Orson Welles provoca o pânico: A Guerra dos Mundos, 74 anos depois

orson welles guerra dos mundos (5)30 de outubro de 1938. A América acreditou que era invadida por marcianos, devido a uma emissão de rádio. Com apenas 25 anos, Orson Welles já tinha conquistado três media diferentes. O teatro: Desafiou a Broadway com a sua produção vudu de Macbeth no Harlem. A rádio: Aterrorizou a América com A Guerra dos Mundos. O cinema: Criou uma obra-prima, Citizen Kane

O drama radiofónico de Orson Welles, A Guerra dos Mundos, foi um dos primeiros exemplos de como se pode manipular as massas através do imaginário. Por outro lado, demonstrou que o meio tem uma importância fundamental na difusão das mensagens e no modo como elas são apreendidas pelo público. Embora este episódio se tenha passado em 1938, com todas as distâncias e diferenças que isso implica, podem ser tiradas conclusões intemporais. Se, no escândalo Watergate, a palavra escrita era o veículo mais apropriado, neste caso, a rádio foi o único cenário possível. Provou que, se uma imagem vale por mil palavras, algumas palavras criam definitivamente um filme no imaginário, ao ponto de, neste caso, ser um filme tão inverosímil como uma invasão de marcianos. Mas um programa de rádio, sob o comando de Orson Welles, provou-o.

Os efeitos do Watergate não seriam os mesmos se o ambiente fosse o radiofónico. E A Guerra dos Mundos não teria tido, de certeza, tanto impacto se aparecesse numa publicação impressa. Desde essa altura, os media evoluíram e modificaram-se, mas a rádio continua a ser um meio com uma componente dramática/teatral importante. A forma como Orson Welles adaptou a obra de H.G. Wells, A Guerra dos Mundos, foi tão eficaz que milhões de pessoas acreditaram na invasão. Welles esperava uma reação, mas nunca pensou que fosse tão bombástica e surpreendente:

“A rádio, naqueles dias, antes dos transístores, não era apenas um ruído no bolso de alguém, era a voz da autoridade. Até de mais. Pelo menos, eu pensava que sim.”

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UM ESCÂNDALO NACIONAL

Nos anos 30, Orson Welles fazia teatro e, sempre que podia, elaborava algumas peças de rádio, transmitidas a partir do Mercury Theatre. Em 1938, a CBS pediu-lhe para realizar um programa semanal de uma hora, composto por dramas radiofónicos que utilizariam atores do referido teatro. A 11 de julho de 1938, esta série de programas estreou-se com Drácula de Bram Stoker. Seguiram-se adaptações de obras de Charles Dickens, Alexandre Dumas, Chesterton, entre outros, e o sucesso foi tal que a CBS propôs-lhe a realização de uma segunda série.

Welles no Mercury Theatre.
Welles no Mercury Theatre.

No final de outubro, Welles e o produtor John Houseman decidiram transmitir uma peça de terror, A Guerra dos Mundos de H.G. Wells, dado que se ajustava ao Halloween. Welles e Houseman leram o guião e acharam que não era suficientemente convincente. À última hora, tentaram reescrevê-lo, mas não conseguiram e a emissão avançou. Não precisavam de se ter preocupado, já que, na adaptação do texto para o formato radiofónico, Welles fez uma mudança aparentemente banal mas que revelou uma eficácia surpreendente: A peça foi interpretada de forma a parecer uma sucessão de noticiários, relatando uma verdadeira invasão de marcianos. A técnica tinha como objetivo intensificar o efeito dramático.

orson welles guerra dos mundos (9)Ao longo da peça, a música de fundo era constantemente interrompida por intervenções de supostos jornalistas descrevendo visões de um objeto incandescente que se tinha despenhado numa quinta junto a Grovers Mill, New Jersey. Enquanto o público ouvia com atenção, os atores personificavam repórteres, polícias e todo o tipo de intervenientes que habitualmente surgem num noticiário. Assim, ia sendo descrita a aterragem de uma força invasora e a destruição dos Estados Unidos. A emissão era intercalada por diversos avisos, de 40 em 40 minutos, explicando que tudo não passava de uma encenação. No entanto, se perdêssemos a primeira explicação, no início do programa, só perceberíamos 40 minutos depois.

