Dario Argento: O Desconhecido das Luvas Negras

“A tecnologia está ao serviço de quem a usa, não é um animal selvagem à solta.” É assim que Dario Argento comenta os efeitos especiais de Dracula 3D, em que a Sony lhe facilitou a tarefa. Podíamos dizer que a expectativa era grande, se o seu autor não fosse um génio que, nos últimos 25 anos, não fez jus à reputação. Lembro o percurso do mestre do terror, através dele próprio, de outros realizadores e dos atores que com ele trabalharam.

dario argento (1)

Dario Argento considera que esta nova tecnologia lembra os tempos “em que se descobriu a cor, os filmes sonoros, tudo o que permitiu ao cinema avançar. Podemos fazer enquadramentos muito interessantes, que, de outra forma, não seriam possíveis”. O filme é protagonizado por Rutger Hauer (Van Helsing), Asia Argento (Lucy) e Thomas Kretschmann (Drácula). Este último já contracenara com Asia, filha do realizador, em The Stendhal Syndrome (1996), mas muitos se recordarão dele como o oficial nazi que ajuda Adrien Brody em O Pianista. Dracula 3D conta ainda com a participação de um velho colaborador de Argento, o diretor de fotografia Luciano Tovoli, que trabalhou em Suspiria e Tenebre – um mestre que se mantém no ativo desde 1961.

Em La Terza Madre, Asia Argento foi atacada por bruxas, atirada para um tanque de cadáveres em decomposição, protagonizou uma cena de chuveiro nua e ainda foi perseguida por um macaco pouco amigável. Já para não referir a cena brutal de The Stendhal Syndrome, em que é violada. “Muitas pessoas perguntam, ‘como podes fazer isto à tua própria filha?’”, relatou Dario Argento. “Mas ela é atriz, são filmes, e ela sabe-o bem. Nasceu numa família de artistas.” Asia já comentou diversas vezes que despir-se perante as câmaras, aos 16 anos, em Trauma, foi um momento difícil.

“Nadar num pântano de cadáveres foi mais fácil do que tirar o soutien, aos 16, diante do meu pai.”

Ainda por cima, Dario costumava ler-lhe os guiões dos seus filmes para adormecer, à noite, em vez de relatos mais apropriados à idade.

David Hemmings, Daria Nicolodi e Dario Argento nas filmagens de Profondo Rosso (1975).
David Hemmings, Daria Nicolodi e Dario Argento nas filmagens de Profondo Rosso (1975).

Os pais de Asia, Daria Nicolodi e Dario Argento conheceram-se durante o casting de Profondo Rosso (Deep Red), em 1975. A atriz participou em vários projetos do realizador, mas, à medida que a relação se foi deteriorando, o cineasta fez questão de a “assassinar” de modos cada vez mais criativos. Em Inferno (1980), é vítima de um ataque perpetrado por gatos. Em Tenebre (1982), os gritos de Nicolodi continuam a ouvir-se depois do fim, já durante os créditos. Em Phenomena (1985), é retalhada por um chimpanzé munido de uma navalha. E, em Opera (1987), ao espreitar pelo óculo de uma porta, é liquidada com um tiro num olho, numa sequência em câmara lenta. A atriz acusou o ex-marido de a tentar assassinar. Terão feito as pazes, entretanto, apesar de divorciados.

Daria Nicolodi prestes a ser atacada por gatos.
Daria Nicolodi prestes a ser atacada por gatos.

“ESTE TIPO ITALIANO…”

“Este tipo italiano começa a incomodar-me.” A frase é de Hitchcock, que, depois de assistir a L’uccello dalle piume di cristallo, em 1970, ter-se-á preocupado com a concorrência. Opera foi a última grande obra do realizador. Desde então, Dario tem concebido filmes interessantes, como The Stendhal Syndrome, ou outros insípidos, como Trauma. Realizou dois episódios para a série Masters of Horror, «Jenifer» e «Pelts» e já esteve mais do que uma vez no Fantasporto, onde muitas das suas obras foram exibidas.

O Pássaro com Plumas de Cristal (1970).
O Pássaro com Plumas de Cristal (1970).

Argento consegue realmente criar desconforto no espectador, utilizando uma montagem insólita e ângulos de câmara originais, admitindo que possui “uma vocação, mas também uma predisposição cultural” para provocar o terror, ainda que procure “o pânico, que é mais profundo”. No seu melhor, é mestre das cores, do uso da música e do terror psicológico. As mãos enluvadas que, nos seus filmes, assassinam as personagens, são as suas próprias mãos. “Acho que faço isso bastante bem”, admite. Há oito anos, reconheceu a influência hitchcockiana, realizando Do You Like Hitchcock? Alguns, como Brian De Palma, “homenagearam” Argento, plagiando cenas dos seus filmes, como sucedeu com a célebre cena final de Tenebre (1982) repetida em Body Double (1984).

