Poemas traduzidos de Lou Reed

Três leitores sugeriram que traduzisse as letras de Magic and Loss por acharem que o tema lhes dizia algo. Queriam perceber melhor o que era dito. Pareceu-me um desafio interessante, até porque, quando o CD foi editado, o booklet incluía as traduções em alemão, francês, espanhol e italiano, situação inédita nessa época e, tanto quanto sei, pouco comum.

lou reed poemas traduzidos

Como o material de origem é tão bom e pode ser classificado como literário, aceitei o desafio e fiz o melhor por divulgar (como tenho feito) o trabalho do músico. As letras de músicas devem acompanhar melodias. As de Reed são mais do que isso, diretas e ricas. Esquiva-se a floreados. Tenta-se manter o ritmo das palavras, perdem-se as rimas. Sem mais demoras, porque já aqui passei horas…

DORITA – O Espírito

(Instrumental)

O QUE É BOM – A Tese

A vida é como um refrigerante de maionese
E a vida é como espaço sem lugar
E a vida é como bacon com gelado
É assim que a vida parece sem ti

A vida é como um eterno renascer mas
A vida é um eterno combate com mágoas
Bem, a vida é como morte sem viver
É assim que a vida parece sem ti

A vida é como ler sânscrito a um pónei
Vejo-te mentalmente estrangulado com a língua
De que vale conhecer tal devoção?
Andei por aí, sei o que faz as coisas funcionarem

O que vale um iluminado em chocolates
O que vale um nariz computorizado
E o que vale cancro em Abril
Ora, nada vale, nada mesmo

O que vale uma guerra sem matar
O que vale chuva para cima?
O que vale uma doença que não te faz sofrer
Nada, nada mesmo

O que valem estes meus pensamentos
Deve ser melhor não pensar de todo
Um amante de plástico com emoções de cimento
Não, não muito, nada mesmo

O que vale a vida sem viver
O que vale este leão que ladra
Amaste uma vida que outros desperdiçam todas as noites
Não é justo, não é justo de todo

O que é bom
Querida, o que é bom
O que é bom
O que é bom? Muito pouco na verdade.

Querida, o que é bom? (O que é bom)
O que é bom (O que é bom)
O que é bom (O que é bom), muito pouco na verdade

O que é bom (O que é bom)
O que é bom (A vida é boa)
A vida é boa? (A vida é boa)
O que é bom? (A vida é boa)
Mas não é nada justa.

PODER E GLÓRIA – A Situação

Fui visitado pelo poder e pela glória
Fui visitado por um majestoso hino
Grandes relâmpagos iluminaram o céu
Electricidade fluiu-me pelas veias

Fui capturado por um momento maior
Aprisionado pela respiração quente da divindade
Engasgado como um leão posto à prova
Tornado poderoso pela vida

(Eu queria tudo, tudo)
(Não só uma parte, tudo, tudo)

Tudo.

Vi um homem transformar-se num pássaro
Vi o pássaro transformar-se num tigre
Vi um homem pendurado pelos dedos dos pés
Nas selvas da Amazónia

Vi um homem espetar uma agulha incandescente no olho
Transformar-se num corvo e voar através das árvores
Engolir brasas e expirar chamas
E quis que isso me acontecesse.

(Eu queria tudo, tudo)
(Não só uma parte, tudo, tudo)

Vimos a lua desaparecer no seu bolso
Vimos as estrelas desaparecem de vista
Vimo-lo andar sobre a água rumo ao sol
Banhado em luz eterna.

Expelimos questões à espera de respostas
Criando lendas, religiões e mitos
Livros, histórias, filmes e peças de teatro
Todas a tentar explicar isto.

(Eu queria tudo, tudo)
(Não só uma parte, tudo, tudo)

Vi um grande homem transformar-se numa criança
O cancro a reduzi-lo a poeira
A sua voz enfraquecia enquanto lutava pela vida
Com uma bravura que poucos homens conhecem.

Vi isótopos introduzidos nos seus pulmões
Tentando impedir a disseminação cancerosa
E isso fez-me pensar em Leda e o Cisne*
E ouro feito de chumbo

O mesmo poder que queimou Hiroxima
Provocando bebés com três pernas e morte
Encolhido até ao tamanho de uma moeda
Quando o ajudava a recuperar o fôlego.

E fui golpeado pelo poder e pela glória
Visitado por um majestoso Ele.
Grandes relâmpagos iluminaram o céu
Enquanto a radiação fluía por ele.

