Tomas Milian: A revolução pessoal do ator genial

A indústria cinematográfica italiana, ao tentar impor-se além fronteiras, exigia que realizadores, atores e técnicos adotassem nomes americanizados. Leone quis homenagear o pai, o ator Carlo Pedersoli preferiu homenagear a sua cerveja americana favorita, a Bud, e Spencer Tracy. Nasceu Bud Spencer. Um dos poucos atores que se tornaram lendários nessa indústria, mantendo o nome, foi Tomas Milian.

Il consigliori (1973).
Il consigliori (1973).

Sergio Leone (Bob Robertson), Enzo Barboni (E. B. Clucher) ou Sergio Corbucci (Stanley Corbett) são outros exemplos. Os americanos que trabalharam em Itália nesses tempos, não precisavam: Eli Wallach, Telly Savalas ou Lee Van Cleef. Clint Eastwood chegou a fazer troça disto, mencionado um certo Montgomery Wood (Giuliano Gemma). Mas não se pode fazer troça do ídolo com pés de esparguete, o sacrossanto Eastwood, que os fãs simplórios, do género e da pessoa, ficam irados.

La notte brava.
La notte brava.

Tomás Quintín Rodriguez nasceu em Cuba sob a ditadura. Aos 20 anos, emigra para os EUA onde se naturaliza americano. Começa a estudar arte dramática na Miami Theatre Academy e transita depois para o prestigiado Actors Studio de Lee Strasberg. É lá que aprende as bases do Método. O seu primeiro trabalho foi na América, numa série da NBC. O cineasta Mauro Bolognini reparou nele e contratou-o para La notte brava (1959).

“A minha vida foi uma revolução. Quando abandonei Cuba, foi para fazer uma revolução minha, pessoal. Para deixar de ser um parvalhão burguês e tornar-me… eu. Na pessoa que sou hoje, em suma. Um parvalhão na mesma, mas… boa pessoa.”

Antes de se notabilizar no cinema italiano (e mundial), Tomas Milian passou por situações de pobreza, desprezo e desespero. Teve sorte, no início dos anos 60, trabalhou com nomes célebres como Pasolini e Lattuada, antes de participar em «Il lavoro», segmento de Boccacio 70 (1962), obra de Luchino Visconti, contracenando com Romy Schneider.

Gli indifferenti de Francesco Maselli (1964).
Gli indifferenti de Francesco Maselli (1964).

Em 1964, a persistência deu os primeiros frutos, com Milian a ser distinguido como Melhor Ator no Festival Internacional de Cinema Mar del Plata, na Argentina, o único certame acreditado do género na América Latina, pelo filme Gli indifferenti, baseado no romance de Alberto Moravia. Note-se que Milian contracenou com nomes como Claudia Cardinale, Rod Steiger, Shelley Winters e Paulette Goddard. Era difícil para um novato sobressair entre tantos nomes talentosos e afirmados. Neste ano, casa com Rita Valletti e têm um filho, Tommaso.

AS QUATRO FACES DO SPAGHETTI

Ao nível da crítica, o trabalho de Milian foi elogiado em obras da autoria de Antonioni ou Bertolucci. Contudo, a sua carreira é multifacetada e atravessou diversos géneros. A originalidade do seu talento levou a que tivesse alguma dificuldade em impor-se. Ainda hoje se repara que há outros nomes mais “adorados”. O western spaghetti foi um fenómeno com os dias contados, em parte devido à ganância desmedida. Visto que qualquer pessoa com pouco dinheiro podia obter um lucro incrível, a qualidade caiu a pique e a fórmula esgotou-se. Esta seguia geralmente quatro vias ou enredos:

Com Sergio Corbucci, realizador de Vamos a matar, compañeros (1970).
Com Sergio Corbucci, realizador de Vamos a matar, compañeros (1970).

“O servo de dois mestres”, a do estranho que aparece numa cidade e põe dois bandos em confronto. É o caso de Django, Per un pugno di dollari, Il ritorno di Ringo ou Se sei vivo spara, com Milian. “O enredo de transição” (variante do anterior) consiste em vários grupos de interesse que tentam controlar o ouro ou qualquer interesse, tudo num contexto histórico como a Guerra Civil. Il buono, il brutto, il cattivo, por exemplo. Os Zapata spaghetti (Vamos a matar, compañeros ou Giù la testa) eram um modo de cineastas americanos de esquerda vincarem a sua posição anticapitalista, usando a Revolução Mexicana. O quarto enredo é uma paródia ao próprio género, numa época em que os spaghetti já eram populares. Lo chiamavano Trinità… ou Il mio nome è Nessuno são dois exemplos.

