Dire Straits – Making Movies: Cenas de um filme

Consciente de que jogara pelo seguro com o country/blues de Communiqué, Mark Knopfler começou a planear o futuro dos Dire Straits, que englobava concertos em salas maiores e um som mais dinâmico. Os primeiros meses da nova década foram complicados; terminada a digressão de Communiqué, o grupo sentiu-se livre de um fardo. Não terá sido só Mark Knopfler a recorrer a um psiquiatra para recuperar o equilíbrio.

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Em fevereiro de 1980, o guitarrista, acompanhado pelo manager Ed Bicknell, viajou até Nova Iorque para fazer uma ronda pelos estúdios – uma viagem que também simbolizou uma fuga à situação que se vivia em Londres. Já na capital da Costa Leste, por sugestão de Bicknell, ambos falaram com Jimmy Iovine, produtor de Tom Petty, Graham Parker e Patti Smith. Knopfler adorava «Because the Night», de Smith, e o tema integrava a cassete ouvida nas salas, antes dos concertos dos Straits.

Por esta altura, de acordo com Ed Bicknell, “Mark procurava um produtor que funcionasse como um técnico e conseguisse obter sons; por outras palavras, um engenheiro. Jimmy Iovine apareceu no Hotel Mayflower vestido de amarelo, como um Action Man”, recorda Bicknell. “Começaram a discutir a fundo as formas de amplificar uma guitarra acústica.” Surgiram problemas quando o manager de Iovine pediu uma soma astronómica, o que provocou a ira do implacável Bicknell e a renegociação dos honorários do produtor.

No início de março, começou a ser filmado o documentário «Arena», da BBC, realizado por Nigel Finch, que mostraria os Dire Straits ensaiando, gravando Making Movies e tocando ao vivo. Foi um modo de mostrar ao Reino Unido que, afinal, os Straits eram mais do que aparentavam.

Finch deixou a questão mais importante para o fim, perguntando a Mark Knopfler se o grupo era a sua banda de suporte. O guitarrista negou com veemência, mas o realizador declararia, mais tarde: “Era perfeitamente óbvio que o era.”

A equipa que filmou o documentário reparou no clima de insatisfação reinante. Alguns, incluindo o realizador, especularam que David Knopfler abandonaria os Dire Straits antes de terminadas as filmagens. Apesar destas tensões, o filme agradou a Mark Knopfler, por ser atípico, não apenas um documentário sobre um grupo. Nigel Finch concorda e acrescenta que a rivalidade entre os dois irmãos era interessante: “Julgo até que foi esse o fulcro do filme.”

Mark e Jimmy deram-se bem e decidiram colaborar num álbum que capturasse o dinamismo dos Dire Straits ao vivo. Desde logo, não foi problema que «Tunnel of Love» tivesse oito minutos. Uma vez que os solos de Knopfler eram bem arquitetados e que o guitarrista era muito mais dotado instrumentalmente que vocalmente, parecia ser essa a direção a seguir, ao invés de singles de cinco minutos.

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O DISCO DECISIVO

Tanto os músicos como o management sabiam que, se o terceiro registo fosse um fracasso comercial como Communiqué, os Dire Straits facilmente se tornariam numa banda relegada para segundo plano numa indústria ferozmente competitiva. As posições na tabela de vendas, os lucros e as pressões, eram algo a que Knopfler tivera de se adaptar, e não fazia tenções de cair no esquecimento.

Em abril de 1980, os Straits reuniram-se no seu estúdio de ensaio em Wood Wharf, para começarem os preparativos de Making Movies. “Estavam bastante fragilizados”, na opinião de Ed Bicknell. “David recuperava de uma doença, John resolvera os seus problemas pessoais, Mark dava com todos em doidos. Só Pick estava mais estável durante este período.”

dire straits making movies knopfler (3)David não parava de insistir com Mark para que compusesse um tema sobre o fascínio de um parque de diversões aliado à música e ao frenesim, quando ambos eram crianças. “Achava que a nossa abordagem era errada. Gostaria de pensar que foi um dos motivos que o levou a compor «Tunnel of Love», pois acho que ele também vivera essa experiência”, diz David. Quando Ed Bicknell foi ao estúdio de ensaio, bastou-lhe ouvir «Tunnel of Love» e «Romeo and Juliet» para se aperceber que a carreira dos Straits ganhava novo fôlego.

