Wand’rin’ Stars: Patrick McGilligan

Na minha família, não nos permitiam assistir a filmes enquanto crescíamos, em Madison, no Wisconsin. “Permitir” é uma palavra demasiado forte. Os filmes custavam dinheiro e eram demasiado permissivos, pelo que, na verdade, nunca pensávamos neles. Estávamos demasiado ocupados a viver ao ar livre.

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Ocasionalmente, assistíamos a filmes familiares na televisão, no programa de Walt Disney, divididos em duas partes, e prezávamo-los; muitos eram realizados por Robert Stevenson, como descobri depois, e mais tarde, antes da sua morte, entrevistei-o.

Desiludi um professor que me contactou há alguns anos, devido a um livro que estava a escrever, e que me perguntou quais eram as minhas recordações quando assisti pela primeira vez a Psico. Não tenho tais recordações. Nunca o vi no grande ecrã na época. Certamente não sabia da sua existência nem me importava. Era demasiado jovem e despreocupado.

936full-the-alamo-screenshotO primeiro filme que vimos em família, que me recorde, foi Ben-Hur e, depois disso, Álamo. Ben-Hur era muito católico; e éramos uma família muito católica – fui acólito, etc. O filme impressionou-me na época, e ainda hoje me impressiona. Assusta-me e espanta-me muito mais do que Psico, ou de modo diferente, melhor dizendo.

Era perfeitamente aceitável assistir a Álamo (com a minha mãe e irmãos) porque John Wayne era a estrela. E também o realizador – embora eu esteja certo que não tivéssemos plena consciência disso. Os meus pais defendiam FDR [Franklin Delano Roosevelt] e Kennedy, mas John Wayne era a América personificada.

Anos depois, tentei conhecer e entrevistar Wayne quando trabalhava para o The Boston Globe. O pedido era recusado, uma vez após outra. Quando finalmente o consegui conhecer, na sua casa em Newport Beach, notei que ele não estava à-vontade. Podia ser devido ao meu cabelo comprido, mas perguntei-lhe o motivo. Ele disse que era porque Boston e a Nova Inglaterra eram os piores mercados para os seus filmes.

Assegurei-lhe de que era do Wisconsin, no Midwest, onde ele nascera (Iowa) e ele ficou logo descontraído, revelando uma personalidade graciosa e afável. Ainda hoje tenho especial afeto pelos seus filmes e considero-o um ator subestimado.

Patrick McGilligan
Patrick McGilligan.

Só quando estava no liceu, e comecei a entrar à socapa nos filmes de Roger Corman mais orientados para a juventude, como Wild in the Streets, passei a ver filmes com regularidade, ou mesmo a pensar neles enquanto filmes. Antes disso, vivia numa bem-aventurada ignorância.

Patrick McGilligan é um biógrafo de ascendência irlandesa/americana, historiador de cinema e escritor. Escreveu biografias de Robert Altman, Clint Eastwood, Alfred Hitchcock, James Cagney, George Cukor, Fritz Lang, Oscar Micheaux, Jack Nicholson e Nicholas Ray.

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