NÃO DIGAS NADA!

Se sei vivo spara de Giulio Questi, um dos 50 clones do Django original de Corbucci (Tarantino incluído), foi um dos western spaghetti mais violentos e justamente aquele que abriu as portas a Tomas Milian, permitindo que este transitasse para a comédia e o policial e não ficasse restringido a fórmulas. O filme foi censurado devido à violência explícita.

Trocando as voltas a Lee Van Cleef em La resa dei conti (1966).
Trocando as voltas a Lee Van Cleef em La resa dei conti (1966).
Tepepa (1969).
Tepepa (1969).

Em Tepepa (1969), Milian contracenou com Orson Welles, que reescreveu os diálogos. “Fui ao trailer de Orson e ele disse-me, ‘Tomas, esta é a cena de hoje’. Fez sinal ao assistente de produção para que me desse os papéis. Estava toda alterada. Mas funcionava. Até estava melhor do que a original. Eu disse-lhe, ‘Orson, desculpe, mas a minha última fala não me agrada’. Ele leu de novo. ‘Tens razão, nem a mim. Altera-a.’ E ficámos todos satisfeitos. Só que lhe perguntei, ‘então digo o quê?’…’ ‘Nada!’ E a cena funcionou na mesma. Ficou ainda melhor!”

Milian junta-se a Franco Nero em Vamos a matar, compañeros, no papel de ‘El Vasco’, nome alusivo à sua boina basca de Che Guevara. Curiosamente, o filme de Corbucci tornou-se bastante popular em Itália devido à semelhança física entre Milian e o revolucionário cubano. Convém recordar que Guevara, para os europeus de esquerda, era considerado um mártir do imperialismo americano. A excentricidade de Franco Nero não fica atrás do brilhantismo de Milian neste divertido filme.

Em Banditi a Milano.
Em Banditi a Milano.

Em 1968, o irrequieto Milian participa, como ator secundário, na obra de Carlo Lizzani Banditi a Milano. Tratava-se do recontar da história verídica de Pietro Cavallero, líder de um gang violento que espalhou o terror em Milão. A obra foi bem recebida pela crítica e pelo público, sendo nomeada para o Festival Internacional de Berlim. Mais importante, foi o primeiro exemplo consumado do policial à italiana, filão que se instalou quando o spaghetti entrou em decadência. Milian admite que não se deu bem com Gian Maria Volonté (que faz um excelente papel como era seu hábito).

Milian estava determinado em provar as suas qualidades de camaleão. Em 1971, protagoniza o excelente thriller La vittima designata e, em 1972, um giallo com um realizador com quem já trabalhara no drama histórico Beatrice Cenci de 1969: Lucio Fulci. Mais contido e sem as histerias de que certas vezes foi acusado, em Non si sevizia um paperino, é um ponderado jornalista que procura desvendar vários crimes numa aldeia do sul de Itália, Accendura. (Na realidade, tratou-se do Monte Sant’Angelo em Puglia, a região mais a Leste de Itália.) Milian protagoniza uma cena de pugilato com Marc Porel que terá ido para além da ficção. Convém lembrar o ambiente competitivo do cinema italiano e o feitio truculento de Milian. Envolveu-se em idênticos conflitos com Maurizio Merli.

O camaleónico ator num dos melhores westerns em que participou, Faccia a faccia (1969).
O camaleónico ator num dos melhores westerns em que participou, Faccia a faccia (1969).

Também em 1972, La banda J.S.: Cronaca criminale del Far West mostrava que o ator se movia com facilidade em vários géneros díspares. Il consigliori (1973) foi uma imitação de The Godfather, obra consistente, ainda assim.

DO CAVALO PARA O CARRO DA POLÍCIA

Um dos policiais em que Milian representa um polícia sério é Squadra volante de Stelvio Massi, interpretando um inspetor cuja mulher morreu acidentalmente num roubo e que procura o assassino para obter vingança. Era uma fase que em que o cinema italiano era copiado pelo americano, ou então os americanos eram videntes, pois o final é muito parecido com o de French Connection II.

tomas milian (13)

Milian surge em Squadra volante a fumar um “toscano”, tal como Eastwood na trilogia de Leone. O ator referiu que transferir o anti-herói do western spaghetti do cavalo para o carro de patrulha, e trocar o Colt 45 por uma pistola automática Beretta, criou o género poliziesco.

