Sylvia Plath: Lótus entre as labaredas

sylvia plath 1No ano em que se celebram os 80 anos do seu nascimento, recordo Sylvia Plath, a quem chamaram a “Marilyn Monroe da poesia”. Ariel foi um dos livros de poesia mais vendidos nos EUA e Inglaterra no século XX. Além da vida de Plath, foco a primeira antologia que publicou, The Colossus and Other Poems. Morreu aos 30 anos, sem que lhe fosse dado o reconhecimento devido, deixando uma obra genial.

A autora de «Lady Lazarus» nasceu a 27 de outubro de 1932 em Jamaica Plain, Massachusetts, numa família de classe média. O pai, Otto Plath, emigrara da Alemanha para os EUA, onde se tornou professor de biologia na universidade, especializado no estudo de abelhas. A mãe, Aurelia Plath, ensinava alemão e inglês no liceu. Sylvia tinha um irmão mais novo, Warren, e a família vivia em Winthrop, perto de Boston. Sylvia teve uma infância feliz até aos oito anos, quando o pai faleceu – uma perda que a marcou para sempre.

Plath começou a escrever poesia durante a infância e publicou o primeiro poema aos oito anos, no Boston Herald. Enviava o trabalho para revistas e editava o jornal da escola. Sensível e inteligente, ambicionando a perfeição em tudo, era uma filha modelo, popular, obtendo as melhores notas e prémios académicos.

Já adolescente, continuou a tentar publicar a sua poesia. Depois de 45 rejeições, a Seventeen aceitou um dos seus contos. A partir de então, os poemas de Sylvia Plath foram publicados regularmente em várias revistas como a Christian Science Monitor, a Mademoiselle e a Harper’s.

Em 1953, quando beneficiava de uma bolsa de estudo no Smith College, em Northampton, Massachusetts, venceu um concurso de ficção. O prémio englobava um trabalho de editora convidada na Mademoiselle, em Nova Iorque. Quando regressou a casa, Plath sofreu uma depressão profunda e, a 24 de agosto de 1953, tentou suicidar-se. Após um período de recuperação no McLean Hospital, com electrochoques e psicoterapia, regressou à faculdade para o segundo semestre, retomando o sucesso académico e literário, tendo-se licenciado com distinção em junho de 1955. Quase uma década depois, descreveu esta experiência no romance semiautobiográfico The Bell Jar (A Campânula de Vidro), publicado em 1963 sob o pseudónimo Victoria Lucas.

sylvia plath bell jarEm outubro de 1955, ganhou uma bolsa de estudo Fulbright e passou dois anos a estudar literatura no Newnham College em Cambridge, Inglaterra, onde conheceu o poeta Ted Hughes, com quem casou no ano seguinte. Depois de ter concluído os estudos, em 1957, foi-lhe proposto um lugar de professora no Smith College e regressou com Hughes aos Estados Unidos. Embora, a princípio, estivesse entusiasmada com a perspetiva do ensino, Plath desiludiu-se com a falta de tempo que lhe restava para escrever. Um ano depois, aceitou o trabalho de rececionista no Massachusetts General Hospital, em Boston.

Em 1959, frequentou aulas de poesia com Robert Lowell, que a influenciou bastante, e, em dezembro, regressou com o marido a Inglaterra. Em Londres. Sylvia deu à luz Frieda, em abril de 1960. Em outubro, é publicado The Colossus and Other Poems. No verão seguinte, a família mudou-se para Court Green, em North Tawton, Devon. O filho de Sylvia e Ted, Nicholas Hughes, nasceu em janeiro de 1962. Em julho, Sylvia descobre que Ted tem um caso com Assia Wevill, pelo que o casal se separa em setembro, depois de uma relação problemática.

Por detrás da notoriedade que começava a conquistar, Plath sofria de problemas psicológicos por resolver. Alguns destes conflitos interiores tinham origem na morte do pai, ao passo que outros eram motivados pelas atitudes repressivas da época: As mulheres não deveriam exteriorizar a o mal-estar nem ter ambições ou uma carreira, sendo obrigadas a encontrar a satisfação na vida doméstica e conjugal. Era mais uma das contradições na vida de Plath, que começou a desagregar-se quando se separou de Hughes.

