Wand’rin’ Stars: Emanuel Neto: “Tarzan, Rambo, Pistoleiros e Afins…”

A minha paixão pelo cinema começou durante a minha infância em meados dos anos 1980. A par da banda desenhada é talvez a minha paixão mais antiga. Juntamente com o meu pai e o meu irmão mais velho lá íamos nós às matinés de cinema nos sábados à tarde no Cine-Teatro Crisfal, em Portalegre.

O Último Grande Herói (1993).
O Último Grande Herói (1993).

Naquela época, estava em exibição os célebres filmes do Tarzan protagonizados por Johnny Weissmuller, campeão olímpico de natação, com a sala quase sempre lotada. Durante os intervalos íamos ao bar comprar batatas fritas, latas de sumo, chocolates e o troco era quase sempre devolvido em rebuçados.

Infelizmente, o ritual de ir ao cinema começou a perder-se, tanto da minha parte como da parte da população da cidade em geral, o que acentuou o declínio dessa bela sala de cinema. Mesmo assim, já numa fase mais tardia, ainda fui a tempo de poder assistir a filmes como Os Goonies, Greystoke, A Lenda de Tarzan, O Último Grande Herói ou Inferno, filme português de Joaquim Leitão.

Tarzan em Nova Iorque (1942).
Tarzan em Nova Iorque (1942).

Aos poucos, os clubes de vídeo substituíram a sala de cinema e o aluguer de cassetes VHS passou a ser obrigatório. E pode-se dizer que a partir daí é que a minha paixão pelo cinema se tornou um caso sério.

É claro que a minha prioridade era sempre a mesma: o western. Se não pudesse ser, então optaria pelo… western. Em último caso, então aí sim a cassete escolhida teria de ser… um western, só para não chatear muito! Mas as pessoas que iam comigo ao clube de vídeo (irmão, primos, amigos) não iam na minha cantiga e eu tinha de aceitar e calar, sob pena de levar algum carolo na marmita!

Mas ainda bem que assim foi! Isso abriu-me as portas para conhecer melhor o cinema de ação e as sessões de cinema em casa eram brindadas com pérolas como Invasão USA, Rambo II, A Vingança do Herói, Cobra, O Braço Forte Da Lei, Desaparecido Em Combate, Comando, O Predador ou Duplo Impacto. De vez em quando, para minha grande alegria, lá chovia um western como A Desaparecida com John Wayne ou Zorro com Alain Delon.

Cobra, o Braço Forte da Lei (1986)
Cobra, o Braço Forte da Lei (1986).

Nas nossas brincadeiras, todos queríamos ser os heróis invulneráveis que víamos nos filmes: “Eu quero ser o Sylvester Stallone!”, dizia um. “Eu sou o Chuck Norris!”, acrescentava outro. “És parvo, homem?! O John Wayne é que é!”, dizia alguém.

A fação feminina também tinha voto na matéria e todas elas sonhavam ser resgatadas pelos galãs dos filmes Top Gun ou Dirty Dancing. Por arrasto surgiam logo dois ou três parvalhões que queriam imitar o Tom Cruise e o Patrick Swayze, achando eles que desse modo as miúdas lhes passavam cartão. Errado! Nem elas queriam saber desses palhaços nem nós porque, aos nossos olhos, não era digno, homens duros como um Arnold Schwarzenegger ou um Charles Bronson confraternizarem com o anão do Tom Cruise!

Foi também com o VHS que tive acesso a inúmeros westerns-spaghetti: os filmes de Sergio Leone, os westerns com Giuliano Gemma, as palhaçadas de Terence Hill e Bud Spencer…

"As palhaçadas de Terence Hill e Bud Spencer."
“As palhaçadas de Terence Hill e Bud Spencer.”

O tempo passou e agora o DVD e a Internet é que mandam. O cinema, de uma forma geral, vive momentos difíceis. Os tempos mudaram, hoje já não há lugar para Rambos, Exterminadores, pistoleiros, máquinas de guerra e exércitos de um só homem. Salvo algumas notáveis exceções, agora só há lugar para os filmes dos grandes estúdios americanos com efeitos especiais exageradamente computorizados que, para mim, não valem os tomates de um gato morto, filmes de adolescentes armados em vampiros de pacotilha que nem têm cara para levar uma chapada e produções cor-de-rosa com galináceos a pavonearem-se e a cantar na escola supostamente a emanar beleza, elegância e glamour. A única coisa que emanam é de tal forma rançoso que até provocaria náuseas ao herói mais duro da História do cinema.

Seja como for, e tudo somado, o cinema é uma das artes mais belas do mundo e que ainda hoje me faz sonhar. Se assim não fosse, não dedicava parte do meu tempo a escrever para o meu blogue Por um Punhado de Euros e nem teria sido convidado pelo simpático amigo David Furtado para escrever as minhas baboseiras no seu valioso blogue de cinema Wand’rin’ Star.

menu_equipa_enEmanuel Filipe Melato Neto é natural de Nisa e residente em Portalegre. Nasceu em 1980. Dedica os tempos livres ao cinema, futebol, música (heavy metal) e leitura (banda desenhada Tex e Zagor). É autor, juntamente com Pedro Pereira, do blog Por um Punhado de Euros.

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