O psicopata ‘Giulio Sacchi’, um dos seus melhores papéis.
O psicopata ‘Giulio Sacchi’, um dos seus melhores papéis.

Com a entrada em cena do polizieschi, vários realizadores se notabilizaram. Um dos mais “maleáveis” foi Umberto Lenzi, devido à sua eficácia técnica (aliada a algum desleixo, o que torna os seus filmes heterogéneos). Em Milano odia: la polizia non può sparare, também de 1974, Milian compõe um personagem verdadeiramente desprezível, a de ‘Giulio Sacchi’, bandido que planeia o rapto da filha de um homem rico e matando quem se interpõe no seu caminho até ser detido por um inspetor, Henry Silva, no papel de bom da fita, coisa rara para o ator que era quase sempre pior que um carniceiro.

A atuação de Milian foi constantemente elogiada ao longo dos anos, devido à sua consistência e cariz pérfido, “quase humano”, como o título americano refere. Chamaram-lhe o vilão mais complexo do seu reportório, assinalando que o seu talento, com frequência, era desperdiçado nalguns filmes de baixa qualidade em que participava. Almost Human continua um clássico do género. Milian desempenha um psicopata com um talento raramente encontrado no cinema italiano de género. Outros dois factores fizeram esta obra incontornável de Lenzi sobressair: O guião de Ernesto Gastaldi – era conhecido por assinar os melhores argumentos do policial italiano – e a banda sonora de Ennio Morricone, cuja reputação equivale ao mérito.

“Para me meter na pele de alguém tão bárbaro, a única coisa que devia fazer era inventar esse papel; o sadismo, a maldade. E quando eu fazia certas expressões, Lenzi ficava de olhos arregalados porque se assustava. Assustava-se ele, e eu também. E isto andava de um lado para o outro, com estas reações, pois ele queria que eu chegasse ao máximo.”

Na rodagem, circulavam rumores de que Milian bebia em excesso, consumia drogas e gerava um grande pé-de-vento para se manter no personagem… Em La polizia accusa: il servizio segreto uccide, colabora com um dos cineastas mais importantes da época, Sergio Martino, noutro policial em que surge sem maneirismos, soturno, calculista e inteligente.

Neste período, Milian simplesmente não parava. Il giustiziere sfida la città (Rambo no título inglês) mostra-o como motoqueiro defensor dos oprimidos, de novo com um visual diferente. Gorros e chapéus garridos, com barba, sem barba, de cabelo comprido, curto, penteado para a frente, para trás, para o lado, óculos, nem a calvície o deteve… usou perucas e até representou asiáticos.

Os Quatro do Apocalipse, de de Lucio Fulci (1975).
Os Quatro do Apocalipse, de Lucio Fulci (1975).

UMA CATERVA DE PALAVRÕES

Em meados de 70, Roma violenta com Maurizio Merli foi um grande sucesso, pelo que Umberto Lenzi decidiu juntar os dois atores, opondo o “comissário de ferro” icónico de Merli ao Corcunda, um vilão não-ficcional do pós-guerra, interpretado por Milian. Roma a mano armata (1976) tornou-se uma obra-prima do policial italiano. No set, Milian e Merli estavam constantemente a implicar um com o outro e terão chegado a vias de facto. Se há o cliché dos atores que se beijam após o grito de “corta”, aqui a questão foi de a pancadaria continuar.

Este foi o filme em que Milian disse um palavrão forte pela primeira vez num contexto humorístico. Lenzi ficou preocupado com a censura: “‘Não, estás louco, o produtor, isto e aquilo.’ Eu disse-lhe, ‘Umberto, deixa isso comigo’. Não lhe agradou, mas deixou-me dizê-lo. O filme estreou e fui assistir em segredo. Quando chegou a essa parte, o público desatou todo a rir de maneira estrondosa, como num estádio. Ficaram doidos. Bem, depois disso, ninguém queria fazer um filme comigo que não metesse uma caterva de palavrões.”

