Charles Bronson e os bastidores de Death Wish: Juiz, júri e carrasco

Death Wish (O Justiceiro da Noite) originou quatro sequelas ao longo de 20 anos. Adorada por muitos, odiada por outros, está série de filmes foi protagonizada por Charles Bronson, deixando o ator muito conotado com o arquiteto ‘Paul Kersey’ e gerando grande controvérsia.

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A série Death Wish teve origem num livro de Brian Garfield, autor de dúzias de romances e contos western e thriller. Garfield teve a ideia de escrever sobre um vigilante dos tempos modernos quando a carteira da sua esposa foi roubada no Metro. Descobriu também o automóvel vandalizado e roubado.

O autor explica: “Eu sabia que o vândalo não nos fizera nenhum mal concreto, mas a minha primeira resposta quando me deparei com esta violência insensata foi brusca e rude… as minhas fronteiras tinham sido violadas, a minha propriedade, trespassada. Ele não tinha direito. ‘Vou matar o filho da mãe…’ Foi um acidente trivial mas recordo-me dele porque dei por mim num momento exposto e primitivo. Imaginem um cidadão irado: ‘Se eu pudesse, matava estes cabrões todos… tirava-os das ruas.’ E se alguém realmente o fizesse? Escrevi um livro chamado Death Wish sobre um homem que entra nesse momento de raiva e nunca sai dele.”

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O vingador é ‘Paul Benjamin’ um contabilista nova-iorquino, fraco, com excesso de peso, cuja esposa morre após ser atacada por um trio de criminosos. A filha fica em estado de coma. A polícia não consegue encontrar os culpados, e ‘Paul’ arranja uma Smith & Wesson calibre 32, começando a assassinar malfeitores e baixando a taxa de criminalidade… ‘Benjamin’ torna-se uma espécie de herói para autoridades e cidadãos. No final, ainda anda à solta.

A obra foi publicada em 1972, obtendo críticas maioritariamente favoráveis. Não foi um best-seller e não atraiu o interesse dos investidores cinematográficos por ser uma história “atípica”, segundo Brian Garfield. Hal Landers e Bobby Roberts eram dois magnatas que investiam no mundo da música e do cinema. Foram eles que compraram os direitos de adaptação, pouco depois da edição do livro. Já tinham produzido, entre outros, Monte Walsh (1970) com Lee Marvin e The Gospel Road de Johnny Cash (1973).

A adaptação de Death Wish foi entregue a Wendell Mayes, já nomeado para um Óscar. A Paramount mostrou algum interesse, enquanto todos os estúdios recusavam o argumento devido à sua violência. (Desde o início, o próprio Garfield estava cético quanto ao sucesso de tal projeto, pelas mesmas razões.) Os produtores conseguiram atrair o interesse da United Artists (UA) e de Sidney Lumet, que o queria realizar a preto e branco com Jack Lemmon no papel principal. Lumet dedicou-se a Serpico com Al Pacino e procuraram-se outras opções.

O realizador Michael Winner com Bronson, que não foi a primeira escolha para o papel.
O realizador Michael Winner com Bronson, que não foi a primeira escolha para o papel.

O inglês Michael Winner foi um dos realizadores abordados, visto que concebia filmes viáveis comercialmente, mas era capaz de outro tipo de obras como The Jokers (1966) ou o thriller psicológico com toques de perversidade, The Nightcomers (1972) protagonizado por Marlon Brando. Winner realizara recentemente três filmes de ação violentos, The Mechanic (1972), Scorpio e The Stone Killer (1973). A UA achou-o, portanto, o realizador indicado.

Winner ficou entusiasmado com o argumento, mas foi dos poucos. Henry Fonda achou o projeto “repulsivo”, por exemplo. O realizador considerava que o protagonista não teria de ter um ar de assassino, pois não era sequer isso que fora descrito no romance original. A UA argumentou que tal não seria aceite num filme moderno, mas deu a Winner liberdade para conduzir o projeto. Se fosse em diante, a UA reclamaria, é claro, a sua percentagem. O facto é que ninguém queria o death wish 1 charles bronson (7)papel, e os estúdios condenavam um filme em que “um cidadão matava cidadãos”. Tudo era politicamente incorreto em demasia. Michael Winner brincou: “Obviamente, depois de o fazermos, todos os filmes de vingança foram uma cópia dele!”

