Jimi Hendrix: “Até nos voltarmos a encontrar”

«Fire», de Jimi Hendrix, nem serve de metáfora para descrever as centelhas de polémica que o seu legado provocou ao longo dos anos. O fogo genial do músico mantém-se aceso, 42 anos depois da sua morte, erroneamente apelidada de “overdose”. Como já aqui falei de outros três grandes guitarristas, não é necessária uma efeméride para recordar a vida e o trabalho daquele que é geralmente considerado, “o maior de sempre” e… não há nada a fazer quanto ao tempo.

Desenho de David Furtado.
Desenho de David Furtado.

A história da vida é mais rápida
que um piscar de olhos.
A história do amor
é ‘olá’ e ‘adeus’,
até nos voltarmos a encontrar.

Poema de Hendrix, escrito no dia antes de morrer.

jimi hendrix ate nos voltarmos a encontrar (4)O legado de Jimi é hoje controlado pela Experience Hendrix, que domina tudo relacionado com o nome, a imagem e a música que o guitarrista nos deixou. A empresa foi fundada em 1995 por James ‘Al’ Hendrix, pai de Jimi. O guitarrista não deixou testamento, pelo que Al Hendrix herdou os direitos e royalties das gravações do filho, confiando-os a um advogado, que supostamente enganou Al, convencendo-o a vender esses direitos a companhias pertencentes a si próprio. Al processou-o em 1993 por administrar de forma incompetente tais bens. O processo foi financiado pelo cofundador da Microsoft, Paul Allen, fã de Hendrix.

Em 1995, Al Hendrix recuperou os direitos de todas as gravações. Diversos álbuns foram então remasterizados a partir das fitas originais e reeditados. Al Hendrix faleceu em 2002, aos 82 anos. O controlo dos bens e da companhia passou então para a meia-irmã de Jimi, Janie. Em 2004, Janie Hendrix foi processada pelo seu meio-irmão, Leon Hendrix, irmão mais novo de Jimi, que fora ignorado no testamento do pai, em 1997.

Recuemos até aos anos que se seguiram à morte de Jimi Hendrix. Durante a década de 70, foram lançados inúmeros discos pirata com faixas de estúdio inacabadas e concertos ao vivo.

A partir de 1993, o produtor Alan Douglas, autointitulando-se detentor do legado de Jimi, remisturou e substituiu partes instrumentais em gravações do músico, o que foi considerado um sacrilégio. Diversos discos surgiram no mercado com faixas bónus, mas com capas diferentes, o que também foi obra de Douglas “para adequar a música de Jimi aos novos tempos”.

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A manobra despoletou uma polémica que contagiou a imprensa musical, com críticos e fãs a discordarem totalmente do produtor, pondo em questão a sua legitimidade. Apesar de quase ter usurpado o legado de Hendrix, Douglas esteve na origem de algumas boas edições do material do músico. Voodoo Soup (1995) é um desses casos. A capa de Moebius também deu um toque interessante ao CD.

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Tendo em conta as batalhas jurídicas e as infindáveis edições póstumas em CD e vinil, é irónico que, enquanto vivo, Jimi Hendrix tenha aprovado a edição de apenas quatro álbuns. Destes, apenas um o satisfez completamente a nível artístico, Electric Ladyland, ainda que lhe desagradasse a capa. A abundância de material deveu-se ao facto de, entre dezembro de 1967 e agosto de 1968, período em que gravou Electric Ladyland, Hendrix ter acumulado canções que poderiam preencher diversos álbuns duplos. E Ladyland já é um álbum duplo.

Antes de falecer, Jimi trabalhava num novo projeto intitulado The First Rays Of The New Rising Sun. Diversas faixas estavam mais ou menos completas e foram editadas sob diversas versões, tornando a obra do guitarrista em CD num verdadeiro quebra-cabeças.

PRIMEIROS RAIOS DO NOVO SOL NASCENTE

jimi hendrix ate nos voltarmos a encontrar (17)“Maior guitarrista de sempre”, “génio incontestável” são as frases geralmente usadas para descrever Johnny Allen Hendrix, nascido a 27 de novembro de 1942, em Seattle. Quatro anos depois, o pai altera-lhe o nome para James Marshall Hendrix. Os pais divorciam-se em 1958. A mãe morre no mesmo ano e, nesse outono, Al Hendrix ofereceu ao filho um ukulele, o que o inspira a comprar uma guitarra por cinco dólares, no final de 1958. O jovem autodidata forma, pouco depois, o seu primeiro grupo, os Velvetones.