A certa altura, um dos atores em estúdio, interpretando um jornalista em campo, descrevia a aparição do extraterrestre que saía da nave espacial: “Meu Deus, algo se revolve na sombra como uma cobra cinzenta”, dizia num tom de voz apropriadamente dramático. “Agora vem aí outro e mais outro. Parecem tentáculos. Agora consigo vislumbrar o corpo da coisa. É grande como um urso e brilha como cabedal molhado. Mas aquele rosto… é indescritível. Não sei como consigo olhar para aquilo. Os olhos são negros e brilham como os de uma serpente. A boca tem um formato de “v”, com saliva a escorrer de uns lábios que parecem tremer e pulsar.”

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“A coisa está a avançar… a multidão recua. Já viram suficiente e têm medo. Esta experiência é extraordinária. Não encontro palavras para a definir. Estou a arrastar o microfone comigo enquanto falo, tenho de interromper esta intervenção, peço-vos que esperem um instante.”

orson welles guerra dos mundos (7)Enquanto era transmitida esta simulação de um noticiário, com a ajuda de efeitos sonoros, parte da audiência acreditou que estava perante uma verdadeira invasão alienígena. As pessoas começaram a fugir em pânico pelas autoestradas, esconderam-se nos celeiros, pegaram em armas e até envolveram as cabeças em toalhas molhadas para se protegerem dos supostos gases tóxicos marcianos. Houve quedas por escadas abaixo, ossos partidos, cabeças rachadas… não sabiam que estavam a desempenhar o papel de uma população em pânico, o que pertencia, isso sim, a uma dramatização radiofónica.

A população viu-se envolvida num mundo virtual, no qual a ficção se confundiu com a realidade. O medo foi tanto que os noticiários genuínos começaram a difundir reportagens de toda a situação, que acabou por provocar um escândalo nacional nos EUA.

Quando o programa terminou, e depois da polícia ter invadido os estúdios da CBS, Welles leu uma declaração bastante irónica:

“Fala-vos Orson Welles, senhoras e senhores, para vos assegurar que A Guerra dos Mundos não tem qualquer significado, a não ser o entretenimento que presidiu à sua criação. É a forma do Mercury Theatre se vestir com um lençol e saltar de um arbusto, a dizer ‘boo!’ Não podíamos pôr sabão nas vossas janelas e roubar os portões dos vossos jardins, até amanhã à noite… por isso, fizemos a segunda melhor coisa de que nos lembrámos: aniquilámos o mundo aos vossos ouvidos e destruímos literalmente a CBS. Mas ficarão descansados, espero, ao saber que eu estava a brincar e que ambas as instituições ainda estão perfeitamente ativas… por isso, adeus a todos, e lembrem-se, por favor, durante um dia ou dois, da terrível lição que aprenderam esta noite. Aquele invasor brilhante, sorridente e globular que invadiu a vossa sala, não passa de um habitante de uma abóbora. E se a vossa campainha tocar e não estiver lá ninguém, não era nenhum marciano… lembrem-se, é Dia das Bruxas.”

Posteriormente, foram feitos apelos ao Governo e às instâncias que regulamentavam a comunicação social (que não surtiram efeito), na tentativa de assegurar que tal situação não voltasse a acontecer. A CBS viu-se inundada de processos-crime perfazendo, no seu todo, 750 mil dólares. Welles concordou em declarar-se culpado por plágio (sem razão para tal), mas tudo viria a ser resolvido em acordos fora do tribunal. Ainda assim, as pseudovítimas foram reduzidas ao ridículo.

IMPACTO E REAÇÕES

orson welles guerra dos mundos (13)Nessa noite, Welles e os outros atores radiofónicos permaneceram no Mercury Theatre a ensaiar a peça que se seguiria, Danton’s Death. Mas já sabiam que a emissão tinha tido um grande impacto. Ainda assim, sentiam-se um pouco incrédulos. As dúvidas dissiparam-se quando entrou um dos membros da equipa, que se tinha atrasado, e lhes disse que a notícia estava no painel luminoso do edifício do jornal Times, em Times Square. A equipa, liderada por Welles, abandonou imediatamente o teatro, com o intuito de confirmar se era mesmo verdade. As luzes do painel em Times Square diziam: «Orson Welles Provoca o Pânico».