Winner resolveu o problema, contactando aquele que era na altura o ator mais popular do mundo. No último dia de filmagens de The Stone Killer, o realizador falou ao protagonista em Death Wish. Charles Bronson concordou sem ler o argumento, embora não fosse tão fácil.

“Foi a única vez que Paul Kohner, o meu agente, discordou de mim quanto à escolha de um papel”, explicou Bronson. “Paul mostrou-se convicto de que era um filme perigoso, de que poderia fazer as pessoas acharem legítimo o conceito de justiça pelas próprias mãos.”

O próprio Charles Bronson estava indeciso por outros motivos: “O modo como o papel estava escrito. Era sobre um dócil contabilista nova-iorquino. Achei que seria muito mais adequado a Dustin Hoffman. Foi Michael Winner que me convenceu.”

Até então, Lee Marvin era uma possibilidade, mas, com a aceitação de Bronson, o produtor Roberts descartou a ideia. O problema agora era que os grandes estúdios não imaginavam Bronson no papel de um contabilista bem vestido…

Death Wish parecia destinado a ficar na prateleira, e Winner batalhou, levando o argumento a Dino De Laurentiis, com quem já trabalhara. O magnata italiano viria a recordar: “Disseram-me que a UA já o comprara e o pusera na gaveta. Não perguntei a mim mesmo se era um filme fascista ou tretas do género. Compreendi que era uma história com a qual o público se poderia identificar. Soube que muitos diriam, ‘naquela situação, eu faria a mesma coisa’.”

Bronson colaborara com Dino De Laurentiis em The Valachi Papers, e fez um acordo com o produtor para três filmes, em que Death Wish seria o último. (Chino e The Stone Killer foram os restantes.) O projeto regressou à Paramount, o único estúdio interessado, o que se deveu ao interesse de Charles Bludhorn, homem de negócios austríaco de grande influência. Era vizinho de Dino De Laurentiis e costumavam almoçar juntos para trocar ideias.

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Circularam rumores de que o financiamento que Dino De Laurentiis atribuiu a Death Wish provinha da Máfia e de magnatas do petróleo. Seja como for, angariou três milhões de dólares, vendendo previamente os direitos de distribuição americana e estrangeira, como era seu hábito: “Enquanto aguardávamos o dinheiro das vendas no exterior, precisávamos de uma linha de crédito para financiar os custos de produção.” Recorrendo a um banco europeu, o produtor pôde assim marcar a data de início de filmagens para fevereiro de 1974.

O argumento foi reescrito por Gerald Wilson, com o objetivo de o adaptar a Charles Bronson, que, aos 54 anos, tinha ainda muito cabelo desgrenhado, era magro e de físico invejável. Michael Winner decidiu tornar o personagem num arquiteto, e o apelido foi alterado para ‘Kersey’, devido ao facto de já existir um ator de nome Paul Benjamin. ‘Paul Kersey’ foi também transformado em objetor de consciência.

Winner decidiu filmar em Nova Iorque, o que não agradou a Bronson. O ator queria estar próximo da sua família na sua mansão de 36 quartos em Bel Air, e pediu encarecidamente a De Laurentiis que alterassem o local. Não eram necessárias mais estrelas, com o nome de Charles Bronson aliado ao projeto. Mas o elenco secundário incluiu atores respeitáveis como Vincent Gardenia (vencedor de vários prémios pelo seu trabalho no teatro e nomeado para um Óscar por Bang the Drum Slowly de 1973). William Redfield, Stuart Margolin e Hope Lange foram outros nomes de relevo.

Vincent Gardenia, que ajudou a conferir mais credibilidade ao projeto.
Vincent Gardenia, que ajudou a conferir mais credibilidade ao projeto.