Seguiram-se várias bandas que se dissolveram tão depressa como se formaram, até que, em 1961, Jimi se alista na Força Aérea, recebendo treino de paraquedista. Um ano depois, parte um tornozelo num salto e é desmobilizado. Continua então a perseguir a sua paixão pela música, tocando como guitarrista contratado, em 1962, com Buddy Cox, um colega da tropa, em vários clubes de Nashville.

A primeira gravação profissional de Jimi foi com o músico de R&B, Lonnie Youngblood. Em 1964, já atuava com Jackie Wilson e Sam Cooke, acabando por fazer digressões com Little Richard, que o despediu por ter perdido o autocarro a caminho de um espetáculo. (Foi uma desculpa, já que o guitarrista roubava o protagonismo ao presumido Richard.) Hendrix junta-se então a Curtis Knight. Depois de ser segunda figura em tantas bandas, acaba por formar a sua, os Jimmy James and the Blue Flames.

Linda Keith, a namorada do guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, assiste a um dos espetáculos dos Blue Flames, em Manhattan, em junho de 1966 e, entusiasmada, tenta convencer o manager dos Stones a contratar o grupo. Não sendo bem-sucedida, aborda o baixista dos Animals, Chas Chandler, indo ambos assistir a um espetáculo.

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Chas fala com o músico e oferece-se para ser seu empresário em Londres, prometendo torná-lo numa estrela. A 24 de setembro de 1966, Jimi Hendrix desce do avião, prestes a mudar a música para sempre. Logo no dia em que chegou, tocou diante de uma plateia num clube londrino.

FAZER AMOR COM A MÚSICA

Foi-se espalhando a notícia de que um guitarrista sensacional invadira Inglaterra. Isto não lhe diminuía a insegurança, segundo Chas Chandler: “Se não o conhecêssemos, parecia-nos que era autoconfiante, mas estava sempre muito jimi hendrix ate nos voltarmos a encontrar (25)nervoso e eu tinha de falar com ele antes de cada concerto e assegurá-lo de que as pessoas gostavam realmente dele. A melhor coisa era o facto de conseguir sempre dialogar com o público. Se um amplificador pifava, como aconteceu no concerto dos The Who, no Saville Theatre, em 67, começou a conversar amigavelmente com a plateia.”

Alguns comentários de Hendrix eram curiosos. Em Monterey, anuncia: “Vamos tocar «Like a Rolling Stone» de Bob Dylan… e a avó dele está ali”, apontando para Noel Redding, com o seu penteado “afro”. Em Live at Winterland, apresenta «Manic Depression» da seguinte forma: “Vamos tocar uma canção frustrante… é a história de um tipo que desejaria fazer amor com a música em vez de o fazer com a mulher de todos os dias, ok?… (zumbido) É só uma questão de os amplificadores atinarem…”: “Música, doce música/Oxalá pudesse acariciar-te.”

Foi esta a primeira sensação que tive ao ouvir, há 23 anos, «Fire» num disco pirata. Semelhante autoridade e lirismo numa guitarra, fizeram-me olhar para as espiras do vinil como se fossem um disco voador vindo de outra galáxia.

Os problemas com o equipamento deviam-se ao facto de Hendrix usar e abusar da amplificação, material que não durava mais de seis semanas nas suas mãos. Tendo em conta a tecnologia da época, dominava o feedback de forma notável, emitindo-o com duas cordas, tocando a melodia noutras duas e cantando ao mesmo tempo. Era utilizador exímio do pedal de “wha wha”, como comprovou ao vivo em «Voodoo Chile». Tinha também dedos longos e fortes e uma técnica veloz, mas não tocava 10 notas por segundo se tal não se justificasse. Analisar o estilo de Hendrix é o mesmo que dividir a Mona Lisa em componentes. É verdade que muitas vezes destruía as Fender Stratocaster em palco, mas as partes eram recicladas em novas guitarras. Seria o mesmo que falar dos pincéis utilizados por Da Vinci.