Voltaram aos ensaios. Pouco depois do amanhecer, Welles regressou à sua suite no Hotel St. Regis. Acordou três horas depois. Era uma celebridade. Todos os jornais americanos e até estrangeiros contavam a história da invasão fictícia, do pânico resultante e do homem que o criara. Alguns anos depois, Welles diria: “Não fazia ideia de que se tornara, repentinamente, num acontecimento nacional…”

New York Times: OUVINTES DA RÁDIO EM PÂNICO. TOMARAM UM DRAMA DE GUERRA COMO REALIDADE.

New York Daily News: GUERRA RADIOFÓNICA FINGIDA ESPALHA O TERROR NO PAÍS.

New York Herald Tribune: DESDE QUE A FROTA ESPANHOLA RUMOU À NOVA INGLATERRA PARA A BOMBARDEAR, EM 1898, QUE TANTA HISTERIA, PÂNICO E CONVERSÃO REPENTINA À RELIGIÃO NÃO ERAM NOTÍCIA DE PRIMEIRA PÁGINA.

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No dia seguinte, Orson Welles foi chamado à CBS para dar uma conferência de imprensa. Entrou na sala, por barbear, com os olhos algo avermelhados, e leu a declaração seguinte, que foi publicada na imprensa:

“Embora me sinta arrependido por qualquer mal-entendido que o nosso programa possa ter criado entre alguns ouvintes, ontem à noite, estou ainda mais estupefacto perante tudo isto, à luz do que foi, realmente, a transmissão. Parece-me que existem quatro fatores que deveriam ter assegurado que a emissão de ontem não passou de ficção:

Em primeiro lugar, o programa foi transmitido de forma a tomar lugar num futuro imaginário e relatado por um sobrevivente. A data da invasão fictícia deste planeta por marcianos foi claramente estabelecida como tendo lugar em 1939, e assim foi anunciada durante a transmissão.

Em segundo lugar, a transmissão teve lugar no nosso período semanal do Mercury Theatre, como habitualmente, sendo anunciada como tal em todos os jornais. Durante 17 semanas consecutivas, temos transmitido dramas radiofónicos. 16 destas transmissões foram ficcionais, tendo sido apresentadas como tal. Apenas uma se baseava na realidade, a de Hell on Ice, do Comandante Elsberg, e foi identificada como verídica, dentro da moldura do drama radiofónico.”

Acossado pela imprensa.
Acossado pela imprensa.

“O terceiro elemento foi o facto de, no início do programa e por duas vezes ao longo dele, ter sido anunciado aos ouvintes que tudo não passava de uma peça, que se tratava da adaptação de um velho romance de H.G. Wells. Adicionalmente, no fim do programa, foi lida uma declaração detalhada refletindo isso mesmo.

orson welles guerra dos mundos (12)O quarto fator parece-me o mais pertinente de todos. A popularidade, no contexto americano, de histórias sobre Marte e marcianos. Durantes décadas, o Homem de Marte sempre foi um sinónimo de fantasia… esta fantasia foi usada muitas vezes em programas de rádio. Nestas transmissões, o conflito entre cidadãos de Marte e habitantes de outros planetas tem vindo a ser uma fantasia familiarmente aceite. O mesmo faz-de-conta é familiar aos leitores de jornais, através da comic strip, que utiliza o mesmo dispositivo.”

Esta última frase de Orson Welles é interessante. Ele sempre soube (e as suas declarações são explícitas) que a rádio influi muito mais no imaginário do que uma comic strip. Apenas quis testar até onde a rádio podia ir. Queria experimentar. É claro que não o podia admitir abertamente, mas fez passar a sua mensagem.

Após esta curta declaração de intenções, os jornalistas começaram a fazer perguntas, e Welles, com a pose de “um santo cristão”, como descreveria mais tarde a sua tentativa de parecer inocente, respondeu da forma mais clara que conseguiu.

Não estava consciente do pânico que uma transmissão deste tipo poderia provocar?
Não, de todo. A técnica que utilizei não foi original. Nem sequer inovadora. Nunca previ nada de invulgar.
Era capaz de realizar o programa outra vez?
Não digo que não repetirei esta técnica, dado que é uma forma dramática perfeitamente legítima.
Quando se apercebeu do sarilho todo que tinha causado?
Logo que a emissão terminou, e me informaram dos inúmeros telefonemas recebidos.
Pensa que deveria ter atenuado de alguma forma a linguagem dramática que empregou?
Não, não se simula um assassínio com palavras suaves.
Por que razão a história foi alterada, de forma a incluir nomes de cidades americanas e de membros governamentais?
H.G. Wells utilizou nomes de cidades verdadeiras da Europa e, com o objetivo de tornar a peça mais bem aceite para as audiências americanas, utilizámos nomes de cidades americanas. É claro que agora estou extremamente arrependido.