Supervisionando a edição sonora de Suspiria, em 1977:

DE CRÍTICO A CINEASTA

O estatuto comercial e crítico de Argento – que este ano completa 72 anos – tem vindo a decair nas últimas duas décadas, mas o realizador não faz tenções de se reformar. Revela que faz filmes para “ser amado”, o que contrasta com o teor brutal das suas obras, baseadas literalmente nos seus próprios pesadelos. Os fãs esperam, mais uma vez, que este filme seja um novo começo, depois de desilusões como The Phantom of the Opera (1998), a mediania de Masters of Horrore a aridez de Giallo (2009).

Dario nasceu em 1940, filho do produtor Salvatore Argento e da modelo brasileira Elda Luxardo. Desde pequeno que se interessou pelas obras dos Irmãos Grimm, Hans Christian Andersen e Edgar Allan Poe, chegando a assinar o prefácio de uma tradução italiana de Poe. Terminou o liceu e começou a trabalhar num diário de Roma, o Paese Sera, como crítico de cinema. Um cinéfilo ávido, em breve já escrevia argumentos e, em parceria com Bernardo Bertolucci, foi coargumentista de Aconteceu no Oeste (1968), obra-prima de Sergio Leone. Durante toda a sua carreira, Argento sentir-se-ia muito mais à vontade a escrever do que a filmar.

Dois anos depois, em 1970, consegue o financiamento para realizar L’uccello dalle piume di cristallo (O Pássaro das Plumas de Cristal). Não tinha qualquer experiência, mas, influenciado por Ingmar Bergman e Fritz Lang, criou desde logo um estilo diferente.

Um estranho numa terra estranha – neste caso, um escritor americano em Itália –, testemunha um assassínio numa galeria de arte e observa algo importante que não consegue definir: A chave do mistério. O assassino de luvas de cabedal negras faz a sua primeira aparição.

Argento não foi o criador do giallo (cuja autoria é reconhecida a Mario Bava), mas contribuiu para o universalizar. O termo deriva das capas amarelas (gialli) dos livros policiais publicados em Itália. É sinónimo de mistério misturado com terror, em que Argento se tornou mestre.

Rodagem de Quatro Moscas de Veludo (1971).
Rodagem de Quatro Moscas de Veludo (1971).

A obra torna-se num inesperado êxito internacional e os produtores dão-lhe luz verde. Em 1971, The Cat o’ Nine Tails é o segundo título da “trilogia animal” e o filme que Argento menos aprecia. Ennio Morricone volta a assinar a banda sonora. No mesmo ano, Four Flies on Grey Velvet conclui a trilogia que inspirou inúmeras imitações e filmes com títulos mirabolantes do estilo, «Gatos Vermelhos num Labirinto de Vidro» ou «Uma Lagarta com Pele de Mulher». Neste terceiro filme, o baterista ‘Roberto Tobias’ testemunha um assassínio e é incriminado. Tem, portanto, de resolver o caso por si mesmo. O humor negro de Argento também se revela, com o rei dos filmes de pancadaria, Bud Spencer, a interpretar um personagem chamado ‘Deus’. Em 1973, Argento realiza dois episódios de uma série para a RAI, La Porta sul Buio. No mesmo ano, assina Le Cinque Giornate, drama histórico nada representativo do seu estilo.

“ACABARAM DE ASSISTIR A…”

O pai, Salvatore, produziu os filmes de Dario até 1975, o que lhe garantia liberdade artística. Nesse ano, o irmão Claudio assume o cargo de produtor.

Deep Red é a primeira obra-prima e o filme favorito do cineasta, que dá largas à imaginação, determinado a regressar ao thriller, mas de uma forma inovadora: Um assassino com motivações psicológicas e um trauma do passado.

Utilizando todos os elementos do terror, como os elevadores ou as alusões à infância, Argento filma uma história perturbadora com movimentos insólitos da câmara. Um boneco mortífero, assassínios artísticos e o uso das cores aliam-se a um argumento sólido e à música excecional dos Goblin, cujo tema-título inspirou John Carpenter a compor a melodia de Halloween.

Um pianista americano em Itália testemunha um crime e um pormenor crucial de que não se recorda… decide desvendar o mistério com a ajuda de uma jornalista. O espectador também vê algo, mas só se apercebe no final, quando a típica frase do cineasta “acabaram de assistir a…” passa nos créditos.