O seu primeiro êxito foi «Hey Joe», que, apesar de ser uma versão, teve um impacto estrondoso na época. Seguiram-se singles hoje considerados clássicos, como «Purple Haze» e «The Wind Cries Mary». O sucesso permite-lhe mudar-se, com a namorada Kathy Etchingham, para uma casa no centro de Londres, que pertencera ao compositor clássico, Handel.

A GUITARRA QUE RUGE

O canhoto autodidata, que tocava uma Fender Stratocaster para destros virada ao contrário e com as cordas invertidas, jimi hendrix ate nos voltarmos a encontrar (15)provocou desde logo uma sensação. Eric Clapton foi assistir a uma das primeiras atuações de Hendrix num clube londrino, desejoso por o conhecer.

“Nunca esquecerei a cara de Clapton”, recorda Chas Chandler. “Afastou-se de nós e ficou a observar. Aquilo que Eric viu, assustou-o. E, logo a seguir, aconteceu o mesmo a todos os guitarristas de Londres… ficaram apavorados.”

Sting disse uma vez que “a originalidade é uma questão de disfarçarmos as nossas influências”, mas Hendrix fundiu de tal maneira rock, jazz, blues, soul, funk e psicadelismo que se tornou numa força criativa ímpar. Em estúdios de ensaio, em conversas entre guitarristas, por vezes, envereda-se pela questão de quem é “o melhor”. Quando é evocado o nome de Hendrix, todos ficam sérios: “Sim, mas Jimi Hendrix era… uma pessoa diferente.”

Três décadas antes destes debates, Eric Clapton elogiava, empolgado, os dedos fortes de Jimi, em conversa com o guitarrista de jazz Larry Coryell. Este riu-se e disse: “Realmente, ele agita bem aquelas cordas.” Embora Coryell soubesse que Jimi não tivera um treino clássico, para ele, Hendrix “tinha o talento de alguém como Stravinsky”. Hendrix era também um poeta, autor de composições e poemas que deixariam Rimbaud ou Handel intrigados.

Alcançado o sucesso em Inglaterra, Jimi regressou aos EUA. No Monterey Pop Festival, em 1967, foi apresentado por Brian Jones, dos Rolling Stones: “Diretamente de Londres e a actuar nos EUA pela primeira vez, o guitarrista mais empolgante que alguma vez ouvi: Jimi Hendrix e os Jimi Hendrix Experience.” Os aplausos do público fundem-se com um rugido veloz de guitarra com “fuzz” (a primeira forma de distorção), entre o rockabilly e o rhythm & blues de «Killing Floor».

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Ninguém estava preparado para semelhante força da Natureza, ninguém o conhecia na sua terra natal. Com a guitarra a lançar chispas, executando ritmo e solo em simultâneo, dedilhando, manipulando o “tremolo” e respetivas molas, (dentro do corpo da guitarra) tocando com os dentes e com a guitarra atrás das costas, em solos fulgurantes, Jimi aprisionou a audiência e acabou a visceral atuação a regar a guitarra com gasolina e a deitar-lhe fogo. “Pull out all the stops” foi a expressão por muitos utilizada para descrever a atuação dessa noite. Não havia sinais “stop” para ele.

“SE O SOL SE RECUSA A BRILHAR, NÃO ME IMPORTO”

jimi hendrix ate nos voltarmos a encontrar (5)«Like a Rolling Stone», do seu ídolo Bob Dylan, também integrou o alinhamento. “Dedico esta canção às pessoas com corações e ouvidos”, explicou. Aqui, reviveu os dias em que passou fome em Nova Iorque, a ponto de ficar de lágrimas nos olhos, colocando uma emoção diferente na voz e fazendo as pessoas perceber que não estava a fingir. «Like a Rolling Stone» não é uma canção que se possa interpretar sem se ter passado por muita merda. Era uma canção que apenas Dylan podia cantar… até agora. No festival, participou também Janis Joplin, com quem Hendrix teve posteriormente um encontro sexual num camarim.

A obra de Hendrix é uma autêntica Bíblia para qualquer guitarrista que se preze, e são incontáveis as interpretações que poderíamos destacar. Um exemplo é «Machine Gun» do álbum Band of Gypsys, registada na noite de Ano Novo 1969-70 no Fillmore East nova-iorquino, já depois do fim dos Experience. Hendrix começa por desejar “Bom Ano a todos, antes de mais”, acrescentando ironicamente que dedica o tema “a todos os soldados que lutam atualmente em Chicago, Milwaukee, Nova Iorque… ah, sim, e a todos os soldados que lutam no Vietname. Chama-se «Machine Gun». “Homens malvados obrigam-me a matar-te/Homens malvados obrigam-te a matar-me.”

