Retrospetiva John Carpenter, parte 2: O Vírus da Criatividade

Desde meados dos anos 70 que Stuart Cohen queria levar ao grande ecrã o conto de John W. Campbell, «Who Goes There?», de 1938, já filmado em 1951 com o título The Thing From Another World, justamente por Howard Hawks. As circunstâncias reuniram-se em 1980, quando Cohen, David Foster e Lawrence Turman conseguiram um contrato com a Universal. Foi o ponto alto da carreira de Carpenter. A  partir daí… “Não sabia para onde me virar, não pensava em questões como a minha visão artística, queria apenas sobreviver.”

Kurt Russell faz uma estranha descoberta em The Thing.
Kurt Russell faz uma estranha descoberta em The Thing.

O problema foi que a estreia de The Thing (Veio do Outro Mundo) coincidiu com a de E.T., que retratava um alienígena amigo dos humanos. A visão de Carpenter, por seu turno, é niilista, soturna, angustiante e profundamente pessimista em relação ao destino da Humanidade. Por este motivo, The Thing, uma das melhores obras do cineasta, senão a sua obra-prima, foi um fracasso de crítica e público, tornando-se, com o passar dos anos, num filme de culto, estatuto merecido.

Nas palavras de Carpenter, “The Thing tem a ver com o facto de se perder a humanidade. A ‘coisa’ pode representar a ganância, a inveja ou qualquer um dos males usuais a que o ser humano está sujeito. Pode sempre surgir algo nas nossas vidas que nos pode infetar. Por vezes, escolhemo-lo, para nosso benefício, perdendo parte do que nos humaniza”.

Desta vez, na Antártida, um grupo de cientistas está confinado a uma base e desligado do resto da Humanidade. Um cão é perseguido até à base por um helicóptero norueguês. Os americanos salvam o cão e liquidam o norueguês, sem saber que o cão não é um cão, mas sim, uma réplica de um organismo que imita seres vivos. O seu objetivo: A sobrevivência. Com uma banda sonora extraordinária de Ennio Morricone, Carpenter cria ambientes de paranóia e terror, expandindo os limites do que já fora feito em cinema.

Mesa redonda com John Landis, David Cronenberg e John Carpenter (na altura em que trabalhava em The Thing):

Uma produção repleta de revezes e atrasos, nomeadamente a nível de efeitos especiais, The Thing (que agora completa 30 anos) foi também um desafio para os atores, que filmaram os exteriores com temperaturas negativas em Stewart, na fronteira entre a Colúmbia Britânica e o Canadá, e os interiores em autênticas arcas frigoríficas durante um verão quente em Los Angeles. Rob Bottin sofreu um esgotamento, já que trabalhou incansavelmente, dormindo no set, sem saber muito bem qual o aspeto da criatura, na cena a ser filmada poucos dias depois. Ainda por cima, as instruções de Carpenter não passavam do “faz com que seja assustador”. O resultado final foi admirável, mas a obra marcou um ponto de viragem bizarro na carreira de John Carpenter.

“Foi uma revolução total, de uma ponta a outra. Na altura, pensei, e ainda hoje penso, que realizara um filme de monstros muito assustador, poderoso e forte, diferente de todos os outros. Mas… que timing! Entre outras coisas, aprendi que não importa se somos bons profissionais, nem a grandeza do trabalho, teremos de competir com outros filmes lançados na mesma época. E.T. estreou antes do nosso filme e tornou-se num êxito gigantesco. E a sua mensagem era a oposta de The Thing.”

O fracasso foi de tal ordem que Carpenter foi despedido da Universal e ninguém o queria contratar. “Eu era um tipo que fazia uma espécie de violência pornográfica. Não sabia para onde me virar e, certamente, não pensava em questões como a minha visão artística, queria apenas sobreviver. Se The Thing tivesse resultado, a minha carreira teria sido muito diferente.”

LIMBO

Foi nesta altura (1983) que surgiu o projeto Christine (O Carro Assassino), baseado numa obra de Stephen King. A admiração que sentia pelo escritor amenizou o facto de a proposta se tratar de uma tábua de salvação, mais do que outra coisa. “Pela primeira vez na vida, realizei um filme pelo qual não sentia nada.”