(Eu queria tudo, tudo)
(Não apenas uma parte, tudo, tudo)

*Na mitologia grega, Leda era rainha de Esparta, esposa de Tíndaro. Zeus transformou-se em cisne e seduziu-a. Dessa união, Leda chocou dois ovos, e deles nasceram Clitemnestra, Helena, Castor e Pólux. Helena e Pólux eram filhos de Zeus, mas Tíndaro adotou-os, tratando-os como filhos de sangue. [Nota do tradutor.]

MAGO – Internamente

Mago, mago
Leva-me nas tuas asas
E sopra suavemente as nuvens para longe

Tenho pena, tanta pena
Não tenho encantamentos
Apenas palavras para me ajudar a esvair

Quero alguma magia para me esvair
Quero alguma magia para me esvair
Quero contar até cinco
Olhar para trás e ver que desapareci
Faz-me voar pela tempestade
E acordar na calmaria.

Liberta-me deste corpo
Desta massa que se move a meu lado
Deixa-me deixar este corpo longe

Estou farto de olhar para mim
Odeio este corpo doloroso
Que a doença lentamente corroeu

Mago, toma o meu espírito
Por dentro, sou jovem e vital
Por dentro, estou vivo, por favor, leva-me

Tanto a fazer, é muito cedo
Para a minha vida terminar
Para este corpo simplesmente apodrecer

Quero alguma magia para me manter vivo
Quero um milagre, não quero morrer
Tenho medo de que, se dormir, nunca acordarei
Já não existirei
Vou fechar os olhos e desaparecer
E flutuar até à névoa

Alguém, por favor, ouça-me
A minha mão nem segura uma chávena de café
Os meus dedos estão fracos, as coisas apenas se afastam

Por dentro, sou jovem e bonito
Demasiadas coisas inacabadas
Até o próprio fôlego me foi tirado

Doutor, não é um mago
E eu não sou um crente
Preciso de mais do que a fé me pode dar agora

Quero acreditar em milagres
Não só em números
Preciso de alguma magia para me esvair

Quero alguma magia para me esvair
Quero um pouco de magia para me esvair
Visita-me nesta noite estrelada
Toma o lugar das estrelas, da lua, da luz, o sol foi-se
Voa comigo por esta tempestade
E acorda na calmaria
Voo pelo meio desta tempestade
E acordo na calmaria.

ESPADA DE DÂMOCLES – Externamente

Vejo que a Espada de Dâmocles
Está mesmo sobre a tua cabeça
Tentam um novo tratamento
Para te tirar da cama
Mas a radiação mata mau e bom
Não consegue diferenciar
Então, para te curar têm de te matar
A espada de Dâmocles paira sobre a tua cabeça

Bom, vi muita gente morrer
Em acidentes com carros ou droga
Ontem à noite, na Rua 33
Vi um miúdo atropelado por um autocarro
Mas esta tortura extenuante em que parte de ti vive
É muito difícil de suportar
Para te curar, têm de te matar
A espada de Dâmocles sobre a tua cabeça

Essa mistura de morfina e dexedrina
Usamo-la nas ruas
Mata a dor e dá vigor
Até à tua alma
Mas este jogo de adivinhas tem regras próprias
O bem nem sempre vence
E a força é “justiça”
A espada de Dâmocles paira sobre a tua cabeça

Parece que foi feito o possível
Mas como vejo, estas coisas não parecem justas
Mas há coisas que não podemos saber
Talvez haja algo Além
Outro mundo que podemos desconhecer
Sei que odeias essas merdas místicas
É apenas outra maneira de ver
A Espada de Dâmocles sobre a tua cabeça

MISSA DO ADEUS – Numa Capela, o Término do Corpo

Sentado numa cadeira dura
A tentar ficar direito
Sentado numa cadeira dura
Este momento não espera
A ouvir os oradores
Falam de ti
Olha para as pessoas…
Todas as pessoas que conheceste

Sentado de costas direitas
Torna-se difícil ouvir
Algumas pessoas choram
Torna-se difícil ouvir
Acho que não terias gostado
Terias dito uma piada
Terias tornado isto mais fácil
Dirias: “Amanhã, serei fumo.”