Unindo a voz da guitarra à vocalização, Hendrix expande o tema ao longo de 12 minutos, numa tour de force incomparável em que a guitarra é a extensão da alma. As notas não são processadas pelo cérebro – Hendrix fazia a ligação direta entre emoção e som. Não se trata de uma mera exibição de virtuosidade, sequer. Os sons em catadupa e o feedback evocam a raiva que a guerra inspira a Hendrix, a fúria de um combate num território estranho, quanto mais não seja dentro de um homem; chega a imitar sons de metralhadora, sustentado pelo acompanhamento do baixista Billy Cox e do baterista Buddy Miles, numa autêntica ofensiva sónica. Por vezes, indagamo-nos. Será que um homem de tamanho talento poderia viver muito tempo? O funky «Message to Love» é outro ponto alto de Band of Gypsys. No entanto, Live at Winterland é um registo ao vivo mais equilibrado. Nalguns discos de Hendrix, elaborados à toa por editoras gananciosas, certos temas valem o preço do álbum.

UM IRMÃO ESPIRITUAL: CLAPTON

Eric Clapton foi outro músico a ficar devastado com a morte de Hendrix. Desde o início, havia uma suposta rivalidade entre ambos. A primeira vez que conversaram foi num clube em Londres, enquanto Hendrix dava uma entrevista à Beat Instrumental. Havia um grande respeito mútuo mas, conscientes de que as pessoas faziam muitas comparações nessa época, estavam ambos um pouco retraídos e desconfiados.

Hendrix e Clapton.
Hendrix e Clapton.

Eric ficou algo exasperado por viver à sombra dele: “Toda a gente está obcecada com Jimi Hendrix e, se alguém se atreve a tocar uma frase de blues, é acusado de o copiar!”

jimi hendrix ate nos voltarmos a encontrar (24)A entrevista foi-se tornando mais interessante, à medida que todos ficavam mais bêbedos. E Jimi abordou um dos seus tópicos favoritos, a monotonia da existência: “O enfado de caminhar pela mesma rua, de ir para o escritório, independentemente do facto de ganharmos um milhão de dólares… e apercebemo-nos, de repente, que fazemos o mesmo há 30 anos. Se eu tiver um trabalho a ganhar 500 libras por semana e se me maçar, desisto e vou fazer outra coisa qualquer… quero conhecer o Pólo Norte e as montanhas que dizem existir no Pólo Sul.”

Nesta entrevista, Hendrix abordou também a sua grande paixão: “A música e a vida estão tão entrelaçadas… a música significa tanto… não significa necessariamente as notas que ouvimos. Podem ser notas que ouvimos no íntimo, em pensamento, na imaginação ou até na emoção.” E emocionado ficou. Admitiu que o seu principal interesse ao ter vindo para Londres era conhecer Eric Clapton e, agora, podia dizer-lhe, abraçando-o: “Beijei Eric Clapton… o meu irmão espiritual em Inglaterra.”

Clapton e Hendrix desencontraram-se pouco antes da morte de Jimi, num concerto dos Sly and the Family Stone. Clapton levava uma prenda: “Trazia comigo uma Fender Stratocaster para esquerdinos… encontrara-a na loja Orange Music. Nunca tinha visto uma antes e ia oferecer-lha. Mas estávamos em camarotes opostos. Eu conseguia vê-lo, mas não… nunca mais nos encontrámos.” Clapton viria e recriar «Little Wing» no álbum Layla, em homenagem ao amigo.

QUARTO CHEIO DE ESPELHOS

Eu vivia num quarto cheio de espelhos
Só me via a mim próprio
Peguei no meu espírito e parti os meus espelhos
E agora tenho todo o mundo diante dos meus olhos.

jimi hendrix ate nos voltarmos a encontrar (13)Estes versos de «Room Full of Mirrors» são uma boa metáfora para a arte de Hendrix, que se baseia na dádiva, na partilha e na libertação emocional. O contacto com outros músicos era, para ele, importante a nível pessoal e musical. Na “swinging London” de 1967, Joni Mitchell dava alguns concertos. Deslocou-se a Ottawa para atuar no Capitol Theatre, num concerto em que a outra estrela em cartaz era Jimi Hendrix.