Em dezembro de 1962, regressou a Londres com os filhos, instalando-se no nº 23 de Fitzroy Road, em Primrose Hill, um pequeno apartamento onde em tempos vivera o poeta William Butler Yeats. Era o inverno rigoroso de 1962-63, um dos mais frios do século, e Plath estava doente e sem dinheiro.

As dificuldades pareceram motivar a sua necessidade de escrever, e trabalhava entre as quatro e as oito da manhã, a um ritmo frenético, muitas vezes completando um poema por dia. Nestes últimos poemas, é atribuída à morte uma atração cruel e física, e a dor psíquica torna-se quase táctil.

Durante os primeiros meses de 1963, a depressão de Sylvia Plath agravou-se, e o seu médico indicou uma enfermeira para a acompanhar. Isolada e em desespero, escreveu os restantes poemas de um manuscrito intitulado Ariel, que deixou em cima da escrivaninha. Suicidou-se a 11 de fevereiro de 1963. Tinha 30 anos.

Os pormenores do suicídio de Plath assumiram grande importância para diversos admiradores, que a descreviam como uma espécie de “sacerdotisa do sofrimento”, “Marilyn Monroe da poesia” ou “inspiradora do movimento feminista”. Antes da sua morte, poucos tinham ouvido falar da expatriada de 30 anos. Mas, com a publicação póstuma de Ariel, um volume intenso e violento, nascia a lenda de Sylvia Plath. Publicado em 1965, tornou-se num dos livros de poesia mais vendidos em Inglaterra e nos EUA, no século XX. Em 1971, The Bell Jar, o romance acerca do esgotamento que sofreu durante a faculdade, foi também um best-seller.

Seguiram-se, no mesmo ano, as coleções póstumas Crossing the Water e Winter Trees; dotadas de imagens alucinantes, técnica brilhante e grande poder emocional. Em 1981, quase 20 anos após a sua morte, Sylvia Plath foi postumamente galardoada com o Prémio Pulitzer por toda a sua obra poética: The Collected Poems.

O COLOSSO E OUTROS POEMAS

sylvia plath colossusDesde cedo, Sylvia Plath começou a organizar poemas, planeando a sua primeira antologia. Quando assinou o contrato de publicação para O Colosso, a 11 de fevereiro de 1960, em Londres, a obra já tivera diferentes títulos. A certa altura, Plath, indecisa, quis extrair poemas antigos e substitui-los por outros mais recentes, pelo que o volume consiste numa combinação de ambos.

A obra foi analisada exaustivamente e de modo contraditório – os poemas de Plath são muitas vezes enigmáticos e sugerem inúmeras interpretações. O poema «O Colosso» pode inspirar-se no pai, Otto Plath (com quem tinha uma relação de amor-ódio, devido à sua morte), mas também pode ser a musa inspiradora, o “pai criativo” que a narradora tem forçosamente de construir sob uma forma masculina. A referência mitológica aos céus de Oréstia não é fortuita. Nesta trilogia, Electra, filha de Agamemnon, pede ao irmão para matar a mãe e vingar a morte do pai (donde Freud retirou a expressão “complexo de Electra”, o equivalente feminino ao de Édipo). Plath interessava-se pela mitologia e escreveu, em 1959, um poema intitulado «Electra on Azalea Path», onde vai ainda mais longe: «Foi o meu amor que nos matou aos dois.» Azalea Path é onde se encontra o túmulo do pai.

Em «Para Sempre nas Profundezas», [«Full Fathom Five»] o título é retirado de Shakespeare (The Tempest, Acto I, cena ii):

Full fathom five thy father lies,
Of his bones are coral made;
Those are pearls that were his eyes:
Nothing of him that doth fade,
But doth suffer a sea-change
Into something rich and strange.

Um dos títulos provisórios de O Colosso e Outros Poemas foi justamente Full Fathom Five. Trata-se do primeiro poema que Plath escreveu, elevando o pai a um nível mítico, numa altura em que lia um livro de Jacques Costeau sobre o mundo submarino. Em «A Filha do Apicultor» também existem referências explícitas ao pai e ao livro que este escreveu: Bumblebees and Their Ways.