Em 1978, quando se celebravam os 40 anos de A Guerra dos Mundos, Orson Welles foi entrevistado no programa de televisão Today. Perguntaram-lhe se foi divertido. A resposta: “Claro, imenso. Nunca pensei que fosse nada a não ser terrivelmente engraçado.”

Surgiram diversos cartoons na imprensa, que brincavam abertamente com toda a situação e as reações mais importantes vieram justamente de jornalistas da imprensa escrita. Por outro lado, os editoriais que se reportavam ao pânico provocado por Welles, e o criticavam severamente, nem sempre tinham uma intenção altruísta. Os jornais da época chegaram a sentir-se ameaçados com o poder publicitário que a rádio podia adquirir, depois daquele incidente, poder esse que já aumentava desde 1935, enquanto o da imprensa ia decrescendo. Os editores dos jornais viam assim a rádio como uma fonte de problemas financeiros e ficaram perfeitamente deliciados com o episódio A Guerra dos Mundos. Agora, tinham uma arma de arremesso.

The Washington Post publicou um editorial a sugerir a censura à rádio! Foram mesmo a ponto de divulgar um anúncio de página inteira, relativamente às intervenções feitas por Welles, ao longo da transmissão, nos quais ele avisava que se tratava de ficção. Foi a 15 de novembro de 1938 e dizia: “Quem é que o ia ouvir? Quem ouve o que um anunciante tem a dizer sobre o seu produto?”

orson welles guerra dos mundos (14)No entanto, outros perceberam que Welles tinha prestado um grande serviço ao país. No New York Tribune, Dorothy Thompson previu naquele episódio uma forma de os políticos utilizarem os media para criarem ilusões teatrais e manipularem o público de maneira eficaz:

“Sem essa intenção, Mr. Orson Welles e o Mercury Theatre on the Air fizeram uma das mais fascinantes e importantes demonstrações de todos os tempos. Provaram que algumas vozes eloquentes, acompanhadas de efeitos sonoros, conseguem convencer uma população de uma situação completamente irrealista e fantasiosa, gerando o pânico nacional. Demonstraram, da forma mais expressiva e sem margem para dúvidas, os perigos inerentes ao enorme potencial da demagogia pública e teatral. Hitler conseguiu assustar toda a Europa numa transmissão radiofónica, há um mês. Mas ele, pelo menos, tinha um exército e uma força aérea para suportar o seu discurso estridente. Mr. Welles assustou milhões de pessoas sem ter absolutamente nada.”

Nos anos 50, não se tinha uma noção clara do que a fantasia pode provocar, quando combinada com os media. Passadas algumas semanas da transmissão, a história foi desaparecendo dos jornais, até ao momento em que a Universidade de Princeton anunciou publicamente que ia elaborar um estudo sobre a psicologia do pânico e a histeria de massas. O estudo seria baseado em inquéritos, tendo como pedra basilar a influência da rádio na vida de quem a escutava. O estudo, liderado pelo psicólogo Hadley Cantril, confinar-se-ia aos aspetos educativos da questão, “em primeiro lugar, à determinação das reações públicas à transmissão de A Guerra dos Mundos; em segundo, às razões psicossociológicas que podem explicar tal reação em diversos tipos de indivíduos”.

O estudo de Cantril revelou-se interessante, concluindo que “quanto mais baixo o nível de instrução dos ouvintes, maior a probabilidade de acreditarem no que ouviam; os habitantes dos estados sulistas tinham sido, em larga medida, mais afetados do que os habitantes da Nova Inglaterra. Aproximadamente dois milhões de pessoas acreditaram na veracidade da invasão”. Eventualmente, acabou por ser publicado um livro intitulado The Invasion From Mars, pela Princeton University Press, contendo todo o script de A Guerra dos Mundos.