Joni recorda o primeiro encontro: “Depois de ele ter tocado, veio ter comigo, trazendo um gravador. Apresentou-se muito timidamente e disse, ‘importas-te que grave a tua atuação?’ Eu respondi, ‘não me importo nada’. Mais tarde, abandonámos o teatro e fomos para o hotel onde ambos estávamos hospedados. Ele, eu e o seu baterista, Mitch, ficámos a conversar. Era uma situação inocente, mas a gerência do hotel só via três hippies. Éramos outsiders de qualquer modo. Um hippie negro! Por isso, diziam-nos para tocarmos mais baixo. Foi uma noite muito criativa e especial. Tocávamos como se fôssemos crianças.”

Por seu turno, Hendrix escreveu no seu diário as impressões dessa noite. “Cheguei a Ottawa… bonito hotel… conversei com a Joni Mitchell por telefone. Acho que a vou gravar esta noite com o meu excelente gravador (bater na madeira). Fui ver a Joni atuar, uma rapariga fantástica com palavras celestiais. Fizemos uma festa. OK, havia milhões de raparigas… Deixámos Ottawa hoje. Despedi-me de Joni com um beijo.”

Muitos anos depois, quando a Rolling Stone lhe pediu para descrever Hendrix, Joni Mitchell ponderou: “Em três palavras? Sensível. Tímido. Doce.”

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“WILL I LIVE TOMORROW?”

Na noite de 16 para 17 de setembro de 1970, Hendrix atua pela última vez no Ronnie Scott’s Club, em Londres. O guitarrista não estava deprimido nesta época, apenas exausto. Arrebatado pelo seu trabalho, pretendia frequentar aulas formais de música clássica para progredir. Disse à namorada, Monika, que ia tomar alguns comprimidos para dormir e descansar. A 18 de setembro, uma ambulância é chamada ao Hotel Samarkand, onde o músico é encontrado inconsciente, tendo vomitado enquanto dormia. Os socorristas não conseguem reanimá-lo, pelo que é transportado, ainda vivo, para o hospital. Às 11:25 de 18 de setembro de 1970, Hendrix foi declarado morto no St. Mary Abbot’s Hospital, em Kensington.

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Sempre houve muita especulação em redor da morte do guitarrista, sendo esta geralmente atribuída a uma overdose ou suicídio.

Segundo testemunhas oculares, o músico estava vivo na ambulância e, ao empurrarem-lhe constantemente a cabeça para trás, terá sufocado com o próprio vómito. No certificado de óbito, pode ler-se como causa da morte: “Inalação de vómito; intoxicação por barbitúricos (quinalbarbitone); provas circunstanciais insuficientes, veredito aberto.”

Certidão de óbito de Jimi Hendrix. Com tudo (mal) explicado.
Certidão de óbito de Jimi Hendrix. Com tudo (mal) explicado.

A 1 de outubro, Jimi Hendrix foi sepultado no cemitério de Greenwood, em Renton, Seattle. Tinha 27 anos.

“Muito poucos músicos tiveram a oportunidade de trabalhar com alguém tão único quanto Jimi. Ele deu-me o espaço, o tempo, o encorajamento e a inspiração. Tive muita sorte. Sinto a falta do meu amigo hoje, tal como sempre senti”, disse o baterista dos Experience, Mitch Mitchell, em 1990.

É notável como diversos biógrafos dedicaram anos de pesquisa a reunir informação sobre Hendrix. São inúmeros os livros publicados sobre ele. Tony Brown, por exemplo, começou a escrever uma biografia num ZX Spectrum, passando, em 1987, para um Amstrad; analisou artigos, livros, entrevistas, ouviu concertos e registos áudio, todo o material remotamente ligado a Hendrix, que viria a integrar o seu trabalho.

Alguém disse que Jimi Hendrix esteve “de passagem” no nosso planeta. A sua vida foi breve. Nem sequer nos deu tempo de lhe dizer, “Hei, Jimi”. Mas tivemos 42 anos para o “dizer”, ouvindo a sua música e certamente teremos muitos mais, tal como as gerações que nos sucederão. Como o próprio Hendrix disse, “a vida é mais rápida que um piscar de olhos”. Até nos voltarmos a encontrar…

David Furtado

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