Nesta altura, Knopfler não compunha canções apenas na guitarra mas também ao piano, começando a pensar de maneira mais orquestral. Esta evolução culminaria em «Telegraph Road», de 14 minutos, tema de Love Over Gold. Quatro anos depois do lançamento de Making Movies, o guitarrista disse a Richard Williams:

“O melhor aspeto da composição é aquele instante em que sabemos que temos alguma coisa. Aconteceu-me enquanto compunha «Tunnel of Love». Há uma parte da canção à qual chamo ‘breakdown’ e, quando lá cheguei, conseguia sentir a bateria, o piano, tudo o que eu pretendia dos instrumentos. Quando alcançamos esse estado, temos a estranha sensação de que uma coisa se segue a outra, e de que os elementos encaixam de um modo bastante natural.”

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O antigo baixista dos Café Racers, Rob Milne, revelou uma teoria que pode explicar a inclusão de «Carousel Waltz», de Rodgers e Hammerstein, no início de «Tunnel of Love»: “Sou da mesma idade que Knopfler e costumava ouvir um programa chamado Movie Go-Round, aos 12 ou 13 anos. O genérico de abertura desse programa era «Carousel Waltz». Não sei se alguém reparou nisto até agora, mas não me surpreenderia se fosse essa a razão.”

Antes de começar a gravação de Making Movies, Knopfler comprou algumas guitarras Schecter na Rudy’s Music Stop em Nova Iorque – ao que se sabe, quatro Stratocasters e uma Telecaster preta. Duas das Strats eram vermelhas, uma era azul e outra sunburst. Foi esta última que Mark Knopfler utilizou ao gravar «Tunnel of Love» e era a sua favorita. Numa entrevista, afirmou que, possivelmente, era melhor guitarra que alguma vez tivera. A Schecter sunburst foi roubada de um carro pouco depois de terminadas as sessões de Making Movies, após um ensaio em Deptford. Knopfler adquiriu uma substituta, que usou nessa digressão e que pode ser vista em Alchemy, justamente em «Tunnel of Love» (embora a guitarra não seja exatamente igual).

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Mark tomava agora todas as decisões importantes, e uma delas foi a de contratar um teclista que pudesse adicionar mais colorido ao som dos Straits. Quando os músicos viajaram para Nova Iorque, em junho, Jimmy Iovine apresentou-os a Roy Bittan, pianista da E-Street Band, nos estúdios Power Station. O “professor”, como lhe chama Springsteen, adicionou uma nova energia ao disco dos Straits. Ed Bicknell lembra-se que o ambiente geral era de “entusiasmo” e que, “mal Bittan começou a tocar, o efeito foi espantoso, as coisas levantaram voo como uma espécie de Concorde”.

A SAÍDA DE DAVID

David Knopfler, pouco antes de abandonar os Dire Straits.
David Knopfler, pouco antes de abandonar os Dire Straits.

Durante a gravação, Mark desentende-se com David, (situação que já referi noutros artigos). Os relatos são divergentes. Mark afirmou que David não conseguia executar o que tecnicamente se exigia dele, pelo que o despediu. John Illsley recorda-se de uma discussão durante «Romeo and Juliet». Mark, na sala de controlo, ter-se-á apercebido das tais “dificuldades técnicas” e aconselhado o irmão a regressar ao hotel nessa noite e praticar.

No dia seguinte, era notório que David não praticara, seguiu-se novo diferendo e troca de insultos, após o que Mark e David regressaram ambos ao hotel. Mark exigiu um pedido de desculpas ao irmão, mas este não lho concedeu. David pediu a opinião de John Illsley, que o aconselhou a “ir para casa”.

O tour manager Paul Cummins recorda-se de uma reunião acerca da capa de Making Movies, em que, mal David entrou, Mark disse, antes de sair: “Não discuto isto com ele na sala enquanto não me pedir desculpa.” “David fez o que ele lhe pediu e depois telefonou-me”, relembra Cummins. “Transmitiu-me que Mark não achava as desculpas suficientes.”

dire straits making movies knopfler (21)David recorda-se que, certo dia, durante uma pausa nos trabalhos, foi até aos Power Station Studios e disse ao engenheiro assistente que queria “tentar uma coisa”. “Eu enfrentava problemas com um determinado som, e queria experimentar sob outra perspetiva. Quando comecei, Mark apareceu na sala de controlo e começou a dizer-me pelo intercomunicador que o que eu fazia não estava certo. Eu disse-lhe que não estava a tentar executar essa parte. Basicamente, acho que ele andava num estado híper-ansioso, reagia a quente, pressionava o botão do intercomunicador a cada sete segundos, fazendo comentários que pouco me ajudavam. Era suposto estarmos de folga e eu só queria um pouco de paz para tocar e livrar-me da tal parte.”

