Al Pacino: “Is that an Oscar or are you just happy to see me?”

Al Pacino foi nomeado para vários Óscares até vencer, há 20 anos, em 1992, com Perfume de Mulher (Scent of a Woman). Já que era uma pessoa pacata, durante anos recusou-se a ir viver para Los Angeles, ficando em Nova Iorque. Por isso, faltou a muitas festas, não se autopromovia, o que deu origem à “amnésia” de Hollywood, que, como se sabe, não gosta muito de quem não alinha no jogo. Chegou a faltar a cerimónias em que estava nomeado.

Al Pacino anos 70

Os filmes foram passando. Foi nomeado para o Óscar de Melhor Ator Secundário por The Godfather (1972), Dick Tracy (1990) e Glengarry Glen Ross (1992). As grandes injustiças ocorreram nos anos 70, em que, papel após papel, dava tudo o que tinha, era aclamado pelo público, imprensa, colegas, realizadores e batia com o nariz na porta da Academia. Perdeu por: Melhor Ator por Serpico (1973), The Godfather: Part II (1974), Dog Day Afternoon (1975) e …And Justice for All. (1979). Foi nomeado 15 vezes para o Globo de Ouro, vencendo apenas três. Ganhou muitos outros prémios, mas o Óscar era uma incógnita. Ninguém percebia por que motivo um dos génios da arte de representar do século XX não ganhava o galardão. E Pacino comentou:

Achas que merecias o Óscar por O Padrinho II?

Acho que deves pôr as ideias em ordem acerca disso de “merecer Óscares”. Estás algo equivocado…

Não é o facto de não o receberes que te irrita. Mas sim, o facto de outro o ganhar, é isso?

Quem o ganha, merece-o. E porquê? Temos de dizer, “se estes atores fossem médicos e eu tivesse de fazer uma operação ao coração, qual escolheria?” Assim, já conversamos.

Estas coisas preocupam-te?

Deixa que te diga, honestamente: Não me interessa. Estou-me nas tintas.

Em Serpico, foi nomeado pela terceira vez. Durante a cerimónia, estava nervosíssimo: “Pensei que demorava uma hora. Perguntei a Jeff Bridges, que estava ao meu lado, ‘está quase a acabar?’ ‘Não’, disse ele, ‘demora umas três horas’. Comecei a tomar Valiuns como se fossem rebuçados. Quando chegou a altura do ‘melhor ator’, estava tão arrasado dos nervos que me apercebi, ‘não consigo sequer levantar-me da cadeira! Felizmente, ganhou outro ator. Foi um alívio…”

Quando venceu, 20 anos depois, ficou atrapalhado. Os aplausos de pé não ajudaram. Custou-lhe erguer o olhar do discurso e a oratória não foi das melhores. Parecia que entrara no palco por acaso. Falou de uma rapariga que conhecera e que queria ser atriz. “Ela disse que a inspirei… lembro-me dela hoje.”

Depois aconteceu uma “coisa estranha”, relembra. “Ganhei o Óscar… e estava em choque, abismado por causa de tudo aquilo, toda a experiência. Então, entro no elevador e estou a descer, com muitas pessoas, todas ali apertadas como sardinhas em lata. E eu… tenho o meu Óscar. [Risos.] E uma atriz muito conhecida está à minha frente, no elevador… e estamos a descer. E ela começa a torcer-se um pouco. E então, eu dou conta que a cabeça do meu Óscar está… no… tipo… [gesticula]. Está a tocar no traseiro dela, compreendes? [Risos.] E eu pensei, ‘oh, pá… isto é tão esquisito!’ [Risos.] Então, puxei o Óscar para cima, aproximei-me e disse-lhe ao ouvido: ‘Peço desculpa. Não fui eu. Foi o meu Óscar.’”

David Furtado

Advertisements

Comentários:

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s