Keith Gordon ouve as instruções do realizador.
Keith Gordon ouve as instruções do realizador no set de Christine.

O realizador esforçou-se, tendo inclusivamente composto a banda sonora em colaboração com Alan Howarth, mas, sentindo-se “ferido” pelo que acontecera em The Thing, não foi capaz de conceber uma obra inspirada. Carpenter teve a palavra final sobre o casting, e as filmagens decorreram sem problemas. Christine não foi nem um êxito nem um flop, caindo no estagnante limbo que divide ambos. “Eu precisava de um êxito nessa altura da minha carreira, mas não foi o caso”, recorda Carpenter.

Os fãs pouco tinham visto do Carpenter clássico em Christine, e o mesmo sucedeu em Starman (O Homem das Estrelas), de 1984, embora sejam filmes de que o realizador não tem de se envergonhar. Mas a angústia e a paranóia de The Thing ou o suspense de Halloween não marcam presença aqui. Curiosamente, Starman foi um produto da moda que E.T. ajudara a instalar: a dos “extraterrestres amigos”. Por esta altura, Carpenter queria, compreensivelmente, realizar um filme “mais ligeiro, onde pudesse expressar um ponto de vista mais positivo. Embora também seja um filme triste e sentimental. Foi algo que quis tentar, já que também tenho essa faceta”.

Karen Allen e Jeff Bridges em Starman.
Karen Allen e Jeff Bridges em Starman.

Starman foi o filme com mais close-ups dos rostos dos atores, já que, segundo afirma, “tudo tinha a ver com eles”. Carpenter pôde contar com o excelente desempenho de Jeff Bridges, nomeado para o Óscar de Melhor Ator. A relação com o produtor Michael Douglas também correu bem. Encontraram-se antes das filmagens e no final da rodagem. Sugeriu-lhe que não fosse tão linear e que Jack Nitzsche compusesse a banda sonora. “De resto, está tudo bem.” “Nunca tive uma relação tão boa com um produtor”, reflete Carpenter.

“JACK BURTON! ME!”

Big Trouble in Little China (As Aventuras de Jack Burton nas Garras do Mandarim) foi uma tentativa bem sucedida de regressar a um território mais próximo das suas intenções. Tendo como protagonista Kurt Russell, a obra pretendia ser uma homenagem aos filmes de artes marciais que Carpenter tanto admirava desde meados dos anos 70. “’Jack Burton’ é um idiota e sempre será. Nunca percebe nada do que se passa em seu redor e reclama os créditos de tudo.” O projeto era tão estranho que parecia impossível a 20th Century Fox apoiá-lo, mas Carpenter reuniu um elenco adequado, onde sobressaía a inconfundível Kim Cattrall, bem como Dennis Dun, James Hong e Victor Wong.

big trouble in little china

Nesta aventura desenfreada, em que Carpenter e Russell demonstram talento para a comédia, o herói, ‘Jack Burton’, um camionista que conduz o “Expresso da Costeleta de Porco”, é arrastado para uma batalha mística em Chinatown, da qual pouco compreende. Apesar de ser uma homenagem que mistura vários géneros e de ser um filme, acima de tudo, divertido, o público queria ver Kurt Russell no papel de anti-herói e não no de palhaço, como aqui sucede. Quanto à receção do filme, John comenta: “Ninguém o entendeu. Como já disse, o timing nunca foi o meu forte, no que diz respeito a estreias. A crítica e o público acharam que era mau e não há nada que eu possa fazer acerca disso.”

SEM PENITÊNCIA

Depois do fiasco ingrato de Big Trouble in Little China, Carpenter regressou aos baixos orçamentos do cinema independente. Assinou um contrato com a Alive Films, que lhe garantiu três milhões de dólares por projeto. O primeiro foi Prince of Darkness (O Príncipe das Trevas).