Sentado numa cadeira dura
Chegámos tão longe
Esforço-me por ouvir
Os teus amigos que vieram
Alguns são famosos
Alguns são só como eu
Esforçam-se mesmo por ouvir
Esforçam-se mesmo por ver

Sentado numa cadeira dura
Acabou, é altura de nos erguermos
Algumas pessoas choram
Volto-me para te apertar a mão
É a tua filha a dizer “obrigada”
Tu, tu terias dito uma piada
“Não achas isto qualquer coisa?”
Dirias: “Amanhã, sou fumo”

Sentado numa cadeira dura
Acabou, é altura de nos erguermos
Algumas pessoas choram
Volto-me para te apertar a mão
É a tua filha a dizer “obrigada”
Tu, tu terias dito uma piada
“Não é qualquer coisa?”
Dirias: “Amanhã, sou fumo”

Sentado numa cadeira dura
Acabou, é altura de nos erguermos
Algumas pessoas choram
Volto-me para te apertar a mão
É a tua filha a dizer “obrigada”
Tu, tu terias dito uma piada
“Não achas isto qualquer coisa?”
Dirias: “Amanhã, sou fumo”

CREMAÇÃO – Das Cinzas às Cinzas

Bem, o mar de carvão negro espera-me a mim, a mim, a mim
O mar de carvão negro espera eternamente
As ondas atingem a costa, pedindo mais e mais e mais
Mas o mar de carvão negro espera para sempre

Os tornados vêm, acorrem à costa
Furacões rasgam o céu eternamente
O tempo muda, mas o mar permanece igual
O mar de carvão negro espera eternamente

Há cinzas divididas por culpa colectiva
As pessoas repousam no mar eternamente
Desde que te queimaram e te puseram numa jarra
Para ti, o mar de carvão negro não é um terror

Será que as tuas cinzas flutuarão como um barco estrangeiro
Ou se vão afundar absorvidas para sempre?
Será que a Costa do Atlântico terá a sua gabarolice final
Nada mais alguma vez te conteve

Agora, o mar de carvão negro espera por mim, mim, mim
O mar de carvão negro espera eternamente
Quando eu deixar esta espelunca num futuro próximo
O mesmo mar de carvão negro vai-me esperar também?

A SONHAR – Fuga

Se fechar os olhos, vejo o teu rosto
E não estou sem ti
Se me esforçar e me concentrar
Ainda te posso ouvir falar
Vejo-me no teu quarto junto à cadeira
Fumas um cigarro
Se fechar os olhos, vejo o teu rosto
Dizes, “senti a tua falta”

A sonhar, estou sempre a sonhar

Se fechar os olhos, posso cheirar o teu perfume
Olhas e dizes: “Olá, querido”
Se fechar os olhos, fotos da China
Ainda estão na parede
Ouço o cão ladrar, viro-me e digo
“O que dizias?”
Imagino-te na cadeira vermelha
Dentro da sala clara

A sonhar, estou sempre a sonhar

Sentado na tua cadeira com um tubo no braço
Estavas tão magro
Ainda dizias piadas
Não sei que drogas te tinham dado
Disseste: “Acho que não é boa altura
para investimentos a longo prazo”
Estavas sempre a rir
Mas nunca te riste de mim

Disseram que, no fim, a dor era tão brutal
Que gritavas
Bom, não eras nenhum santo, mas merecias
Melhor que isso
Ao canto, vejo-os a tirar coisas
Do teu apartamento
Mas consigo imaginar a tua cadeira vermelha e sala clara
Na minha cabeça

Se fechar os olhos, vejo o teu rosto
E não estou sem ti
Se me esforçar e concentrar, posso ouvir a tua voz dizer:
“Quem melhor do que tu?”
Se fechar os olhos, não posso acreditar que
Estou aqui sem ti
Dentro do teu quarto claro, a tua cadeira vermelha vazia
e a minha cabeça

A sonhar, estou sempre a sonhar
A sonhar, estou sempre a sonhar
A sonhar, estou sempre a sonhar

SEM HIPÓTESE – Arrependimento

Deve ser bom ser constante
Deve ser bom ser firme
Deve ser bom nunca passar das marcas

Deve ser bom ser fiável
E nunca deixar ninguém mal
Deve ser óptimo ser todas as coisas que não és
Deve ser óptimo ser todas as coisas que não sou

Visito-te no hospital
O teu humor está intacto
Fico embaraçado pela força que me parece faltar

Se estivesse no teu lugar
E é tão estranho que não esteja
Quebrava num minuto e meio
Quebrava num minuto e meio

E não tive
A hipótese de dizer adeus
Não, não tive
Hipótese de dizer adeus

Deve ser bom ser normal
Deve ser bom ser frio
Deve ser bom não ter de ir, oh, para cima ou para baixo