A 20 de janeiro de 1959, Plath escrevia: «Terminei um poema neste fim-de-semana, chamado “Point Shirley”, relembrando a minha avó. É evocativo, não é tão unidimensional.»[1] «Dois Panoramas de Uma Sala de Cadáveres» descreve uma experiência verdadeira, relatada em The Bell Jar. O mesmo sucede com «Suicídio em Egg Rock», uma sequência do romance em que a personagem ‘Esther’ (Sylvia) se tenta afogar voluntariamente. Plath começa aqui a explorar os seus estados psicológicos, o que mais tarde viria a dar origem aos poemas intensos de Ariel.

Sylvia Plath Typewriter

Em setembro de 1959, Plath e Hughes foram convidados para integrarem Yaddo, uma comunidade de escritores, compositores e artistas, fundada em 1900, nos arredores de Saratoga Springs, Nova Iorque. «O Jardim da Casa de Campo» descreve os jardins de Yaddo, numa época em que Plath estava grávida. Dedicou-o ao seu filho a quem já dera o nome de Nicholas, embora, cinco meses depois, nascesse uma rapariga, Frieda. «As Termas Queimadas» eram as ruínas de uma velha estância, também em Saratoga Springs. O poema sobre Granchester Meadows, junto ao rio Cam, em Cambridge, é, segundo a própria autora, um trabalho de “pura descrição”.

De acordo com Ted Hughes, em «O Touro de Bendylaw» há uma referência explícita ao volume English and Scottish Popular Ballads, (1883) onde surge o seguinte fragmento:

The Great Bull of Bendy-law
Has broken his band and run awa
And the King and a his court
Canna turn that bull about

«A Despedida do Fantasma» baseia-se num quadro de Klee, ao passo que «Lorelei» se inspira, em parte, no fascínio que Ted Hughes tinha pelo sobrenatural e pelas experiências com tábuas de Ouija. Por divertimento, Plath escreveu um “poema-livro”, como lhe chamou, acerca das Sereias do Reno[2]. A frase “embriaguez das grandes profundezas” é também retirada do livro de Costeau, sendo uma referência direta à desorientação provocada pela falta de oxigénio. «Escultor» foi inspirado por uma visita que a autora fez ao estúdio do escultor Leonard Baskin e pelos “mortos” de bronze que viu espalhados pelo soalho. Nas mesmas linhas, «A Partícula na Visão» baseia-se num dia em que Plath apreciava a paisagem e uma partícula lhe entrou na vista.

O poema sobre Rock Harbor, em Cape Cod, agradou bastante a Plath e ainda mais quando foi aceite pela The New Yorker, o que significava uma grande notoriedade na época.

«As Musas Inquietantes» permanece até hoje um dos seus poemas mais interessantes. Numa leitura que fez para a BBC, em 1957, Sylvia Plath comentou: “O título foi retirado de um quadro de Giorgio de Chirico. Ao longo do poema, tenho em mente três figuras enigmáticas do quadro, três manequins terríveis, com vestes clássicas. Estas bonecas sugerem uma versão século XX de outros trios sinistros de mulheres, as três Parcas, as feiticeiras de Macbeth, ou as irmãs de De Quincey.»[3]

sylvia plath type«Cogumelos» foi um dos últimos poemas escritos para O Colosso, e Plath descreveu-o como um “exercício”, um jogo de rimas que quase soam infantis, embora sejam habilmente trabalhadas. «As Pedras» uma das secções de um poema mais longo, de novembro de 1959, «Poem for a Birthday», marca um ponto de viragem na obra de Plath, que já se sentia frustrada com o rumo da sua poesia. «As Pedras» – que parece um relato da sua primeira tentativa de suicídio, em que Plath foi encontrada, depois de ter ingerido barbitúricos e se ter escondido na cave de sua casa – já não recorre à mitologia ou às lendas.

Quando O Colosso foi publicado, Plath estava satisfeita com a seleção e o conteúdo, e aguardava ansiosamente as críticas. Em Inglaterra, estas ficaram aquém das expectativas. Mas, nos EUA, a situação foi pior: apenas referências esporádicas ao lançamento, nunca tendo surgido uma crítica no New York Times Book Review ou em qualquer jornal de relevo.