Winner receava que Bronson tentasse impor a sua esposa, Jill Ireland, como era seu hábito, mas o ator não queria que Ireland surgisse de modo tão degradante na cena da violação, e sugeriu que o realizador encontrasse outra atriz, uma que fosse parecida com Hope Lange. Apreciando a ideia, Winner contratou a própria Hope Lange (vencedora de Emmys e nomeada pela Academia) para o seu primeiro filme em quatro anos.

Seguiram-se 39 dias de rodagem no inverno de 1974, em vários locais de Nova Iorque: Broadway, Park Avenue, Brooklyn, Central Park, e Riverside Park, no Harlem, bem como a Central Station, que surge no filme como uma estação ferroviária de Chicago. O experiente diretor de fotografia Arthur J. Ornitz, especializado em filmar em locais verdadeiros, adicionou o ar rude à película.

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A equipa técnica sindicalizada de Nova Iorque estava habituada a filmar em temperaturas que rondavam os zero graus, pelo que se adaptou ao método de Michael Winner, agressivo e rápido, ângulos escolhidos no local e pouco mais de dois takes. Raramente filmava material que não usasse. Segundo Bronson: “Faz a montagem enquanto filma. É necessária grande concentração para isso, qualidade que ele possui.” Michael Winner não era consensual e havia muitos que não gostavam dele, mas deu-se bem com Bronson, que comentou: “É inteligente e divertido. Muitas pessoas têm dificuldade em compreendê-lo.”

O filme podia ser controverso, mas Bronson tinha motivos de sobra para se sentir confortável longe da Califórnia. Recebeu um milhão de dólares de salário, uma percentagem dos lucros, e uma soma equivalente a “ajudas de custo” para a sua suite no Pierre Hotel, além de uma equipa de assistentes que incluía cozinheiros e motoristas. Bronson tinha a fobia de ficar encurralado num incêndio, pelo que insistiu em se instalar no segundo andar. Regra geral, viajava com a esposa, Jill, e os seis filhos. Durante as filmagens de Death Wish, ficou sozinho em Nova Iorque, visitando a família todos os fins-de-semana no Vermont, transportado num jato particular.

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Ao set, Bronson chegava numa limusine Cadillac, e o êxtase das multidões era enorme. As barreiras policiais não continham os inúmeros fãs que queriam ver a introspetiva estrela. Roger Ebert entrevistou o diretor de fotografia no set, para um artigo a ser publicado na Esquire. Ornitz disse-lhe:

“É um profissional. Está aqui sempre e bem preparado. Mas senta-se a um canto e nunca fala com ninguém.” Terminado o trabalho, Bronson regressava sozinho à suite, à limusine ou ao quarto de hotel. “Não tenho amigos e não quero nenhum”, disse o ator à People.

Winner optou por filmar com brutalidade a cena em que a mulher e filha de ‘Paul Kersey’ são atacadas, para provocar uma reação de cólera no público, ainda por cima tendo em conta que Hope Lange, atriz respeitada e conhecida, estava envolvida na sequência. Noutras situações, atenuou a violência – o arquiteto vingador certifica-se da morte dos criminosos com um derradeiro tiro na cabeça. Era o que estava descrito no argumento, mas não foi filmado.

Winner queria tornar os vilões tão horrorosos quanto possível. Um deles foi Jeff Goldblum, então estudante de arte dramática em Nova Iorque. Os restantes foram Christopher Logan e Gregory Rozakis. O executivo da Paramount Frank Yablans, preocupado com eventuais acusações de racismo, exigiu ao realizador que limitasse os atores afro-americanos nos papéis de criminosos.

Os vilões. Jeff Goldblum à direita.
Os vilões. Jeff Goldblum à direita.

