Phenomena de Dario Argento

Revi Phenomena, finalmente na versão integral, e achei-o mais equilibrado. Quando foi lançado nos EUA, em 1985, cortaram-lhe cerca de meia hora e chamaram-lhe Creepers. Jennifer Connelly deserdou o filme, aparentemente. Quando a convidaram para participar num documentário sobre Dario Argento, muitos anos depois, fez-se de desentendida. Realmente, já ganhou um Óscar, mas diga-se que, antes e depois disso, fez vários filmes onde se limita a passear o seu físico.

phenomena

Phenomena conta também com Donald Pleasence, no papel de um etimologista que ajuda Jennifer a compreender que o seu dom de telepatia com insetos não é anómalo. O veterano Pleasence parece enviar a representação por telefone, competente mas desinteressado. Argento está mais focado na beleza adolescente e invulgar de Jennifer Connelly, que, no seu segundo filme, parece algo desconfortável. Participara anteriormente noutra obra italiana – a sua estreia –, Era Uma Vez Na América de Sergio Leone. Aí sim, nota-se um talento em potencial, e Leone extraiu mais dela, talvez devido à direção, do que Argento.

Não quero com isto dizer que Phenomena é um fracasso. Longe disso. É um filme de altos e baixos, mas consegue prender o espectador até ao fim dos seus originais 116 minutos. Filmado na Suíça e com interiores registados nos lendários estúdios De Paolis, em Roma, é uma mistura de fantasia e giallo; falamos da época em que Neverending Story estava na moda.

Dario Argento fimando Jennifer Connelly.
Dario Argento fimando Jennifer Connelly.

O filme baseou-se numa história que Dario Argento ouviu na rádio, sobre os insetos serem capazes de auxiliar na investigação de um assassínio. O realizador diz que é o preferido dos seus filmes. Mas, na rodagem, as coisas não correram sempre bem. Jennifer Connelly foi atirada para dentro de um tanque cheio de vermes e cadáveres (falsos) em decomposição, o que lhe desagradou. Foi também mordida pelo chimpanzé que lhe arrancou a ponta de um dedo, posteriormente reinserido por cirurgia.

Em minha opinião, a melhor cena é a de «Sleepwalking», com música dos Goblin, em que Connelly, sonâmbula, sai do quarto. É a sequência em que Dario Argento liberta a imaginação e concebe um dos seus memoráveis setpieces.

Montagem de imagens com o tema:

É uma pena que esta seja a obra que começa a curva descendente do realizador. Opera (1987) foi o trabalho a que muitos chamam o seu “último filme”. Desde então, Argento desiludiu com La Terza Madre, Giallo, em que Adrien Brody dominou detalhes fulcrais da produção. Apenas Sleepless de 2001, nos mostrou criatividade visual e talento narrativo. O mesmo aconteceu em The Stendhal Syndrome (1996), obra hipnótica, em que a cena inicial, filmada na Galeria Uffizi em Florença, arrasa qualquer espectador, envolvido pela música de Ennio Morricone. (Argento foi o primeiro realizador a ser autorizado a filmar o interior da Uffizi.)

A versão que vi foi em Blu-ray e, embora se note a definição da imagem, a mais-valia são as cenas cortadas, que surgem com idioma italiano, já para não falar das cenas sem falas, que, retiradas, tornavam Phenomena numa obra esquizofrénica, por culpa dos distribuidores.

David Furtado

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