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Mais ou menos por esta altura, vieram a público as notícias sobre os quiz shows em que os concorrentes já sabiam as respostas de antemão e fingiam adivinhar as respostas. (O filme Quiz Show de Robert Redford analisa precisamente este tema e não parece fortuito que, em plenos anos 90, tenha sido candidato a um Óscar.) No entanto, em contraste com a pretensa invasão de Marte, aqui a farsa era intencional; um trabalho organizado pelos produtores, que chegaram à conclusão de que podiam criar concursos televisivos fictícios mais estimulantes para o público do que um jogo real. Mais uma vez, a audiência ficou chocada e as pessoas envolvidas foram alvo da ira pública. E, tal como sucedeu com a transmissão de Orson Welles, foram feitos esforços para que nada daquilo voltasse a acontecer.

Ainda assim, no início dos anos 90, o cenário repetiu-se, o que leva a que se fale da manipulação dos media como um dos problemas mais sérios da Era moderna. Neste caso, foram dois cantores que fabricaram o seu próprio talento através da dobragem das vozes (os Milli Vanilli). A audiência foi levada a acreditar que eram eles próprios os intérpretes, numa simulação em que duas vozes estavam encarregues da parte sonora, enquanto dois supostos cantores se encarregavam de as personificar. Uma farsa sensorial que conseguiu, mais uma vez, enganar milhões de fãs. Os cantores, os produtores e os restantes responsáveis acabaram em tribunal, mas não se pode afirmar com segurança que nada disto voltará a acontecer. Embora, nos anos 30, o contexto social fosse diferente, as simulações, radiofónicas ou não, tornam-se, a pouco e pouco, num lugar-comum e os media vão tornando a realidade e a ficção cada vez mais indiferenciada.

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Toda esta questão se relaciona com o exercício do poder sobre as massas. As pessoas que se deixam envolver na política, notícias, publicidade ou até nas relações públicas, podem estar a ser enganadas sem terem consciência disso. Tal como a audiência daquele dia longínquo de 1938, o público pode estar a desempenhar um papel que outros agentes queiram que ele desempenhe, enquanto pensa que está a desempenhar o seu próprio papel.

Em 1939, como resultado de A Guerra dos Mundos e devido à reportagem da New Yorker e ao artigo de capa na Time, Orson Welles tornou-se uma celebridade aos 23 anos. No entanto, receava que, devido à polémica despoletada pelo programa, a CBS cancelasse o Mercury Theatre on The Air. Em vez disso, os responsáveis publicitários da sopa Campbell decidiram, em apenas dois dias, tornar a marca na patrocinadora exclusiva do programa. Na primeira reunião que Welles teve com os executivos da Campbell, mostrou-se bem-humorado, demonstrando todo o seu charme e encanto pessoal. Dirigindo-se aos executivos, afirmou:

“Com a minha fé na rádio e a confiança que agora depositam em mim, ao tornarem-se patrocinadores, poderemos criar algo de importante. Toda a gente adora uma boa história, e a rádio é simplesmente a melhor contadora de histórias que existe.”

David Furtado

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6 Comments Add yours

  1. Henrique diz:

    Artigo muito bom. Obrigado.

    1. Obrigado, Henrique, pelo simpático comentário.

  2. Nano Falcão diz:

    Ótimo artigo sobre um incidente que sempre despertou minha curiosidade. Por que nenhum cineasta nunca transformou isso em filme? Acho que poderia dar algo muito interessante trabalhar um roteiro em cima disso aí…

    1. Obrigado. De certeza que alguém já deve ter tido essa ideia. Muitas vezes, não é tão simples como parece. Um filme envolve centenas de pessoas; há muitos fatores envolvidos: O estúdio, o realizador, o argumento certo, os atores. Se isto não se conjuga, por prometedor que seja, o projeto não avança. No caso de A Guerra dos Mundos, sendo um caso verídico, também há que ter em conta autorizações de quem gere o legado de Orson Welles. Daria um filme muito interessante, sem dúvida.

  3. Anderson diz:

    Muito Bom David. Parabéns!!!
    Obs.: Fiz um “hiperlink” no meu blog (urubservando.blogspot.com)
    : )

    1. Obrigado, Anderson. 🙂 Gostei da maneira como, no seu artigo, mostrou a influência que A Guerra dos Mundos teve e continua a ter. E foi há 75 anos… Um marco. Abraço.

Comentários:

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