“Plath trabalhara arduamente em O Colosso, que passara por diversos rascunhos. Será que desperdiçara todos aqueles anos em que escreveu os poemas? Eventualmente, só pôde concluir que desperdiçara o seu tempo. A receção da obra foi um rude golpe para ela.»[4]

Depois de ter passado grande parte da sua vida adulta a escrevê-lo, comentou, desanimada: “É um livro bonito para oferecer.” Mais tarde viria a considerá-lo “juvenil”. Apenas depois da sua morte, da publicação de Ariel e de outras obras, Plath obteve o reconhecimento merecido e O Colosso foi visto a outra luz.

Ainda que esteja sepultada no cemitério de Heptonstall, em West Yorkshire, Inglaterra, Plath não tem lápide. Em 1963, Ted Hughes colocara uma pedra com a inscrição, “Sylvia Plath Hughes, 1934-1963, mesmo entre labaredas ferozes – o lótus dourado pode ser plantado”. Depois de muitos admiradores da poetisa terem riscado várias vezes o nome “Hughes” da inscrição, e de três substituições ao longo dos anos, um residente colocou na sepultura uma cruz de pau atada por cordas e escreveu, simplesmente, com tinta verde: “Sylvia Plath”.

David Furtado       

(Adaptado do prefácio da tradução que fiz de The Colossus and Other Poems, a qual foi aceite por uma editora que entretanto faliu, e também por outra, cuja resposta definitiva, acerca da publicação, aguardo há oito anos. O livro continua inédito em Portugal.)

[1] Sylvia Plath, The Collected Poems, HarperPerennial, Nova Iorque, 1992, p. 288.
[2] «Lorelei» denomina as sereias de uma lenda germânica, cujo canto atrai os barqueiros do Reno para o naufrágio nos recifes.
[3] Sylvia Plath, The Collected Poems, HarperPerennial, Nova Iorque, 1992, p. 276.
[4] Paul Alexander, Rough Magic: A Biography of Sylvia Plath, Da Capo Press, 1999, p. 278.

Anúncios

6 Comments Add yours

  1. André diz:

    A Sylvia Plath fascina-me desde a muito. Ja li A Campanula de Vidro, e e sem duvida um livro muito bom e intenso, embora tenha tido bastante dificuldade a le-lo devido a protagonista ser tao desagradavel. Na altura fiquei bastante desiludido, pois tinha uma outra ideia da Sylvia Plath, derivada do filme com a Gwyneth Paltrow, que eu gostei muito. Agora estou a ler o livro Ariel e estou a adorar. Os seus poemas sao intensos, emocionantes e com imagens fortes. E pena que o Colossos nao esteja traduzido para portugues, porque adorava le-lo.

    1. Olá, André. Realmente a Sylvia Plath é uma poetisa um pouco… “deprimente”, em muitas situações da sua obra, o que, é claro, não lhe tira o mérito. Eu conhecia já a obra quando vi o filme, e estava alertado de que não era um retrato especialmente fiel da autora ou da sua vida. É muito romantizado. Apesar de Gwyneth Paltrow ser boa atriz, não acho que tenha sido a melhor escolha para o papel. (A maioria das críticas ao filme dizem basicamente o mesmo.) O filme acaba por ser um complemento para os admiradores de Plath e não o desaconselho.

      Ariel é considerado por muitos a melhor obra dela. Gostei muito desse. Boa leitura. Traduzi o Colossus and Other Poems e até o postava aqui, mas há direitos de autor envolvidos. Uns poemas, sim, mas a obra inteira, julgo que não é possível.

      Obrigado pelo comentário.

  2. André diz:

    Muito obrigado pela resposta, caro David. Se me permite, devo dizer que o facto de a sua obra ser depressiva, por assim dizer, e que lhe da qualidade. E vou ainda mais longe: é a sua vida tragica que a fez tornar-se uma grande autora, uma das maiores do seculo XX. Como se diz, a felicidade nao faz obras primas. Normalmente e o sofrimento que leva a criaçao das grandes obras. Pelo menos e essa a ideia que tenho.