David acabou por sugerir ao irmão que fizesse “um intervalo de 10 minutos” e “fosse beber uma cerveja ou coisa assim”. Furioso, Mark abandonou o estúdio, cancelou o trabalho do dia seguinte e voltou a exigir um pedido de desculpas. “Já não éramos um grupo de amigos. Para mim, Mark ainda era meu irmão, enquanto os outros o viam como o Ayatollah. Senti dificuldades em aceitar isso.”

Pouco depois disto, o irmão mais novo encontrou um antigo colega de escola, Mal Herdman, que era agora repórter televisivo. “Achei que David sempre quisera ser bem-sucedido a solo, enquanto pop star. No entanto, ele tornara-se membro de um grupo de grande sucesso, que vendia discos no mundo inteiro. Ciente de que tudo isso se devia ao génio do seu irmão, David sentia-se muito à sombra dele. Quando gravavam o terceiro disco, David começou a exigir mais reconhecimento, algo que seria difícil de obter. E também não apreciava digressões. Quando gravou os seus próprios discos, nunca atuou muito.”

THE SHOW MUST GO ON

dire straits making movies knopfler (10)O certo é que a saída de David trouxe paz às sessões. Mark convocou Sid McGinnis, que já trabalhara com Carly Simon e Peter Gabriel, para preencher o lugar deixado vago por David, embora o guitarrista não seja creditado pelo trabalho no disco. Mark regravou as partes de guitarra do irmão. Quatro temas foram gravados mas não se encontram no álbum: «Making Movies», «Suicide Towers», «Twisting by the Pool» e «Sucker for Punishment».

Nos EUA, apesar dos anteriores triunfos, os Dire Straits continuavam a ser uma one-hit wonder, e a opinião geral era de que o terceiro álbum seria o tudo ou nada. A um jornalista americano, Mark escusou-se a comentar a situação de David Knopfler, mas foi mais expansivo ao ser entrevistado pelo San Francisco Chronicle: “Muitas vezes, fazemos coisas enquanto compomos e desconhecemos o motivo. Neste disco, isso aconteceu várias vezes. No final de «Hand in Hand», há uma parte de guitarra que soa à canção «24 Hours from Tulsa». Só me apercebi depois de gravarmos o tema. Por vezes, gosto de escrever algo sem saber, em concreto, o que significa; nesses casos, a escrita é mais instintiva.”

O compositor não deixou que o seu estado de espírito interferisse no teor geral do disco, concebendo um trabalho que modificou a ideia do público em relação aos Dire Straits. A sonoridade imprevista foi uma resposta aos detratores, que já consideravam cinicamente as canções de Knopfler lentas e soturnas. Making Movies tornou-se no álbum mais vendido do grupo até então.

Os três elementos oficiais dos Straits eram agora Illsley, Withers e Mark.
Os três elementos oficiais dos Straits eram agora Illsley, Withers e Mark.

Contudo, o maior crítico de todos era o próprio Mark, que ficou agradado com os resultados. Estruturalmente, os Dire Straits já não eram uma banda. Pick Withers, por gostar das canções de Mark, aceitou o status quo.

Uma ex-namorada de Mark, Letitia Walker-Cole, assistiu a uma entrevista que Knopfler deu a Paul Gambaccini no Channel Four, pouco depois da zanga entre os irmãos.

“Ele foi praticamente monossilábico durante tudo aquilo, não fez quase nenhum esforço por responder às perguntas. Irritou-me imenso; mais valia não a ter dado. Perguntaram-lhe sobre o irmão e respondeu com evasivas. Eu sempre achara que Mark tinha aquela coragem de ser frontal e aberto, relativamente aos seus pensamentos e opiniões.”

Em novembro de 1989, Jimmy Iovine colaborou numa peça da Rolling Stone, acerca dos 100 melhores álbuns dos anos 80, lista em que Making Movies figurava no 52º lugar. Segundo o produtor, o disco fora gravado em seis semanas. Iovine ficou surpreendido com a coesão do trabalho, ao nível das composições.

“Basicamente, aconteceu tudo nos primeiros seis dias de sessões. As pessoas certas estavam juntas na mesma sala. Foi fazer um disco no sentido mais puro do termo. Aquilo soa tudo a uma canção. Mas sabem o que isso é? Vem da escrita, do tipo que o escreveu. Ele compôs o álbum assim; ele quis fazer o álbum assim.”

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DOIS NOVOS ELEMENTOS

Paul Cummins telefonou a Alan Clark, músico natural da região de Newcastle, que tocara profissionalmente em cabarés e clubes na adolescência, e que, anos depois, participara em tournées com os Gallagher & Lyle e os Lindisfarne. Em Londres, Clark fez uma audição no Wood Wharf e foi recrutado de imediato. O pianista recorda-se do telefonema:

“Ele perguntou-me o que eu estava a fazer. Nada… Eu conhecia a banda, embora não me despertasse grande interesse, porque era só guitarras. Mas não desgostava. Eu e o Mark trabalhámos as partes de teclado em conjunto. Por vezes, eu tocava uma coisa e ele dizia, ‘ótimo, usa isso’. Achei-o bastante recetivo.”