tomas milian (14)A princípio, o humor de Milian não era fácil nem grosseiro. O realizador Marco Ferreri disse que o ator inventara uma nova linguagem no cinema italiano. “Para mim, foi um grande elogio, vindo dele.” É um humor rude, sim, mas não perdeu a atualidade por se enquadrar em situações quotidianas e incluir crítica social. Por exemplo, em La banda del gobbo, ‘Monnezza’ come cigarros para supostamente não falar quando for apanhado pela polícia. Fica então em delírio e é levado para a esquadra, gemendo, “estou a morrer…”

Lá, sentam-no numa cadeira e, diante dele, vê um criminoso, um hippie de barba, cabelo comprido e túnica, que era questionado antes da sua chegada, personagem muito parecida com Cristo. “Não, não morri. Já estou morto. Olha, é Jesus… Como és belo, meu Jesus. Sabes, foste um grande sucesso na Terra. Fizeram muito dinheiro à tua custa. Pois foi. Fizeste mais sucesso que o King Kong…” Em poucas frases, ‘Monnezza’ mete os vendilhões do templo no lugar e faz um comentário irónico sobre como os hippies se assemelhavam à imagem de Jesus. E sem fazer troça da religião ou da fé cristã. Convém lembrar que falamos de Itália nos anos 70.

De início, o policial italiano tinha preocupações mais sociais, de crítica à política e ao sistema de Justiça italianos. Aos poucos, começaram a ser introduzidos elementos de humor, e também a isso Tomas Milian se adaptou.

A colaboração entre Milian e Umberto Lenzi prosseguiu, originando filmes memoráveis. Em Il trucido e lo sbirro surgiu, pela primeira vez, uma das personagens mais amadas da galeria “Milianesca”: ‘Er Monnezza’. Traduzido à letra por “lixo”, este bandido de terceira, de aspeto enxovalhado, é um filósofo de bom coração, cool e encarando com suspeição praticamente tudo, governo, patronato, polícia, os ricos… as coisas que mais lhe agradam são as mulheres e o dinheiro (por ordem de preferência), e é dotado de uma veia cómica pouco usual, saindo-se com piadas que enfurecem figuras de autoridade, geralmente em rimas repletas de palavrões. É católico (não-praticante) e gosta de futebol. Boa pessoa, em suma.

Er Monnezza: Nasce um fenómeno.
‘Er Monnezza’: Nasce um fenómeno.

Ao longo de 1976, a popularidade de Milian aumentou ainda mais; trabalhava freneticamente, as plateias adoravam-no e tornava-se um ídolo em Itália. O enorme sucesso em policiais com componente humorística levou a que protagonizasse 11 filmes realizados por Bruno Corbucci, agora no papel de ‘Nico Giraldi’, um inspetor que acabava por ser uma variante de ‘Monnezza’, tanto no aspeto como nos métodos. Foram filmes série B altamente lucrativos e populares, que misturavam o spaghetti com o policial cómico.

UM FILME “A LA MERDA”

A série começou em 1976 com Squadra anticippo e terminou com Delitto al Blue Gay em 1984, com um humor já bastante gasto e boçal. Um dos problemas residiu na técnica tosca de Corbucci, à qual falta a competência e o traquejo para filmar a acção e manter o ritmo que Lenzi possuía. Ainda assim, a série que nasceu da colaboração entre Corbucci, o argumentista Mario Amendola e Milian é icónica. “Fui ver Serpico ao cinema e adorei”, revelou o ator. “Quem me dera ter a oportunidade de representar aquele papel. Bom, mas já o fizeram. Então, pensei melhor e recordei-me de uma frase famosa de Stanislavski, ‘se te acontece alguma coisa, boa ou má, usa-a’.”

No primeiro filme da série Nico Giraldi, Squadra antiscippo.
No primeiro filme da série Nico Giraldi, Squadra antiscippo.

“Quando apareceram o produtor Galliano Juso e o realizador Bruno Corbucci, dizendo-me, ‘queremos fazer contigo um filme a la Serpico’, disse-lhes que não fazia um filme a la nada, faço um filme a la merda, pelo menos é um filme meu. Pode ser uma palhaçada, mas é uma palhaçada minha. Posso conceber que este polícia foi ver Serpico ao cinema e adorou. Gostaria de ser assim. E o que faz ele? Compra um cartaz do filme, ou seja, Al Pacino e Serpico, é outro fã.”

