Delmore Schwartz (1913-1966)

Delmore Schwartz nasceu a 8 de Dezembro de 1913, em Brooklyn, Nova Iorque. Em 1921, a família mudou-se para Washington Heights, no extremo norte de Manhattan. Em 1923, o pai, Harry Schwartz, abandonou a mulher Rose e os filhos, Delmore and Kenneth, mudando-se para Chicago. Os negócios familiares da geração dos avós imigrantes tinham sido o ramo imobiliário e os seguros, mas Harry Schwartz transformou-os numa série de especulações ambíguas. Apesar da atmosfera de classe média do lar dos Schwartz, a vida familiar nunca foi estável antes da partida do pai.

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Em 1931 e 1932, Delmore Schwartz frequentou a Universidade do Wisconsin, mas regressou a Nova Iorque, formando-se em Filosofia em 1935. Dando sinais de uma carreira académica prometedora, Schwartz prosseguiu os estudos em Harvard, entre 1935 e 1937, e venceu o Prémio Bowdoin na área de Humanidades por um ensaio intitulado «Poesia enquanto imitação». Em 1938, casou com a sua primeira mulher, Gertrude Buckman, que também tinha aspirações literárias, mas o casamento durou menos de seis anos.

A carreira literária de Schwartz também começou de forma auspiciosa. Em 1937, publicou o seu primeiro conto, «Nos Sonhos Começam as Responsabilidades», na Partisan Review. Este e outros contos e poemas foram reunidos e editados no seu primeiro livro, Nos Sonhos Começam as Responsabilidades e Outros Contos (1938). A obra, cujo título reflecte a influência de Yeats e Freud, recebeu boas críticas e os elogios de T. S. Eliot, Ezra Pound e Wallace Stevens.

Ao longo das três décadas seguintes, Delmore Schwartz publicou inúmeros contos, poemas e peças, e foi editor do Partisan Review entre 1943 e 1955. Recebeu uma bolsa Guggenheim e mudou-se para Cambridge, no Massachusetts, sendo nomeado professor de Inglês na Universidade de Harvard, e promovido a professor assistente em 1946, apesar de não ter um grau superior. Schwartz teve uma carreira impressionante e ganhou muitos prémios de prestígio. Foi nomeado para o National Institute of Arts and Letters (1953), foi editor e crítico cinematográfico do The New Republic (1955-57), e deu uma palestra sobre o «Estado da Poesia Moderna» na Biblioteca do Congresso, em 1958. No entanto, isolou-se cada vez mais de amigos e colegas, e vivia uma vida itinerante, exceptuando os cinco anos passados em Baptistown, New Jersey. Em 1959, foi o mais jovem vencedor do Prémio Bollingen, atribuído a uma antologia poética publicada nesse ano, Summer Knowledge: New and Selected Poems.

O segundo casamento, com Elizabeth Pollett, durou entre 1949 e 1957. Mais tarde, Schwartz descreveu-o: «Casei pela segunda vez, do mesmo modo que, quando cometem um assassínio, os loucos aparecem na esquadra para confessarem o crime.» [1] As relações íntimas de Schwartz foram marcadas por uma excessiva idealização e consequente desilusão com a realidade, bem como por um medo de falhar que, tal como o próprio Schwartz compreendia, provinha do desejo do sucesso, um impulso primordial na vida americana.

A sua vida foi complicada por uma tendência para a paranóia (tal como disse, certa vez, «até os paranóicos têm inimigos verdadeiros») e, mais tarde, sem ironia, acusou a sua segunda mulher de estar envolvida com o crítico de cultura Hilton Kramer e com o Governador de Nova Iorque, Nelson Rockefeller. A sua instabilidade psíquica foi exacerbada pela dependência do álcool e das anfetaminas, talvez um esforço por lidar com sintomas da síndrome maníaco-depressiva. O percurso atormentado de Schwartz tornou-se na base do romance de Saul Bellow, Humboldt’s Gift (1975).

Em 1960, um convite para a tomada de posse do presidente John F. Kennedy – honra que partilhou com W. H. Auden, Robert Frost, Allen Tate e William Carlos Williams, entre outros – chegou quatro meses atrasado devido às suas constantes mudanças de endereço. Entre 1962 e 1965, Schwartz ensinou escrita criativa na Universidade de Syracuse. Um dos seus alunos foi Lou Reed, que, mais tarde, dedicou várias canções ao seu mentor, como «European Son», e o álbum The Blue Mask (1982).

Schwartz vivia num isolamento quase total, quando, a 14 de Julho de 1966, morreu de ataque cardíaco no átrio de um hotel em Manhattan, aos 52 anos. Ninguém reclamou o corpo quando este se encontrava na morgue do Bellevue Hospital, mesmo depois do New York Times ter publicado um extenso obituário. O funeral realizou-se em Greenwich Village e estiveram presentes vários críticos literários e um jovem Lou Reed, que mais tarde escreveria: «Ele foi o primeiro grande homem que conheci». Schwartz foi sepultado no Cedar Park Cemetery, em Westwood, New Jersey.

Além de ser um reputado poeta e contista, era também um perspicaz crítico literário, sendo um dos primeiros a reconhecer verdadeiramente o mérito de William Faulkner. Hoje, Schwartz é lembrado pelos contos em que retrata a juventude e as ambições da sua geração, num tom equiparável a F. Scott Fitzgerald, e por poemas como «The Heavy Bear Who Goes with Me» e «In Plato’s Cave». É autor, entre outros, de Shenandoah (1941), World Is a Wedding (1948), Vaudeville for a Princess and Other Poems (1950) e Successful Love and Other Stories (1961). Diversas das suas obras foram publicadas postumamente, como por exemplo, Selected Essays of Delmore Schwartz (1970), Last and Lost Poems (1979), The Ego is Always at the Wheel: Bagatelles (1986), os seus diários, Portrait of Delmore (1986), e correspondência, Delmore Schwartz and James Laughlin: Selected Letters, (1993).

David Furtado

Notas:

[1] James Atlas, Delmore Schwartz: The Life of an American Poet, Welcome Rain Publishers, Nova Iorque, Maio de 2000, p. 278. [N.T.]

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