    Alias, é a sua vida que me fascinou e me levou a procurar a sua obra. A sua depressao, o seu casamento turbulento, o seu suicidio. Foi isso que me levou a gostar dela. Mas a verdade e que, a ser a Esther a Sylvia, tinha uma ideia totalmente errada dela. Eu via nela uma pessoa depressiva e fragil, vitima nao so da sua doença, com tambem do epoca em que viveu. E de facto, a ser objetivo, tudo isso se encontra n’ A Campanula de Vidro. O que me chocou, e que me levou a desistir do livro duas vezes, foi a personalidade desagradavel, irritante, e ate cruel da protagonista. E a questao e que nao e uma ou duas vezes, ela e sempre assim, e nao ha nada que a salve. Nao ha nenhum gesto de compaixao ou generosidade mostrado, que me lembre. E tambem nao ha uma fragilidade vulgar, no sentido de ela sofrer muito e chorar. Alias, que me lembre ela raramente chora no livro, talvez uma ou duas vezes. Ela nao se queixa ou lamenta. E mais uma especie de raiva que ela tem, uma raiva contra as pessoas, contra o mundo e contra ela propria. Ela nao gosta da mae e nao tem nenhum motivo para isso; trata rispidamente o homem que lhe tirou a virgindade; nao sente nada pela morte da Joan, alias, chega ao cumulo de lhe dizer que a despreza, quando a Joan so a tratou bem. Enfim, o que nao falta sao exemplos. E o filme com a Gwyneth Paltrow nao mostra a Sylvia assim, de todo. E a verdade e que foi por essa Sylvia que eu me apaixonei. Mas tambem e certo que se trata de outro periodo da sua vida, e talvez nessa altura ela ja estivesse diferente, mais madura, nao sei. Eu gostei muito do filme, ja o vi pelo menos 2 vezes, e recomendo a quem estiver interessado na vida privada da Sylvia Plath. O filme aborda pouco a sua obra, mas pelo que li isso deveu-se a sua filha, que impediu o uso dos seus poemas no filme. O que e estranho visto que eles usam alguns dos poemas da Sylvia no filme, mas pronto, eu nao sei muito bem como funciona isso dos direitos de autor.

    Eu gostaria de ler alguns dos poemas do Colossos. Sera que podia por os poemas Dois Panoramas de Uma Sala de Cadáveres, As Pedras e Suicídio em Egg Rock? Muito obrigado desde já.

    1. Caro André, isso é quase uma autêntica análise literária! Quanto ao primeiro parágrafo, concordo, embora não seja 100 por cento das vezes assim. Não me vou alongar sobre A Campânula de Vidro pois já o li há uns 10 anos. Sylvia Plath era uma pessoa complexa, não teve uma vida fácil e, além disso, pelo que li, tinha já uma tendência inata para a depressão, sem contar com estes factores.

      O filme, também o aconselho. Mas lá está, não é uma biografia muito rigorosa. Não explora suficientemente o lado negro de Plath, é mais uma “Plath para apelar a grandes audiências”, foi o que achei, e isso torna-se um pouco estranho. Tem demasiado glamour e não foca aspetos que devia focar. Acho que uma atriz como Molly Parker, por exemplo, seria uma escolha bem mais acertada, pois está habituada a papéis fora do vulgar. Mas também não sou crítico de cinema.

      Quanto aos poemas, sim. De nada.
      Obrigado eu.

  3. I.R. diz:

    Li a redoma de vidro e fiquei fascinada com o livro. Ele mostra o sofrimento da protagonista e todas suas dúvidas de uma forma muito real, sem enfeites. Ela não consegue encontrar uma forma de agir e sente que tem que ser a melhor em tudo, e isso a pressiona. Parece que não vai conseguir manter tudo sob controle. Talvez Esther seja um pouco cruel, mas talvez seja apenas porque ela se mostra como é, no livro a autora não precisa agradar ninguém. E o que é a compaixão senão uma forma de fingir para os outros e calar a própria consciência?
    Parabéns e obrigado pelo texto.

    1. Olá, I.R. Nesse livro, a Sylvia Plath é Esther. É autobiográfico. Não me recordo que tenha grandes variações sobre o que realmente se passou. Aliás, até o publicou sob pseudónimo originalmente, se não estou em erro. Não acho que a compaixão seja “uma forma de fingir para os outros e calar a própria consciência”. Talvez tenha percebido mal o que quis dizer. Obrigado pelo comentário.

Comentários:

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s