Elizabeth Taylor faria hoje 80 anos – Um tributo

O meu fascínio por Elizabeth Taylor começou no Blockbuster, num dia de inverno de 1998. Apercebi-me de que nunca tinha visto nenhum filme com ela, apenas a conhecia das capas de revistas devido à sua publicitada luta contra os preconceitos motivados pela SIDA, durante os anos 80. Sabia também que era famosa pelos seus olhos violeta.

Elizabeth taylor tributo

E assim, deparei-me com a cassete de Who’s Afraid of Virginia Woolf? na secção dos clássicos, decidindo alugá-la, uma vez que já ouvira falar do filme. Fiquei cativado desde o primeiro instante, quando ela entra com Richard Burton no apartamento e diz “what a dumppp!” Espantou-me aquele desempenho, e também o de Burton, e não me admirou que tivesse ganho o segundo Óscar da sua carreira no papel de ‘Martha’. No dia seguinte, já lá estava outra vez para alugar o Suddenly, Last Summer, em que ela desempenhava mais um grande papel. Vi também o Father of the Bride.

Esgotados os títulos no Blockbuster, comecei a procurar filmes com ela noutros videoclubes, mas não consegui encontrar mais nenhum, a não ser o Giant. Era ainda a época do VHS. Consegui, contudo, gravar mais quatro filmes dela no canal TCM, The Last Time I Saw Paris, BUtterfield 8, Cat on a Hot Tin Roof e The Comedians, tornando-me fã incondicional. Gravei todos estes filmes, à medida que os ia encontrando. Mais tarde, comprei a cassete de Cleopatra, na antiga Virgin Megastore, um achado. Outra, comprei-a em Lisboa: The Taming of the Shrew. Outra, encontrei-a em Bilbau, Ivanhoe, mas fiquei indignado por estar dobrado em espanhol…

O que me fascinou no trabalho dela foi, desde logo, a qualidade intemporal com que interpretava as personagens, em filmes bastante antigos. A ‘Maggie, the Cat’, por exemplo, parecia tão fulgurante como na altura em que surgiu no grande ecrã, em 1958, quando Taylor estava no auge.

Alguns anos depois, li uma biografia dela e vi um documentário. Realmente Liz Taylor sobreviveu a quase tudo. À morte de um dos maridos, a divórcios, a dois casamentos com Richard Burton, ao vício do álcool e dos comprimidos, a várias operações, a uma vida sentimental conturbada e até a vários filmes medíocres, durante a década de 70, quando a sua estrela começou a esmorecer. Mas Elizabeth Taylor parecia quase indestrutível, tornando-se numa das mais respeitadas figuras de Hollywood, uma lenda viva. E já restam poucas… 

Fiquei também a admirá-la pela maneira como salvou a vida do seu amigo Montgomery Clift: Foi a primeira a chegar ao local onde este sofrera um grave acidente de automóvel, depois de ter saído de uma festa em casa de Taylor. Foi ela que entrou para dentro do carro e arrancou os dentes de Clift que se tinham alojado na garganta, impedindo que o ator sufocasse. Foi também ela que procurou ajudar Clift a recompor a carreira, algo em que foi parcialmente bem-sucedida.

Com a chegada dos DVD colmatei algumas falhas e vi outros filmes como The Sandpiper, The VIP’s, Reflections in a Golden Eye, Ivanhoe, Secret Ceremony, A Place in the Sun e, em Janeiro passado, X, Y and Zee. Taylor também entrou em bastantes fiascos, mas, no seu auge, ultrapassou, em beleza e talento, a maioria das atrizes que conheço, senão todas.

Hoje, ao saber que desapareceu a lendária atriz dos olhos violeta, só me ocorre dizer, “the Queen is dead. Long live the Queen”.

David Furtado

23 de Março de 2011

Escrevi este texto no dia em que Elizabeth Taylor morreu. Hoje, dia em que a atriz completaria 80 anos, um fã não esquece.

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