big Trouble, em 1986, mas John assumiu a direção como favor a Peter Falk, depois de Andrew Bergman ter abandonado…

Shadows: “O tiro de partida para uma corrida que ainda não acabou”

Um ator com a carreira assegurada, ao ver tantos amigos e colegas no desemprego, lembrou-se de criar um workshop em Nova Iorque, onde poderia criar um local de encontro. Quem sabe, talvez fizessem contactos e aprendessem um pouco… A ideia teve tanto de altruísta como de inviável: O ator não tinha tempo para lições. E…

Quentin Tarantino: O pior realizador de sempre, decididamente – Versão Redux

Em linguagem urbana corrente, “tarantinizar” já significa copiar de maneira descarada. Seguem-se alguns dos melhores exemplos de um copycat, que fez carreira com mantas de retalhos, às quais os incautos chamam obras geniais. A boa notícia é que Tarantino disse que se vai retirar. Só lhe falta realizar o Charlot Unchained. Já ninguém se recorda…

John Cassavetes por Peter Falk: A comédia dramática de dois amigos

Husbands (Maridos), em 1970, foi a primeira de seis colaborações entre o ator e o cineasta, se não contarmos com o episódio de Columbo, «Étude in Black» (1972), no qual Cassavetes interpreta o vilão. Entre ambos, estabeleceu-se uma relação de grande amizade nos bastidores, que perduraria até à morte do ator/realizador em 1989. Aqui, Peter…

Carta aberta a John Cassavetes por Jim Jarmusch

Recordo-me de Paul Simon dizer que encarava as críticas sob a sua perspetiva pessoal. Para ele, os críticos de música, que não sabem tocar um instrumento nem têm grande conhecimento sobre a matéria, não se equiparavam a um crítico que fosse músico, um dos seus pares. De certa maneira, concordo com isso, salvo raras exceções….