Entrevista exclusiva com Sondra Locke sobre O Coração é um Caçador Solitário

De pequenas coisas podem, um dia, surgir grandes coisas. O modo como Sondra Locke conseguiu o papel numa grande produção de Hollywood – a adaptação cinematográfica da obra-prima de Carson McCullers – é uma história que deve ser recordada. Tratou-se de um episódio de fé, talento, sorte. Quase de um dia para o outro, uma aspirante a atriz, natural de Shelbyville, Tennessee, foi nomeada para um Óscar no seu primeiro papel. 45 anos depois, o Wand’rin’ Star perguntou a Sondra Locke como isto aconteceu.

corazoncazadorsolitario6805 ATENÇAO AO CROP CANTO INFERIOR ESQUERDO[Retirei a história original deste artigo. Encontra-se no livro de Locke.]

45 anos e muitos filmes depois, Sondra Locke comentou esta fase notável da sua vida:

As insinuações de homossexualidade foram suprimidas quando houve a mudança de realizadores. As filmagens começaram a 25 de setembro. Carson McCullers faleceu a 29 de setembro de 1967, quatro dias depois do início da rodagem. O filme estreou em julho de 1968. Alguma vez a conheceu ou soube a sua opinião sobre a adaptação?

Era suposto conhecê-la depois de terminada a produção, mas infelizmente ela faleceu antes que isso pudesse acontecer.

Acha que, depois destes anos todos, foi uma espécie de (desculpe se soa rude, mas Hollywood faz isto muitas vezes) tentativa de lucrar com a morte da autora?

Não, penso que não houve qualquer exploração da morte dela, visto que faleceu durante a produção. Falou-se muito pouco sobre isso. A versão cinematográfica do seu romance era algo que já se tentava fazer há anos. Originalmente, Montgomery Clift ia interpretar ‘Singer’. No entanto, ele sofreu um acidente de automóvel e não conseguiu obter o seguro. Dizem-me que muitas pessoas tentaram produzir O Coração é um Caçador Solitário ao longo dos anos. Não tenho a certeza acerca de todas as diferentes razões por que demorou tanto tempo a concretizar-se.

Como encara o filme agora, tendo em conta que tais aspetos foram removidos e Gordon Anderson é homossexual? (E tendo sido ele tão encorajador, no mínimo, no modo como conseguiu o papel.)

Honestamente, nunca relacionei uma coisa com a outra. Acima de tudo, fiquei muito desapontada por Joseph Strick não realizar o filme. É claro que foi ele o primeiro a escolher-me para o papel. Estava ansiosa por ser dirigida por ele. Além disso, achei que a sua versão teria mais profundidade.

Leu o livro antes das filmagens ou foi apenas o instinto e a preciosa ajuda e ensinamentos de Gordon que a ajudaram a criar um papel com tanto impacto?

Quando Gordon e eu soubemos que se procurava uma desconhecida para representar ‘Mick Kelly’, tirámos o livro da biblioteca e estudámo-lo. Eu não o tinha lido anteriormente.

A certo ponto, Clint Eastwood mostrou-se interessado em filmar o modo como obteve o papel, mas Gordon Anderson aconselhou-a a não aceitar. Pensa que, algum dia, esta “história dentro da história”, por assim dizer, alguma vez será filmada? Quem escolheria para o seu papel? E para o de Gordon? E quem poderia realizar?…

Francamente, espero que não o façam, porque receio que caia nas mãos de alguém que o torne numa coisa vulgar, como um telefilme medonho. Nunca pensei em quem poderia fazer um bom filme desta história. Julgo que é melhor que se mantenha como parte do meu livro, embora tantas pessoas digam que devia ser um filme. Infelizmente, o mais certo é que Hollywood apenas se interessasse em explorar a secção do livro relativa a Clint.

David Furtado

Um agradecimento a Sondra Locke

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