Liberi armati pericolosi (1976) de Romolo Guerreri mostrou-nos um Tomas Milian quase melancólico, muito distante do humor de ‘Monnezza’, um polícia quase desesperado perante a injustiça. Il cinico, l’infame, il violento (1977) volta a reunir Milian e o seu “amigo” Maurizio Merli, numa obra que acusava desgaste e o género policial entrava em declínio.

O ator regressa a ‘Monnezza’ com La banda del trucido em 1977 (realizado por Stelvio Massi, não por Lenzi) e La banda del gobbo em 1978. Neste último, consegue outra proeza, encarnando ‘Monnezza’ e o seu irmão gémeo, o Corcunda (que já surgira em Roma a mano armata). Sublinhe-se que os diálogos do ator foram todos escritos por ele.

Era a terceira vez que ‘Monnezza’ aparecia e foi a última, devido à relação com Umberto Lenzi, que rapidamente se deteriorava. Realizador e ator lutavam pela “paternidade” da personagem e discordavam quanto ao rumo a dar-lhe.

O CUBANO DA CINECITTÀ

Por esta altura, também a carreira de Milian entrava em derrapagem. Quanto mais bebia, mais disparates dizia. Squadra antitruffa (1977) juntou-o a David Hemmings num dos melhores capítulos da saga ‘Nico Giraldi’. O seu arqui-inimigo Maurizio Merli debatia-se com idênticas dificuldades face ao declínio do cinema de género italiano. Tomas Milian não se aventurou muitas vezes a sair de Itália, apesar de alguns episódios pitorescos. La luna de Bertolucci, em 1979, foi um filme financiado e protagonizado por americanos e filmado em inglês, em que Milian, a quem chamaram o Cubano da Cinecittà, interpreta um… italiano.

A denominação das sequelas passou de “Squadra” a “Delitto”. Delitto sull’autostrada (1982) conta com a participação de uma one-hit wonder, a esplêndida (fisicamente, entenda-se) cantora Viola Valentino. Em Delitto in formula Uno (1984) surge um rosto conhecido, Dagmar Lassander, atriz mais associada ao giallo nos anos 70. Atores como Jack Palance e Eli Wallach integraram o elenco.

Em Delitto sull'autostrada (1982), a proferir qualquer barbaridade...
Em Delitto sull’autostrada (1982), a proferir qualquer barbaridade…

Contudo, tal como sucedera ao western spaghetti, ao policial e ao giallo, também a comédia esgotou as variantes. A contratação do comediante Bombolo para algumas das últimas sequelas revitalizou parte do espírito, mas a saga tornara-se disparatada e derivativa. Milian decidiu então abandonar Roma e “exilar-se” em Miami.

MONNEZZA (AINDA) É O MÁXIMO

tomas milian (15)A marca que Tomas Milian deixou foi reconhecida durante os anos 80 e 90, com aparições breves no cinema americano, Amistad ou Traffic, por exemplo. Foi muitas vezes criticado por ser conflituoso com realizadores, produtores e colegas. É um facto consumado que os géneros em que participou não teriam tido o mesmo impacto sem ele. Fica um lamento: Nos EUA, poderia ter-se tornado muito mais conhecido.

Tomas Milian não se encontra completamente inativo. Além de ter escrito o filme Roma Nuda (2013), também participou em Fugly! no ano passado, com John Leguizamo, Radha Mitchell, Rosie Perez, Griffin Dunne e Ally Sheedy. Se fosse um animal, diz que seria uma águia. O animal que gostaria de ser era um cão, “mas não como ator!” (“Cane” é um termo depreciativo para atores em Itália.) Se não fosse actor… “Era ator”, responde, depois de pensar por momentos.

‘Monnezza’ continua a ser uma referência para o seu criador. “Ah, ‘Monnezza’, o meu ponto fraco. Gostava de ser como ele. Romano, extrovertido, bom, filho da mãe, sincero, bom pai, bom amigo, bom marido, tudo. Para mim, ‘Monnezza’ é… o máximo. Porque o interpretei, porque me tornei nele. Como ele, melhor dizendo. Mas infelizmente… não sou. Sou o completo oposto…”

Não há que lamentar. Tomas Milian foi tudo isso e muito mais.

David Furtado

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One Comment Add yours

  1. marcos mauricio mendes lima diz:

    Um profissional pra se admirar e respeitar eternamente. A “Academia de Hollywood” precisa reconhecer esse ator, não olhando pra sua origem, mas pelo grande ator que é, e, pela sua grande contribuição a História do Cinema.

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