Charles Bronson polarizou o filme com a sua presença imponente e há várias cenas que o demonstram. Numa delas, ‘Paul Kersey’ acabou de matar o primeiro assaltante e, sem conseguir parar de murmurar, “Jesus…”, cai de joelhos e vai vomitar à casa de banho. Foi um take sem cortes, improvisado pelo ator. Entrevistado por Ebert, Michael Winner falou do protagonista:

“Ele tem grande força no ecrã, mesmo quando está parado… há uma profundidade, um mistério… há sempre a noção de que alguma coisa vai suceder. O seu corpo projeta a impressão de estar contido como uma mola dentro de si mesmo. De que está pronto para a ação e é capaz dela… parece que ganhou a reputação de fazer pessoas explodir ou agredi-las nos filmes. De acordo com a minha experiência, não é assim… mas há uma grande fúria à espreita… nunca o vi explodir. Mas ele parece conter tal capacidade para isso que as pessoas tendem a ficar do seu lado.”

death wish 1 charles bronson (2)Alheio a estas matérias, Charles Bronson descreveu deste modo o personagem que encarnou: “Toda a sua abordagem à vida é gentil, e criou a filha desse modo. Agora, pensa duas vezes e torna-se num assassino… para o representar, baseei-me nos meus próprios sentimentos. Acredito de facto que seria capaz de me comportar desta maneira.”

Até o próprio Roger Ebert se sentiu intimidado perante o ator de poucas falas e presença intensa: “Os olhos de Bronson são como os de um gato, atentos e vigilantes… é desconcertante, ele parece possuir mesmo potencial para a violência. Está ali, nos seus olhos, nos seus antebraços musculados e no modo como caminha. Outros atores podem parecer violentos nos seus papéis… mas não o parecem em pessoa. Bronson parece. Talvez porque a tenha vivido e não lhe seja estranha.”

No fim da rodagem, Michael Winner teve a ideia de colocar ‘Kersey’ noutra cidade onde poderá continuar as suas caçadas noturnas aos marginais. O conceito ficou célebre; Bronson aponta o dedo como se fosse uma pistola, a um bando de malfeitores, e sorri. Dino De Laurentiis achou que as pessoas não iam aceitar, seria demasiado. E Bronson também se opôs: “Não faço isto, Michael. Dá a ideia que gosto de matar pessoas. Não posso deixar que o meu público pense isso, de modo nenhum.”

Winner contrapôs, “‘claro que gostas de matar pessoas, Charlie. Esse é o tema do filme! Estás a gostar de liquidar pessoas que são más até à medula’. O que me salvou foi que o Charlie queria sempre ir para casa jantar e repousar. Se não fosse isso, ficava a discutir comigo uma eternidade na Central Station. Fê-lo com relutância e sob protesto. Quando a cena se tornou um grande sucesso, adorada pela crítica e pelo público, ele andou a dizer a toda a gente que a escreveu!”

Winner nas filmagens.
Winner nas filmagens.

Terminada a gélida rodagem nova-iorquina, a produção mudou-se para Tucson, Arizona, e depois para o Havai, para o prólogo. A montagem foi feita por Michael Winner na sua casa, em Londres. “Demos o crédito a outra pessoa, como era hábito nesses tempos, mas Bernard Gribble apenas editou uma cena, e até essa acho que ficaria melhor se fosse eu… foi fácil de editar. Normalmente é, com os meus filmes. Se sai um minuto, já é muito.”

A banda sonora de Herbie Hancock foi elogiada por todos como um dos elementos que fez com que o filme funcionasse. O músico, recomendado por Quincy Jones, trabalhou com sintetizador, adaptando os sons às imagens. Recorde-se que a música eletrónica era raramente utilizada no cinema nesta época.

Surgiram problemas com o título, pois Death Wish não fora um best-seller, e De Laurentiis queria alterá-lo para Sidewalk Vigilante. Inacreditável é o facto de, apesar da violência, da violação, dos tiroteios, insultos e controvérsia, a MPAA não tenha exigido cortes. Menos de seis meses depois do começo das filmagens, Death Wish estreou em dois cinemas de Nova Iorque, a 24 de julho de 1974. Os anúncios na imprensa cativaram os nova-iorquinos que acorreram em massa, atraídos pelo poster de Bronson nos degraus e a chamativa expressão “Vigilante, City Style – Judge, Jury and Executioner”.