“O diabo é a personificação do mal, e eu sempre achei que o mal está em todo o lado. A ideia do diabo sempre me confundiu um pouco. Segundo percebo, e não sou perito, o diabo é Lúcifer ou Satanás ou o que lhe queiram chamar, um santo que se revoltou no Céu antes da Terra ser criada. Confunde-me o facto de o Mal absoluto ter surgido num lugar de Bem absoluto. O que quer isso dizer? Quer dizer que o Céu é o lugar mais perfeito que existe? Não estou convencido, já que a crença literal parece demasiado fácil.”

O filme marcou o regresso de Donald Pleasence, Victor Wong e Dennis Dun, acompanhados aqui por Lisa Blount e Alice Cooper num pequeno papel. Carpenter releu Lovecraft para se inspirar, tendo construído Prince of Darkness num crescendo, tal como os contos do escritor. As limitações do orçamento tornaram os efeitos especiais inovadores, já que, nesse capítulo, as verbas eram zero. “Os críticos odiaram Prince of Darkness tanto como The Thing. Ainda hoje fazem troça do filme. Permaneço impenitente”, ironizou o realizador.

john carpenter 2

A obra seguinte, They Live (Eles Vivem), foi um repisar das condições vividas no cinema série B. E deu que pensar aos fãs. Carpenter, ao fim de tantos anos e com provas dadas, continuava a trabalhar em obras restringidas por orçamentos ínfimos, embora fosse já considerado um cineasta de renome na Europa, especialmente em França. Realizou They Live por estar farto que lhe dissessem, vezes sem conta, que é benéfico ser-se consumidor.

“Nós compramos coisas, acumulamo-las e deitamos dinheiro fora, mas já não fazemos nada de bom. Foi uma reação mais a nível intelectual do que emocional. O filme opõe-se ao capitalismo desenfreado. Já que não acho o marxismo uma solução, não direi que é um filme marxista”, explica.

‘John Nada’ é o herói que se revolta contra os alienígenas que querem controlar a Terra. A ex-estrela de wrestling Roddy Piper foi a escolha de Carpenter para o papel. Sobressai o facto de ser um filme de baixo custo, mas, tendo em conta o ataque ao capitalismo, tal até se torna adequado.

Supervisionando a
Supervisionando a “caracterização” em They Live.

MEMÓRIAS DE UM REALIZADOR…

John Carpenter entra então numa fase de marasmo inaudito. Memoirs of an Invisible Man (Memórias de um Homem Invisível), um guião de William Goldman, foi um projeto originalmente atribuído a Ivan Reitman. Em Abril de 1990, Carpenter aceitou realizar, na condição de que o script fosse reescrito. A produção foi apressada pela Warner Brothers, visto que os cenários tinham de ficar livres para Batman Returns. Ou seja, nada se conjugou.

De acordo com o realizador, “Chevy Chase queria iniciar uma carreira de ator sério, o problema foi esse. Tentámos passar essa linha e não resultou! Ele era a estrela e admitiu a derrota quando o filme não foi um grande êxito, por isso, mostrou coragem, de certa forma. Ainda me envia um cartão de Natal todos os anos”.

Já que não era referido no argumento quando Chase estava visível ou não, tal ficou ao critério do realizador. Com alguns efeitos dos primórdios da CGI, esta comédia romântica com um toque de ficção científica deixou os admiradores do realizador a imaginar o que lhe iria na cabeça.

Carpenter regressa à televisão para dois segmentos do telefilme Body Bags, «The Gas Station» e «Hair», ficando o terceiro a cargo de Tobe Hooper. In the Mouth of Madness (A Bíblia de Satanás) foi uma espécie de sequela de Prince of Darkness. Estas duas obras, juntamente com The Thing, compõem uma trilogia, segundo Carpenter. “São filmes que abordam o fim do mundo e contemplam o fim, cada um à sua maneira.” Contudo, In the Mouth of Madness não possui a mesma atmosfera dos clássicos de Carpenter e a sua narrativa, retratando a jornada de um cínico que se perde no imaginário de um escritor de terror, acaba por ser intangível, assemelhando-se à tentativa mal escondida de dissimular a falta de inspiração num filme experimental.