Em 1977, realiza Suspiria a segunda obra-prima; uma fantasia sobrenatural com crimes em art decô, em que a banda sonora hipnótica é novamente composta pelos Goblin, com a colaboração do realizador, que fez questão de pôr a música a tocar alto durante as filmagens, para colocar os atores naquilo que considerava “o estado de espírito certo”. A protagonista, Jessica Harper, recorda que “é por esse motivo que parecemos todos quase a sucumbir a um ataque de nervos”.

Em 1978, colabora com George A. Romero em Zombie e, dois anos depois, retoma o tema das “Três Mães” com Inferno, uma desilusão, para muitos. A banda sonora atmosférica de Keith Emerson e uma genial sequência debaixo de água, com a ex-nadadora Irene Miracle, caracterizam uma viagem ao subconsciente.

A famosa sequência de Tenebre:

Tenebre, de 1982, foi um regresso ao giallo. Filme luminoso, em contraste com o título – inspirado no momento em que a congregação fica nas trevas –, é também uma alegoria acerca do puritanismo.

Argento luta com os produtores e inclui uma hábil sequência de vários minutos, sem qualquer corte, em que a câmara passa por cima de uma casa, filmando o telhado e as divisões até que as personagens são aniquiladas com requintes de malvadez. Argento foi pioneiro no uso da “steadycam” e da “luma crane”, uma câmara presa a um guindaste, rara em 1982.

Argento supervisionando a filmagem de uma degolação em Tenebre.
Argento supervisionando a filmagem de uma degolação em Tenebre.

O corte de um braço à machadada foi uma sequência censurada durante anos, já que a mulher de Berlusconi, Veronica Lario, é a vítima.

A MALDIÇÃO DE MACBETH

Dario Argento foi muito criticado por assassinar mulheres nos seus filmes, e apelidado de misógino, mas argumenta:

“Tanto mato mulheres como homens. Gosto de mulheres, especialmente das bonitas. Se têm um belo rosto e uma bela figura, prefiro muito mais vê-las assassinadas do que uma rapariga feia ou um homem. Não tenho de me justificar perante ninguém; não me interessa como o interpretam ou o que leem nisto. Já muitos jornalistas me viraram as costas quando digo o que acho sobre o assunto.”

Mirella D'Angelo em Tenebre (1982).
Mirella D’Angelo em Tenebre (1982).

Phenomena foi um dos primeiros filmes de Jennifer Connelly, com a participação do veterano Donald Pleasence. É uma fusão de mistério com fantasia e foi bastante criticado. 1987 foi o ano de Opera, obra com sequências violentas em que a personagem principal é obrigada a assistir aos crimes sem fechar os olhos, com agulhas presas às pálpebras – uma forma de Argento expressar, “não fechem os olhos, tenho algo a dizer”. A ópera que integra o filme é Macbeth, conhecida por dar azar. E Argento sofreu diversos, durante a rodagem, desde problemas técnicos ao facto de a atriz principal, Vanessa Redgrave, ter abandonado o projeto antes do início das filmagens. O pai morreu durante a rodagem, e a relação com a companheira Daria terminou. O ator Ian Charleson revelou ao realizador que contraíra SIDA, e Argento deu-se pessimamente com a protagonista Cristina Marsillach. Como se não fosse suficiente, o filme foi um flop comercial.

Cristina Marsillach em Opera (1987), o último filme realmente digno do génio de Argento, excetuando talvez Non ho sonno de 2001.
Cristina Marsillach em Opera (1987), o último filme realmente digno do génio de Argento, excetuando talvez Non ho sonno de 2001.

Dois anos depois, Argento volta a colaborar com George Romero em Two Evil Eyes, dois filmes distintos, a quatro mãos, baseados na obra de Edgar Allan Poe. Na sua parte do trabalho, uma versão de «O Gato Negro», Argento contou com a participação de Harvey Keitel. Trauma (1993) foi uma tentativa frustrada de enveredar pelo mercado americano; um mistério cativante mas visualmente pobre. Três anos depois, em The Stendhal Syndrome, o primeiro filme italiano a utilizar CGI, Argento colabora novamente com a filha Asia e com Ennio Morricone. A película contém uma sequência inicial brilhante, filmada na Galeria Uffizi de Florença – sendo Argento o único cineasta autorizado a filmar o interior.

Em 1997, Argento abre a sua loja de horrores, em Roma, chamada Profondo Rosso, onde reúne memorabilia de muitos filmes de terror, fantasia e ficção científica, bem como adereços das suas próprias obras. No ano seguinte, volta à realização com The Phantom of the Opera, que se pretendia uma homenagem a uma das histórias que mais o influenciou, mas que se revelou um fracasso. Sleepless, em 2000, foi um regresso à boa forma, com o lendário Max Von Sydow a sobressair num elenco medíocre – rasgos do brilhantismo de outrora, uma sequência de abertura notável e uma banda sonora de três elementos dos Goblin.

