Apontamentos sobre John Lennon

lennon beatles (1)I don’t want this anger burning in me
But it’s something from which it’s so hard to be free
And none of the tears that we cry in sorrow or rage,
Can make any difference of turn back the page.

David Gilmour, «Murder».

Assassinado a 8 de dezembro de 1980, John Lennon continua a ser lembrado, felizmente. Na TV, ouvi a seu respeito: “Disse um dia ser mais popular que Jesus Cristo.” Erro. O que Lennon disse foi que os Beatles eram mais populares do que Jesus Cristo, expressão retirada do contexto e distorcida pela imprensa, causando polémica. O Beatle explicou-se: “Não quis dizer que somos melhores que Jesus Cristo enquanto homem ou Deus enquanto coisa, ou seja lá o que for.” Queria, sim, dizer que, entre a juventude, a beatlemania os tornava, de facto, mais populares que Cristo, e obviamente tal chegou a ser verdade.

Lembro-me que estava em casa nesse dia. Foi um início de dezembro com duas mortes seguidas: O primeiro-ministro Sá Carneiro e, dias depois, John Lennon. Absorviam-se estas notícias na televisão, não havia Internet, e o impacto era impressionante. Os meus pais eram da geração dos Beatles, e recordo-me de ficarem chocados. As imagens na televisão mostravam pessoas em sofrimento, incrédulas. As portas do meu prédio estavam abertas, e os vizinhos também comentavam, estupefactos, o que sucedera. Parecia que tinha morrido uma figura histórica, um filósofo, e não apenas um músico.

Por vezes, pergunto-me o que acharia John Lennon do mundo em que vivemos atualmente. Penso que o meio musical, já o teria deixado há muito, tendo em conta aquilo em que se tornou, com Lady Gaga’s e aberrações similares. Mas, ao testemunhar a superficialidade de sentimentos, a crueldade, a hipocrisia, a ignorância, a mesquinhez, a guerra e a estupidez que dominam grande parte das vezes o mundo, 32 anos depois, julgo que não ficaria nada satisfeito. Tudo aquilo a que sempre se opôs parece, às vezes, ter vindo para ficar e ser o único modo de vida.

lennon beatles (10)

Paul McCartney foi gravar num estúdio nesse fatídico dia 8. Os dois ex-Beatles estavam de relações cortadas há bastante tempo. Depois de saber a notícia, decidiu continuar o trabalho como se nada fosse, para algum tempo depois o interromper, dizendo que não se estava a sentir bem. Visivelmente abalado, McCartney comentou, então: “A morte de John foi uma perda para o mundo.”

David Furtado

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One Comment Add yours

  1. neto onofre diz:

    nao inporta si ele falou que e mais popular do que deus,o inportante e que amamos beatles

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