A Paramount pouco quisera saber do filme, mas, quando sentiu o doce aroma do dinheiro, subiu o preço dos bilhetes para 4 dólares, soma que só cobrara anteriormente com filmes de prestígio como O Padrinho e The Great Gatsby (1974). Na altura, o preço médio de um bilhete nos EUA era de 1,88 dólares.

Nos cinemas, o público aplaudia Bronson de pé e com um frenesim pouco comum: “Mata esse filho da mãe”, era o tipo de expressões ouvidas. Um espectador não ficou satisfeito: Brian Garfield, o autor do livro. “Não foi um desagrado total, mas queixei-me da escolha de Charles Bronson e do estilo desleixado da realização. Em duas ou três cenas, três freiras caminham no background. São distrações baratas. Perguntei a Winner o motivo e ele disse-me que eram símbolos. Perguntei de quê. Respondeu, ‘apenas símbolos’. Parecia-me uma imitação barata de Fellini. Suponho que o Sr. Winner tem os seus fãs.”

O autor do livro achou Bronson errado para o papel: "Mal o víamos no ecrã, sabíamos que ia começar a liquidar pessoas."
O autor do livro achou Bronson errado para o papel: “Mal o víamos no ecrã, sabíamos que ia começar a liquidar pessoas.”

Garfield sublinha que o seu problema com Bronson não consistia em “não gostar dele. Era excelente nalguns papéis, mas era errado para aquele. Mal o víamos no ecrã, já sabíamos que ia começar a liquidar pessoas”. Se Garfield não desgostava de Bronson foi pouco cavalheiresco da sua parte revelar uma suposta conversa que teve com James Coburn:

“Trabalharam em vários filmes os dois. E ele disse-me que, ao passo que Bronson podia ter o seu lado doce e gentil, era basicamente o tipo que vemos no ecrã – rude, com dificuldades de expressão, normalmente algo irritado com qualquer coisa (em parte, por não ser muito alto), de uma total falta de sofisticação e absolutamente desprovido de perspicácia.”

O autor fez troça do filme, mas parou de rir quando o agente lhe disse que ia ganhar muito dinheiro em direitos. O realizador Michael Winner tinha fraca opinião de  Garfield: “O livro vendeu três cópias… compradas pela mãe dele. Ele achava que tinha escrito o quê? A Branca de Neve? Esse homem é um idiota!”

As salas não tinham estado tão cheias desde O Padrinho, mas a crítica não o comparou ao filme de Coppola. “Explora a paranoia urbana do público, um filme desprezível, a atuação de Bronson desafia a de um monólito de granito”, disse Vincent Canby no The New York Times. A Variety chamou-lhe um “incitamento venenoso à justiça pelas próprias mãos”. O The Village Voice ridicularizou Bronson, “um homem do Cro-Magnon na pele de… um arquiteto?” “Ridiculariza o público”, etc. Até a Igreja Católica condenou “estas respostas fáceis a problemas sociais complexos”.

Outros críticos influentes, como Judith Christ, elogiaram a “soberba interpretação de Charles Bronson e a autenticidade da sua criação num filme de suspense de primeira categoria”. Rex Reed assinalou a natureza controversa da obra, “raramente vista na História do cinema”. Roger Ebert apontou defeitos e poucas qualidades, como o “fascínio arrepiante” exercido pelo filme.

Bronson já estava habituado a críticas más, tanto aos seus filmes como aos seus desempenhos. E defendeu-se: “O que eu faço não é arte, é entretenimento. Não trabalho no cinema em prol da reforma social. Faço filmes pelo dinheiro.” Ao The New York Times, mostrou-se bastante expressivo para quem fora apelidado de bronco: “Não fazemos filmes para críticos, porque eles não pagam para os ver, de qualquer maneira.”

Numa só semana, em dois cinemas de Nova Iorque, Death Wish atraiu 40 mil espectadores e rendeu 165,580 dólares, batendo o recorde de O Padrinho. Garfield ficou espantado com tamanho sucesso e, como não tinha grandes preconceitos em relação ao dinheiro, malhou no ferro enquanto estava quente e escreveu uma sequela, Death Sentence.

Por falar em sequelas, continua no próximo artigo: Death Wish II.

David Furtado

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