Daqui, John Carpenter partiu para outra obra menor, o segundo remake da sua carreira, Village of the Damned (Cidade dos Malditos). Mais uma vez, não foi a primeira escolha para a realização. Depois de Wes Craven, aceitou realizá-lo, uma vez que apreciava bastante o original de Wolf Rilla. Se compararmos as duas obras, vemos por que motivo Carpenter fracassou: O original contém todos os elementos narrativos e visuais expostos de uma forma inteligente, pelo que o remake não passa de uma atualização – não oferece grande espaço de manobra ao realizador, que parece ter entrado em piloto automático. Nestas últimas obras, Carpenter enveredava por um estilo cada vez mais asséptico, longe das atmosferas geniais de filmes anteriores.

village of the damned

Acerca das crianças mortíferas de Village of the Damned, Carpenter acentuou que, embora não tivesse medo de crianças, a “grande tragédia seria ter um filho sem consciência, sem culpa, ou um psicopata”. O filme não foi demasiado caro e a Universal deu-lhe liberdade criativa. Um dos poucos méritos da película consiste no facto de ser narrado do ponto de vista feminino, algo que, segundo o cineasta, faltava à obra original. “As esposas que davam à luz estes estranhos bebés eram uma espécie de personagens secundárias sem voto na matéria. Achei estranho e foi por isso que incluí mais personagens femininas.”

Carpenter enfrentou algumas dificuldades ao dirigir crianças, o que ficou patente nas diretivas que deu à pequena Lindsay Haun: “Expliquei-lhe que, às vezes, uma pessoa má fala num tom muito calmo e ponderado. Mal administrei esta brilhante amostra de direcção, ela começou a enganar-se nas deixas.”

Apesar de tudo, o elenco é um dos pontos fortes do filme, que inclui Christopher Reeve (no último filme que completou antes do acidente que o deixou tetraplégico, em 1995), Kirstie Alley, Mark Hamill e Linda Koslowski.

A recepção foi morna, e Carpenter culpou novamente o seu mau timing. “A distribuição foi má, mas houve mais problemas. O filme saiu por alturas da bomba em Oklahoma City. Muitas crianças morreram nessa altura, e ninguém quis ver o nosso filme. (Recorde-se que, em Village of the Damned, Christopher Reeve utiliza uma bomba para aniquilar as crianças maléficas.)

John Carpenter ainda não tinha feito uma coisa para irritar os fãs mais dedicados: Imitar-se a si mesmo. Mas os fãs não contavam com uma sequela de Escape from New York, desta vez, passada em Los Angeles…

“SNAKE IS BACK…”

Embora não fosse concebido como uma sequela, Escape from L.A. (Fuga de Los Angeles) acabou por encaixar nessa definição. Na altura em que foi lançado, e depois de um passado recente tão calamitoso como o de Carpenter, as opiniões dividiram-se. Tal como Dario Argento completou a trilogia das Três Mães num momento de fraca inspiração – realizando o execrável La Terza Madre –, Carpenter optou por dar aos fãs o que eles ambicionavam: O velho ‘Snake’ numa nova aventura.

escape from la

Na verdade, a ideia remontava a 1985. Em 1992, os motins em Los Angeles deram alento ao projeto e, durante dois anos, Carpenter, Debra Hill e o próprio Kurt Russell trabalharam no guião. Em 1996, o filme surgiu nos ecrãs, quase no ano em que os acontecimentos do primeiro filme deviam ter ocorrido. “Suponho que Escape from New York e Escape from L.A. são visões sombrias de um futuro sombrio. Se pegarmos no que vemos agora e o tornarmos mais sombrio, temos o futuro.”

Quando o inquiriram acerca da criminalidade e da vida moderna, respondeu que “nunca é tarde para mudar as coisas, mas não vejo sinais dessa esperança. Se tivéssemos tempo, resolveríamos esse problema, mas somos demasiado estúpidos e egoístas. Não se pode idealizar nada. Nenhuma criança é perfeita. Nenhum ser humano no Planeta é, em essência, bom. Há pessoas totalmente más que dormem descansadas.”