Sid McGinnis foi rejeitado visto que o seu manager exigia uma quantia avultada. A solução foi o guitarrista Hal Lindes, filho de pais russos, que viajara da Califórnia para Londres, tocando em várias bandas. Neste caso, foi Lindes a tomar a iniciativa de ligar a Cummins. “Não conhecia bem os Straits, mas ouvi algumas canções e consegui uma audição. Paul estava a fumegar por eu me ter atrasado meia hora. Mas Mark foi amigável.”

Knopfler deu-lhe um walkman e disse a Hal “para ouvir e captar o feel” e não para descobrir os acordes do tema. “Era «Tunnel of Love», que dura umas 100 horas. Ouvi-a três vezes, e Mark disse, ‘muito bem, vamos tentar os dois com as guitarras’. Havia vazios a preencher, já que ele toca uma espécie de lead. Portanto, ele virava-se para mim e dizia, ‘toca isto’. E mostrava-me precisamente o que queria que eu fizesse, e eu dava o meu melhor.”

Belo começo para Hal Lindes, mal começa a tocar, parte uma corda.
Belo começo para Hal Lindes, mal começa a tocar, parte uma corda.

Hal Lindes receava ser mal recebido, por substituir David Knopfler, quando se estreou, num clube em Vancouver: “No início de «Once Upon a Time in the West», toquei o primeiro Mi, a corda fez ‘boing’ e voou na direção do público.” Receoso, Hal olhou para Mark, que lhe sorriu.

Quando os Dire Straits atuaram no Rainbow Theatre, Robin Denselow elogiou, no The Guardian, os novos elementos: “O efeito do cantor e líder, Mark Knopfler, foi dinâmico. Canções que outrora eram agradáveis mas um pouco indolentes, pulsam agora com energia. O modo como Knopfler apresenta os temas pode ser um pouco desconexo e incoerente, mas o seu trabalho na guitarra demonstra uma rapidez e uma precisão inéditas, com a banda a acompanhá-lo perfeitamente. Os seus solos em crescendo, bem explorados e emocionais, continuam identificáveis de imediato, mas são agora mais empolgantes que nos álbuns.”

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A imprensa americana reagiu ao álbum com respeito mas alguma indiferença, considerando que, apesar de várias alterações significativas, era mais do mesmo. Porém, a influente Rolling Stone, através do reputado David Fricke, deu quatro estrelas e destaque a Making Movies.

“O cantor, compositor e ás da guitarra Mark Knopfler é a soma impressionante de várias partes muito apelativas. A voz é uma mistura fumarenta das lamúrias ácidas de Dylan, do ressonar de Tom Waits e do sussurro de J. J. Cale. Escreve temas como «Sultans of Swing» e «Once Upon a Time in the West» com o faro cinemático de Bruce Springsteen e o realismo, cortante como uma baioneta, de Neil Young. Por fim, o estilo de Knopfler é um casamento explosivo de acordes jazzy e tangentes harmónicas, descendentes de Django Reinhardt e Wes Montgomery, os blues elétricos sem floreados desnecessários de B. B. King, a sensualidade de Jimi Hendrix no bending e o lustro country/pop de James Burton.”

A digressão americana foi triunfal; Bob Dylan veio mais uma vez visitar o grupo e liderar uma jam session no quarto de hotel de Mark. Na plateia, estavam estrelas de cinema. A tournée percorreu a Europa, Austrália e Nova Zelândia. Os Straits só a terminariam um ano e meio depois. Ao contrário do que sucedeu aos outros elementos e equipa técnica, que acabaram exaustos, Mark Knopfler já estava ansioso por regressar ao trabalho, poucas semanas depois de terminada a digressão. Encarava agora um novo desafio, a composição de bandas sonoras, cenas de outros filmes.

David Furtado

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4 Comments Add yours

  1. Muito bom seu texto. Um abraço, Renata.

    1. Muito obrigado, Renata. Um abraço.

  2. Pedro Kulzer diz:

    Olá David! Como sempre, textos imbatíveis no que toca ao pormenor e até mesmo à emoção ao lê-los, como se estivéssemos “lá”… 😉

    1. Então, Pedro, tudo bem? 😉 Muito obrigado. Se calhar a sensação de “estar lá” é porque gostaria de assistir à gravação do álbum! Um abraço.

Comentários:

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