Em 2003, The Card Player, com Stefania Rocca e Liam Cunningham, é um thriller competente, mas sem a chama habitual. Um ano depois, Argento realiza Do You Like Hitchcock? para a RAI, demonstrando profissionalismo, mas sem oferecer nada de novo. Em 2005 e 2006, concebe dois episódios em que se imita a si próprio, para a série Masters of Horror. Em 2007, La Terza Madre foi mais uma tentativa falhada de recuperar a reputação perdida.

No set de Inferno (1980).
No set de Inferno (1980).

CAMERAMAN ATADO A UM POSTE

Michael Brandon (O ‘Dempsey’ de Dempsey e Makepeace) recapitula as filmagens de Four Flies on Grey Velvet: “Ele não sabia como filmar certa sequência, por isso, pôs-se a pensar, até que disse, ‘dêem-me a câmara!’ E andou pela sala, a dizer, ‘assim’, ‘assim’, percorrendo o cenário. E saiu porta fora… quando regressou, a equipa estava boquiaberta a olhar para ele. O Dario disse, ‘subito, subito!’ Toca a mexer!”, e todos começaram a mexer-se, mas ninguém sabia que diabo fazer… No dia seguinte, entro no estúdio e vejo o cameraman atado a um poste… a segurar a câmara, e dois tipos elevam-no, e ele filma-nos, num plano superior, todo o caminho até à porta.”

O ator relembra que, quando fazia as malas e se preparava para regressar aos Estados Unidos, alguém o procurou no quarto de hotel. Era um motorista, que lhe disse, “falta filmar um último plano, venha”. “Pensei, ‘que raio irá sair daqui?’ Seguimos por uma estrada secundária, de noite, e chegámos a uma mansão. O motorista deixou-me lá, no meio de nenhures.”

“Bati à porta e abriu um mordomo sinistro, de candeia na mão, que disse, ‘entre…’. Senti-me num cenário de um filme dele! Caminhámos por longos corredores até uma sala onde as luzes se acenderam e os violinos começaram a tocar. Estava lá toda a equipa, e o Dario apareceu, empolgado, e deu-me um abraço. Foi a sua maneira de fazer uma festa de despedida. Diverti-me imenso.”

AMOR/ÓDIO PELOS ATORES

Bridget Fonda quase participou em The Stendhal Syndrome e confessa-se uma “fanática” pela obra do realizador. Durante as filmagens de Jovem Procura Companheira/Single White Female, Fonda estava amarrada a uma cadeira e amordaçada, quando o realizador Barbet Schroeder pediu ao diretor de fotografia, “Luciano, podes fazer isto ao estilo de Suspiria?”

Bridget contorceu-se e perceberam que queria falar. Deram-lhe um papel em que escreveu, “porquê Suspiria?” O realizador informou-a de que Luciano Tovoli tinha sido o diretor de fotografia desse filme. Bridget pediu que a desamarrassem, entusiasmada: “Não fazia ideia! É o filme da minha vida!”

Argento é conhecido por desprezar atores, tendo dito à filha: “Os atores são escumalha, são uns vaidosos, só estão preocupados consigo próprios, não querem saber do filme.” Asia ripostou: “Mas eu sou atriz!” “Não és nada!”

Com a filha, Asia Argento, no set de Dracula 3D (2012).
Com a filha, Asia Argento, no set de Dracula 3D (2012).

Apesar de tudo, Argento trabalhou com atores de renome, e muitos quiseram trabalhar com ele. Alguns exemplos: Harvey Keitel, Karl Malden, Adrien Brody, Joan Bennett, Alida Valli, Anthony Franciosa, John Saxon, Donald Pleasence, Emmanuelle Seigner, James Russo, Patrick Bauchau, Jennifer Connelly (que mais tarde ganharia um Óscar), Irene Miracle, (de O Expresso da Meia-Noite) Julian Sands ou Max Von Sydow, veterano dos filmes de Bergman. Ian Charleson (de Momentos de Glória/Chariots of Fire) Jessica Harper, Mimsy Farmer e Michael Brandon foram outros dos atores com quem colaborou. Ficou amigo de Brandon, mas o mesmo não sucedeu com Tony Musante ou Cristina Marsillach, duas prima-donas, no seu entender.

Tim Burton e David Bowie são outros fãs da obra de Argento, que também é admirado pelo amigo John Carpenter. O realizador americano comenta: “É uma pessoa que ama o filme de terror e o compreende, tal como eu. É uma excelente companhia. Fomos passear por Roma, certa vez, e foi incrível. As pessoas têm uma autêntica adoração pelo Dario. Até os miúdos vinham ter com ele, pedindo-lhe autógrafos…”

David Furtado

Anúncios

Comentários:

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s