Kurt Russell ambicionava vestir a pele do personagem que tanto adorava, pelo que se empenhou no projeto, a tal ponto que tanto ele como Carpenter se deixaram levar pela nostalgia e não criaram “nada de novo”, comenta o realizador. O esquema da narrativa é idêntico: Estamos em 2013, Los Angeles é uma prisão de segurança máxima e ‘Snake’ tem de lá entrar para resgatar a filha de um presidente puritano, de nome ‘Utopia’, que é agora namorada de ‘Cuervo Jones’, figura muito parecida com Che Guevara. Todos estes elementos jogam a favor de Carpenter, que faz uma crítica ácida aos EUA. Tal como se pode subentender neste diálogo em que ‘Malloy’, desempenhado por Stacy Keach, confronta ‘Snake’:

Snake Plissken: Tens um cigarro?
Malloy: Os Estados Unidos são uma nação de não fumadores! Não ao tabaco, às drogas, ao álcool, às mulheres, a não ser que se seja casado, aos palavrões, à carne vermelha!
Snake Plissken: Terra da liberdade…

Para esta obra, que representou um certo regresso à forma, o cineasta reuniu atores como Peter Fonda, Pam Grier e Steve Buscemi.

Mas o estúdio não tratou Carpenter como um autor: “Tive um dia, apenas um dia, para pensar na versão final do filme e entregá-la. Os realizadores estão-se a tornar cada vez menos importantes para um filme. Os estúdios estão a usurpar lentamente o nosso poder.”

VAMPIROS E MARTE

O realizador parece ter captado o momento de inspiração, já que, no filme seguinte, Vampires (1998), baseado no romance de John Steakley, Vampire$, criou mais um western moderno. O cifrão do título original foi retirado, visto que os caçadores de vampiros do livro enriqueciam ao caçá-los, ideia que Carpenter rejeitou. Assim, surge um novo herói ‘Jack Crow’ (James Woods) cujos pais foram mordidos por vampiros, tornando-se caçador incansável destas criaturas.

vampires

Durante a rodagem, Carpenter deu-se bem com James Woods, ator com fama de ter um feitio difícil. “Ele é uma força com a qual temos de lidar, sem dúvida.” Sheryl Lee e Daniel Baldwin completavam o elenco, e a banda sonora era do realizador.

Se John Carpenter ambicionava realizar um filme sobre vampiros à sua maneira, também pretendia realizar um sobre Marte. Em 1999, submeteu finalmente o guião intitulado 2176 A.D. Mars à Screen Gems. Duas semanas antes das filmagens começarem, Courtney Love torceu um tornozelo, pelo que o papel principal foi dado a Natasha Henstridge.

Segundo diz, Carpenter queria fazer um filme sobre Marte “desde os anos 80. Por três motivos: a nostalgia, a cor e o simbolismo.” A nostalgia devia-se aos filmes de ficção científica que vira em criança; queria realizar um filme inteiro no planeta vermelho sem maçar o público e também apelar ao simbolismo de Marte como força sobrenatural. “Projetamos as nossas emoções no planeta: Amor, morte, guerra, luxúria.”

Ghosts of Mars (Fantasmas de Marte) foi, de certa forma, um regresso a Assault on Precinct 13, já que os protagonistas são ambos prisioneiros que acabam por ajudar as forças da lei. A sociedade é matriarcal: “Se considerarmos que a Terra estará sobrepovoada em 2176, quem controlará melhor a reprodução que as mulheres? Além disso, se ficarmos sem recursos naturais, as mulheres poderão liderar de um modo mais cooperador, em contraponto à agressividade competitiva dos homens. Mas parte de mim duvida disto. O poder corrompe todos, incluindo as mulheres.”

ghosts of mars

Por futurista que possa parecer o cenário, Carpenter quis filmar um planeta Marte estilizado, como uma velha cidade do Oeste americano. Chegou mesmo a recorrer, pela primeira vez, a um cliché dos westerns, o assalto ao comboio.

Este filmeencerrou” a carreira de Carpenter durante uma década, em que apenas realizou dois episódios da série “Masters of Horror”. Seguiu-se The Ward. E, daqui a algum tempo, veremos o “western gótico” que planeia. Os fãs, que aguardaram pacientemente 10 anos por uma deceção, podem esperar mais um pouco. Talvez o vírus da criatividade ainda viva em Carpenter.

David Furtado

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