Mas deixo-me levar por emoções
Por muito que tente evitar
Partiste e ainda aqui estou vivo
Partiste e ainda aqui estou vivo

E não tive
Hipótese de dizer adeus
Não, não tive
Hipótese de dizer adeus

Há coisas que dizemos oxalá saber
E na verdade nunca o queremos
Mas gostaria de ter sabido que ias morrer

Assim, não me sentia tão estúpido
Tão idiota por não te visitar
E não tive hipótese de dizer adeus
E não tive hipótese de dizer adeus

Não há nenhuma lógica nisto
Quem é escolhido para ficar ou ir
Se pensarmos muito nisso só ficamos doidos

Mas o teu optimismo fez-me acreditar
Que tinhas mesmo vencido aquilo
E por isso, não tive hipótese de dizer adeus
Não tive hipótese de dizer adeus
Não, não tive hipótese de dizer adeus
Não tive hipótese de dizer adeus

REI GUERREIRO – Vingança

Queria ser o rei guerreiro
Em todas os idiomas que domino
Senhor de tudo o que examino
E tudo o que vejo, mantenho
Poder omnipresente
Inalterado, descontrolado
Com uma fúria massiva e violenta
No núcleo da minha alma

Queria ser um rei guerreiro
Inescrutável, benigno
Com poderio de ataque sem rosto
Sempre ao meu comando
Passos tão pesados que o mundo treme
A minha raiva a incutir temor
Mas cauteloso, firme, justo e bom
O perfeito rei guerreiro

Queria alojar anjos
Em casa de cada sujeito
Agentes da minha bondade
Ninguém passaria sem ela
Um bife em cada prato
Um carro em cada casa
E se alguma vez me traísses
Mandava-te arrancar os olhos

Não existes sem mim
Sem mim, tu não existes
E se a lógica não te convence
Então, há sempre isto
Sou maior, mais inteligente, forte e resistente
Mas sensível e bondoso
E embora te pudesse esmagar como um insecto
Tal nunca me passava pela cabeça

Não me passava pela cabeça partir-te o pescoço
Ou arrancar-te essa língua venenosa
Não me passava pela cabeça partir-te a perna como um galho
Ou esmagar-te como uma lesma
És um mensageiro violento
E não estou acima das tuas provocações
E se me atingires, sabes que te vou matar
Porque sou o rei guerreiro

A CIRCUNCISÃO DE HARRY – Devaneio extraviado

Ao ver-se ao espelho
Harry não gostou do que viu
As maçãs do rosto da mãe
Os olhos do seu pai
A cada dia que desabava em seu redor, o futuro revelava-se
Estava-se a transformar nos seus pais

A derradeira decepção

Ao sair do chuveiro
Harry olhou para si mesmo
A linha do cabelo a recuar, a ligeira sobremordida

Pegou na navalha para começar a barbear-se e pensou

Oxalá fosse diferente

Oxalá fosse mais forte
Oxalá fosse mais magro
Oxalá não tivesse este nariz
Estas orelhas de abano lembram-me o meu pai

E não quero ser lembrado de todo

A derradeira decepção

Harry olhou para o espelho a pensar em Vincent van Gogh

E com um golpe rápido
Cortou o nariz

E feliz com isso
Fez um corte onde o queixo ficava
Sempre quis uma cova

O fim de todas as ilusões

Então, olhando para baixo, mesmo entre as pernas
Harry pensou nas vastas possibilidades

Novo rosto, nova vida, sem memórias do passado
E cortou a garganta de orelha a orelha

Harry acordou a tossir, os pontos fizeram-no estremecer
O médico sorriu-lhe, algures do outro lado da sala

Filho
Salvámos-te a vida, mas nunca mais terás o mesmo aspecto

E quando ouviu isto
Harry teve de rir

E quando ouviu aquilo
Harry teve de rir

Embora doesse
Harry teve de rir

A derradeira decepção

PASSADO E AFOGUEADO – Perda

Bem, cobriste o teu rasto e agora não te posso ver
As tuas cinzas foram espalhadas no mar
Não há túmulo para visitar, não há lápide para olhar
Apareceste no obituário do New York Times
Não há registo, fita, livro ou filme
Só umas fotos e memórias
Às vezes, marco o teu número por engano
E isto é o que ouço:

Este número já não está operacional, querido
Por favor repita a chamada
Este número já não está operacional
Quem procura já não mora aqui
Este número já não está operacional
Se ainda precisar de ajuda
Fique em linha e uma telefonista
Vai tentar safá-lo

Sabia que te devia ter visto nessa quinta-feira
Sabia que não devia ter saído
Mas parecias tão bem, o teu ânimo tão grande que
Pensei que te veria na semana seguinte
Estou sempre a repetir, se não fosse o palerma que sou
Se metade do meu cérebro funcionasse
Não ficava aqui sentado a marcar o número errado
E a ouvir o que uma gravação diz:

Este número já não está operacional, querido
Por favor repita a chamada
Este número já não está operacional
Quem procura já não mora aqui
Este número já não está operacional
Se ainda precisar de ajuda
Fique em linha e um telefonista
Vai tentar safá-lo

Soube sempre que devia anotar as coisas
Que digo sempre que nunca esquecerei
Quem esquece um piloto zarolho
Que é pianista de concertos, ah
Um pintor, um poeta, compositor supremo
Os meus amigos misturam-se na minha cabeça
Fundem-se num grande espírito
E esse espírito não está morto

Bem, não posso recordar tudo que disseste
Mas recordo tudo o que fizeste
E não passa um dia nem uma hora
Em que não tente ser como tu
Eras passado, afogueado e ansioso por ir
E foste sempre assim
Então acho que sabes que me rio de mim mesmo
Cada vez que marco a número errado

Este número já não está operacional, querido
Este número já não está operacional,
Passado, afogueado, ansioso por ir
Passado, afogueado, ansioso por ir
Passado, afogueado, ansioso por ir
Passado, afogueado, ansioso por ir
Passado, afogueado, ansioso por ir

PODER E GLÓRIA PARTE II – Magia. Transformação

[Texto idêntico a não ser a frase “com uma coragem mais forte que luxúria”.]

MAGIA E PERDA – A Soma

Quando passas pelo fogo
Passas pela humildade
Passas por um labirinto de auto-dúvida
Quando passas pela humildade
As luzes podem cegar-te
Alguns nunca percebem isso

Passas por arrogância
Passas por mágoa
Passas por um passado omnipresente
E é melhor não esperar que a sorte te salve
Passa pelo fogo até à luz

Passa pelo fogo até à luz
Passa pelo fogo até à luz
É melhor não esperar que a sorte te salve
Passa pelo fogo até à luz

Quando passas pelo fogo
Com a mão direita a acenar
Há coisas que tens de deitar fora
Esse pavor cáustico dentro da tua cabeça
Nunca te vai ajudar

Tens de ser muito forte
Porque começas do zero
Uma e outra vez
E quando o fumo se dissipa
Há um fogo que tudo consome
Mesmo à frente

Mesmo à frente
Mesmo à frente
Quando o fumo se dissipa
Há um fogo que tudo consome
Mesmo à frente

Dizem que uma pessoa não pode fazer tudo
Mas ambicionas isso na tua cabeça
Mas não podes ser Shakespeare
E não podes ser Joyce
Então o que resta em vez disso?

Estás preso em ti mesmo
E numa raiva que te pode ferir
Tens de começar do início de novo
E logo nesse momento
Este maravilhoso fogo
Acendeu-se outra vez

Quando passas pela humildade
Quando passas pela doença
Quando passas pelo “sou melhor que todos vós”
Quando passas pela raiva
E o aniquilar da auto-estima
E tens força para reconhecer tudo

Quando o passado te faz rir
E consegues saborear a magia
Que te permitiu sobreviver à tua própria guerra
Descobres que esse fogo é paixão
E há uma porta à frente, não uma parede

Quando passas pelo fogo
Quando passas pelo fogo
Tenta recordar o seu nome
Quando passas pelo fogo
Deliciado com a vitória
Não podes continuar o mesmo

E quando o edifício arde
Avança para a porta
Mas não apagues as chamas
Há um pouco de magia em tudo
E depois alguma perda para acertar as coisas

Alguma perda para acertar as coisas
Alguma perda para acertar as coisas
Há um pouco de magia em tudo
E depois alguma perda para acertar as coisas.

Tradução de David Furtado

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2 Comments Add yours

  1. mlenac diz:

    os dois primeiros poemas estãoexcelentes porque a tradução é muito boa,e por isso transmite bem o denso conteúdo dos poemas. Ainda bem que aceitaste o desafio!.vou continuar ler, para mim é um gosto e um prazer.Parabéns!

Comentários:

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